Monumentos

Castelo de Mértola

Castelo de Mértola, fortaleza medieval erguida sobre a alcáçova islâmica do Guadiana, Monumento Nacional na vila-museu do distrito de Beja.

Castelo de Mértola
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

Suspenso sobre a foz da ribeira de Oeiras no Guadiana, o Castelo de Mértola coroa um esporão rochoso que domina o ponto mais a montante onde o rio se mantinha navegável. Esta posição, mais do que qualquer outro fator, explica a longa importância estratégica do sítio: foi aqui que romanos, bizantinos, muçulmanos e cristãos sucessivamente se instalaram, deixando uma das mais densas estratigrafias urbanas do Sul de Portugal.

Da alcáçova islâmica à fortaleza cristã

A atual fortificação ergue-se sobre a alcáçova islâmica que, entre os séculos VIII e XIII, constituía o reduto militar e religioso da Martula andalusina. Beneficiando dos depósitos mineiros do interior e das ligações fluviais ao Mediterrâneo, a povoação prosperou ao ponto de, no século XI, se tornar capital de um efémero emirado independente, a taifa de Mértola. Desta presença prolongada subsiste um notável conjunto material, hoje estudado e exposto no âmbito da arqueologia islâmica em Portugal, de que Mértola é referência incontornável.

A conquista cristã chegou tarde a este extremo do Gharb. Só em 1238, já no reinado de D. Sancho II, as forças da Ordem de Santiago, comandadas por Paio Peres Correia, tomaram a vila. D. Sancho doou-a à ordem, que ali fixou a sua primeira sede portuguesa antes de a transferir para Palmela. Sobre o alcácer muçulmano, os freires reconstruíram a cerca e o reduto senhorial, integrando-os no esforço de fortificação da fronteira meridional.

A estratigrafia de Mértola é um palimpsesto: cada conquistador edificou sobre os alicerces do anterior, e os muros do castelo guardam ainda silhares romanos reaproveitados pelos construtores islâmicos e medievais.

A torre de menagem

O elemento mais imponente do conjunto é a torre de menagem, concluída em 1292 por ordem de D. João Fernandes, mestre de Santiago, conforme regista uma lápide na própria estrutura. De planta quadrangular e considerável altura, ergue-se no ângulo nordeste da cerca e funcionava simultaneamente como atalaia sobre o rio e como residência fortificada do comendador. A sua silhueta, recortada sobre o casario branco da vila, tornou-se a imagem mais reconhecível de Mértola. A par de congéneres como o Castelo de Silves, constitui um dos testemunhos mais expressivos da herança militar luso-islâmica do Sul.

Património classificado e vila-museu

O castelo foi classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 38147, de 5 de janeiro de 1951, integrando-se na rede de castelos de Portugal que jalonam o território. Desde 1978, as campanhas do Campo Arqueológico de Mértola transformaram o recinto e a vila num laboratório de investigação contínuo, pondo a descoberto uma necrópole baixo-medieval, um bairro islâmico e um complexo religioso paleocristão com criptopórtico e baptistério.

Hoje a torre de menagem acolhe um dos núcleos do Museu de Mértola, e o conjunto está no centro do projeto que faz da vila de Mértola um caso singular de musealização integral. O sítio figura ainda entre as candidaturas em estudo no âmbito da Lista Indicativa de Mértola a Património Mundial, reconhecimento da excecional continuidade histórica que o castelo, mais do que monumento isolado, ajuda a narrar.

Perguntas frequentes

Quando foi conquistado o Castelo de Mértola aos muçulmanos?
Mértola foi conquistada em 1238, no reinado de D. Sancho II, por forças da Ordem de Santiago comandadas por Paio Peres Correia. A vila tornou-se então a primeira sede portuguesa daquela ordem militar.
De que data é a torre de menagem do castelo?
A imponente torre de menagem foi concluída em 1292, por ordem de D. João Fernandes, mestre da Ordem de Santiago, como assinala uma lápide ainda visível na estrutura.
O castelo pode ser visitado?
Sim. A torre de menagem integra o circuito do Museu de Mértola e reúne núcleos arqueológicos com espólio romano, paleocristão e islâmico recolhido na vila.

Fontes

  1. Castelo de Mértola — Wikipédia
  2. Castelo de Mértola — Património Cultural (SIPA/DGPC)
  3. Alcáçova e Casa Islâmica — Museu de Mértola