Arqueologia

Cividade de Bagunte

A Cividade de Bagunte, em Vila do Conde, é um dos maiores oppida da cultura castreja do vale do Ave, classificada como Monumento Nacional desde 1910.

Cividade de Bagunte
Jufsferreira, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

A Cividade de Bagunte é um dos mais extensos povoados fortificados da Idade do Ferro do Noroeste peninsular. Implantada no Monte da Cividade, a cerca de 206 metros de altitude, na freguesia de Bagunte, Ferreiró, Outeiro Maior e Parada (concelho de Vila do Conde, distrito do Porto), domina a confluência dos rios Ave e Este e os caminhos que, desde a costa, conduziam ao interior do Minho. A sua posição estratégica, a par da dimensão excecional, fez dela um dos grandes oppida — as cividades semiurbanas que os romanos encontraram à sua chegada.

Um oppidum da cultura castreja

Com uma área de interesse arqueológico de cerca de 50 hectares, Bagunte ombreia com os mais importantes povoados da cultura castreja, como a Citânia de Briteiros e a Citânia de Sanfins. A cronologia conhecida de ocupação estende-se grosso modo do século IV a.C. ao século IV d.C., abrangendo tanto o apogeu castrejo da Idade do Ferro como a posterior romanização do território.

O sítio organiza-se em socalcos defendidos por várias linhas de muralha concêntricas — foram identificados pelo menos cinco panos amuralhados — que envolvem um casario denso. As estruturas habitacionais, de planta circular e retangular, dispõem-se em conjuntos que sugerem uma organização em quarteirões, traço de urbanismo incipiente que distingue os grandes oppida dos pequenos castros dispersos pelo vale.

A escala de Bagunte ajuda a explicar por que razão os autores antigos falavam de civitates: não eram simples aldeias fortificadas, mas centros que concentravam população, produção e poder territorial em torno do baixo Ave.

Investigação e classificação

A Cividade de Bagunte foi classificada como Monumento Nacional em 1910, integrando o primeiro grande elenco de bens protegidos do Estado português. É a estação arqueológica mais divulgada do concelho de Vila do Conde e tem sido objeto de campanhas de escavação que, ao longo do século XX e XXI, foram revelando troços de muralha, arruamentos e unidades habitacionais.

Apesar da sua importância, grande parte da área permanece por escavar, o que mantém em aberto questões sobre a articulação interna do povoado, a sua relação com outros castros do litoral — como a vizinha Cividade de Terroso, na Póvoa de Varzim — e o ritmo da integração no mundo romano. Bagunte constitui, por isso, um laboratório privilegiado para compreender a transição entre o mundo indígena e a ordem provincial romana no extremo ocidental da Península.

Visitar Bagunte

O conjunto é hoje visitável em percurso ao ar livre, com troços de muralha e núcleos habitacionais consolidados. A leitura no terreno é mais exigente do que em estações musealizadas, mas a amplitude do recinto e o domínio visual sobre os vales do Ave e do Este transmitem com clareza a razão de ser deste poderoso oppidum, peça central da rede de povoados castrejos que ainda marca a paisagem do Noroeste de Portugal.

Perguntas frequentes

Onde fica a Cividade de Bagunte?
Situa-se no Monte da Cividade, na freguesia de Bagunte, Ferreiró, Outeiro Maior e Parada, no concelho de Vila do Conde, distrito do Porto, junto à confluência dos rios Ave e Este.
Que dimensão tinha o povoado?
É um dos maiores oppida da cultura castreja do Noroeste peninsular, com cerca de 50 hectares de área de interesse arqueológico e várias linhas de muralha concêntricas.
Quando foi classificada como Monumento Nacional?
A Cividade de Bagunte foi classificada como Monumento Nacional em 1910, integrando o primeiro grande conjunto de bens protegidos do país.

Fontes

  1. Cividade de Bagunte — Wikipédia
  2. Monumentos Nacionais — Câmara Municipal de Vila do Conde
  3. Alguns apontamentos sobre a cividade de Bagunte — Portvgalia (FLUP)