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Castelo da Póvoa de Lanhoso

O Castelo da Póvoa de Lanhoso, erguido sobre o Monte do Pilar em Braga, ligado à condessa Teresa de Leão e às lutas pela independência de Portugal.

Castelo da Póvoa de Lanhoso
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

No cimo do Monte do Pilar, um colosso granítico que domina o vale do Cávado e que é tido como o maior monólito de granito da Península Ibérica, ergue-se um dos castelos minhotos mais carregados de história. O Castelo da Póvoa de Lanhoso, no distrito de Braga, deve tanto à sua posição natural — uma fortaleza quase inexpugnável, talhada pela própria rocha — como ao papel que desempenhou nos episódios fundadores da nacionalidade portuguesa.

Origem e construção

A tradição atribui a primeira fortificação do sítio a iniciativa do arcebispo D. Pedro de Braga, em finais do século XI, com o objetivo de constituir uma defesa avançada da sede episcopal bracarense. O afloramento granítico, de difícil acesso e ampla visibilidade sobre o território envolvente, oferecia condições excecionais para um reduto defensivo no contexto das incursões e disputas do período condal.

A reforma do recinto, com a edificação da torre de menagem, situa-se entre finais do século XII e o início do século XIII, conjugando soluções de feição românica e gótica. A torre, de planta quadrangular, assenta no ponto mais elevado do monte, com paredes de mais de um metro de espessura e uma porta em arco quebrado sobrelevada do solo. Já no reinado de D. Dinis, a Póvoa de Lanhoso recebeu foral em 1292, mais tarde renovado por D. Manuel I.

Teresa de Leão e a independência

O renome do castelo deve-se sobretudo à condessa D. Teresa de Leão, viúva do conde D. Henrique e mãe de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. Segundo a tradição, foi neste reduto que D. Teresa se refugiou quando cercada pelas forças da sua meia-irmã, D. Urraca, rainha de Leão. Do cerco de 1121 resultou um entendimento conhecido como Tratado de Lanhoso, pelo qual a condessa preservou a governação do condado portucalense.

A historiografia moderna distingue o relato tradicional dos factos comprovados: o episódio do cativeiro de D. Teresa pelo próprio filho, após a batalha de São Mamede, é hoje objeto de revisão crítica.

A associação do castelo a este momento de afirmação do poder condal liga-o diretamente ao destino da Sé de Braga e à formação do reino, num território onde o poder eclesiástico e o senhorial se entrelaçavam.

Do reduto militar ao santuário

Perdida a função militar, o monte conheceu nova vocação a partir de 1680, quando o mercador portuense André da Silva Machado mandou erguer no local o santuário de Nossa Senhora do Pilar, reaproveitando materiais das muralhas então demolidas. As obras prolongaram-se pelo século XVIII, dando ao conjunto a fisionomia devocional que ainda hoje atrai romeiros.

Classificado como Monumento Nacional desde 1910, o Castelo da Póvoa de Lanhoso integra-se no vasto conjunto de castelos medievais do norte do país e ilustra bem o papel das fortificações na estruturação do território e na defesa do antigo condado portucalense.

Perguntas frequentes

Porque é célebre o Castelo da Póvoa de Lanhoso?
Pela ligação à condessa Teresa de Leão, mãe de D. Afonso Henriques, que aqui se refugiou durante o conflito com a sua meia-irmã D. Urraca de Leão, episódio central das lutas que precederam a independência de Portugal.
Sobre que tipo de rocha está implantado o castelo?
Ergue-se no cimo do Monte do Pilar, frequentemente apontado como o maior monólito granítico da Península Ibérica, a cerca de 385 metros de altitude.
Desde quando é Monumento Nacional?
O castelo está classificado como Monumento Nacional desde 1910, por decreto publicado no Diário do Governo.

Fontes

  1. Castelo de Lanhoso — Wikipédia
  2. Castelo de Lanhoso — Município de Póvoa de Lanhoso
  3. Castelo da Póvoa de Lanhoso — Infopédia