Arqueologia
Citânia de Briteiros
A Citânia de Briteiros, em Guimarães, é o mais célebre castro do Noroeste, com centenas de casas, ruas pavimentadas e balneários da Idade do Ferro.
A Citânia de Briteiros é o mais célebre povoado fortificado da cultura castreja do Noroeste peninsular. Implantada no cume do Monte de São Romão, na freguesia de Briteiros (São Salvador), a cerca de 15 quilómetros do centro de Guimarães, ergue-se sobre um esporão que domina o vale do rio Ave. A escala monumental do conjunto, a densidade do casario e a organização do espaço fizeram dela, desde o século XIX, um dos sítios arqueológicos mais estudados e visitados de Portugal.
Um povoado proto-urbano da Idade do Ferro
A ocupação do monte estende-se da Idade do Bronze à Idade Média, mas o povoado que hoje se observa corresponde sobretudo ao seu apogeu nos dois últimos séculos antes da nossa era, já em pleno período da Idade do Ferro. Defendido por várias linhas de muralha que rodeavam a encosta, o aglomerado chegou a reunir cerca de uma centena de unidades habitacionais distribuídas por uma área de várias hectares.
O que distingue Briteiros é o seu carácter quase urbano. As casas, predominantemente circulares e construídas em granito, agrupavam-se em pátios familiares ligados por uma rede de ruas pavimentadas e becos, frequentemente com calhas para escoamento de águas. Esta complexidade arquitetónica, com sistema de abastecimento e drenagem, revela uma comunidade numerosa e socialmente diferenciada, característica dos grandes oppida castrejos que floresceram às vésperas e durante a romanização.
A regularidade das ruas e a existência de água canalizada e de edifícios de uso coletivo mostram que estes castros eram, já antes de Roma, verdadeiras cidades indígenas — e não simples aldeias fortificadas.
Os balneários e a Pedra Formosa
Entre os edifícios mais notáveis contam-se dois balneários castrejos, estruturas semienterradas associadas a banhos de vapor e rituais de purificação. O acesso ao forno destes balneários fazia-se através de uma laje monolítica ricamente ornamentada, a célebre Pedra Formosa, com decoração geométrica esculpida. Estes monumentos, exclusivos da cultura castreja do Noroeste, constituem um dos seus traços identitários mais enigmáticos, abordados em detalhe na página dedicada à pedra formosa e aos balneários castrejos.
Martins Sarmento e a redescoberta do castro
A notoriedade de Briteiros deve-se em larga medida a Francisco Martins Sarmento, que em 1875 iniciou aqui campanhas de escavação sistemáticas, pioneiras no país. O seu trabalho, prosseguido no século XX por Mário Cardozo e outros investigadores, transformou o sítio numa referência internacional para o estudo da cultura castreja. O acervo recolhido, incluindo a Pedra Formosa e numerosas peças de arte e epigrafia, integra hoje o Museu da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, instituição que continua a gerir e a estudar a estação.
Pela sua dimensão e estado de conservação, Briteiros é o termo de comparação obrigatório para os demais grandes castros do Noroeste, como a vizinha Citânia de Sanfins. Em conjunto, estes povoados desenham o mapa de uma das mais originais civilizações da Idade do Ferro europeia, cuja memória permanece inscrita na paisagem granítica do Minho.
Perguntas frequentes
- Onde fica a Citânia de Briteiros?
- Situa-se no Monte de São Romão, na freguesia de Briteiros (São Salvador), no concelho de Guimarães, distrito de Braga, a cerca de 15 km a noroeste do centro da cidade.
- Quem descobriu e escavou a Citânia de Briteiros?
- As escavações sistemáticas foram iniciadas em 1875 por Francisco Martins Sarmento, cujo trabalho tornou o povoado uma referência da arqueologia castreja. O sítio é hoje gerido pela Sociedade Martins Sarmento.
- De que época é a Citânia de Briteiros?
- O apogeu do povoado situa-se nos dois últimos séculos a.C., na Idade do Ferro, mas a ocupação prolongou-se pelo período romano, perdurando vestígios até à Idade Média.