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Castelo de Castelo Rodrigo

Castelo de Castelo Rodrigo, fortaleza medieval da raia da Beira que envolve a aldeia histórica de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda.

Castelo de Castelo Rodrigo
Autor desconhecido, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

No extremo nordeste do distrito da Guarda, num cabeço que domina a planície da Riba-Côa, o Castelo de Castelo Rodrigo confunde-se com a própria aldeia que protege. Aqui não há uma fortaleza isolada e um casario à parte: a muralha medieval abraça por inteiro a povoação, desenhando um recinto de planta sensivelmente circular onde as casas, as ruas e o antigo recinto defensivo formam um só organismo. Este é um dos traços que distinguem Castelo Rodrigo das demais aldeias históricas de Portugal: a vila inteira é o castelo.

Da fronteira leonesa à integração em Portugal

A fortificação que hoje se vê tem raízes no esforço de defesa da raia. Coube a D. Afonso IX de Leão erguer, nos finais do século XII, uma fortaleza neste ponto estratégico, integrando-a na linha defensiva que disputava o território de Riba-Côa entre Leão e o reino nascente de Portugal. A questão só se resolveu com o Tratado de Alcanizes, assinado em 1297, que fixou a fronteira e entregou definitivamente a região aos portugueses.

D. Dinis, beneficiário desse acordo, lançou então um amplo programa de reedificação. A ele se deve a configuração gótica de boa parte do conjunto, com panos de muralha reforçados, cubelos e portas adaptadas ao relevo. Ao longo dos séculos seguintes, a praça continuou a desempenhar funções militares na fronteira, resistindo, entre outros episódios, a um cerco castelhano em 1664, durante a Guerra da Restauração, quando uma pequena guarnição enfrentou forças muito superiores.

O palácio incendiado de Cristóvão de Moura

O episódio mais célebre da história do sítio liga-se ao período da União Ibérica. Sobre a antiga alcáçova, no ponto mais alto do recinto, Cristóvão de Moura — marquês de Castelo Rodrigo e figura próxima da coroa filipina — mandou erguer, a partir de 1590, um sumptuoso palácio. A sua fachada ostentava ainda o brasão da família e uma portada de feição gótica.

Quando Portugal recuperou a independência, em 1640, a população local, hostil ao senhor associado ao domínio espanhol, ateou fogo ao palácio. As ruínas, que subsistem até hoje no alto da aldeia, tornaram-se um símbolo eloquente da Restauração e um dos elementos mais visitados do conjunto, a par da igreja matriz e da cisterna.

Visitar o conjunto amuralhado

Percorrer Castelo Rodrigo é caminhar por dentro de uma fortaleza habitada. O traçado medieval mantém-se legível no perímetro das muralhas, no pelourinho quinhentista e na malha de ruas que sobem até ao cimo do cabeço, de onde se descortina a vastidão da raia e, à distância, território espanhol. Classificado como Monumento Nacional desde 1922, o castelo integra o roteiro dos grandes castelos de fronteira e constitui o coração da aldeia de Figueira de Castelo Rodrigo, no interior da região Centro.

Perguntas frequentes

Onde fica o Castelo de Castelo Rodrigo?
Ergue-se no alto da aldeia histórica de Castelo Rodrigo, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda, na região da Riba-Côa, junto à fronteira com Espanha.
Quem construiu o castelo?
A fortaleza original foi erguida por D. Afonso IX de Leão, nos finais do século XII, sendo profundamente reedificada por D. Dinis depois de o território passar para Portugal pelo Tratado de Alcanizes, em 1297.
O que aconteceu ao palácio de Cristóvão de Moura?
O palácio, mandado construir a partir de 1590 por Cristóvão de Moura sobre a antiga alcáçova, foi incendiado pela população local em 1640, durante a Restauração da Independência, e está hoje em ruínas.
O Castelo de Castelo Rodrigo é Monumento Nacional?
Sim. Está classificado como Monumento Nacional desde 1922.

Fontes

  1. Castelo de Castelo Rodrigo — Wikipédia
  2. Castelo Rodrigo — Aldeias Históricas de Portugal
  3. Wikidata — Castelo de Castelo Rodrigo (Q1048954)