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Monumentos
Charola do Convento de Cristo
A Charola do Convento de Cristo, em Tomar, é a rotunda templária do século XII, oratório de planta centrada e núcleo originário do conjunto monumental.
- Localização
- Tomar, Santarém
- Construção
- c. 1160–1250
- Estilo
- Românico e tardo-românico, com reconfiguração manuelina
No interior do perímetro amuralhado do castelo de Tomar, no distrito de Santarém, ergue-se a Charola, a igreja em rotunda que constitui o núcleo originário do Convento de Cristo. Trata-se de um dos mais raros e emblemáticos templos de planta centrada da Europa medieval, concebido pelos Cavaleiros do Templo como oratório privativo e, ao que tudo indica, com prováveis funções sepulcrais. Foi a partir deste corpo octogonal que se desenvolveu, ao longo de quase cinco séculos, todo o restante conjunto monumental.
A rotunda templária
A Charola foi erguida na segunda metade do século XII, no contexto da fundação do castelo por Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, a partir de 1160. A construção fez-se em campanhas sucessivas, atravessando o limiar entre o românico e o gótico, prolongando-se até meados do século XIII. O resultado é um edifício de notável engenho: um deambulatório poligonal, com dezasseis faces no exterior, envolve um corpo octogonal central, a chamada charola-mor, ligado à galeria envolvente por arcos.
A planta circular não era arbitrária. Evocava as grandes rotundas do Oriente — a Rotunda do Santo Sepulcro, em Jerusalém, e a Cúpula do Rochedo, então identificada com o Templo de Salomão —, modelos que as ordens religioso-militares procuravam reproduzir como afirmação simbólica da sua missão. Sobre o octógono central assenta uma abóbada de ogivas cruzadas, enquanto o deambulatório é coberto por abóbada de berço.
O programa pictórico quinhentista
A fisionomia que hoje se admira no interior deve-se, em larga medida, à profunda reconfiguração ocorrida no século XVI. Sob D. Manuel I, o arquiteto João de Castilho rasgou, por volta de 1515, um arco triunfal que reorientou o acesso e ligou a velha rotunda templária a uma nova nave, transformando a Charola em capela-mor de uma igreja manuelina. Esta intervenção trouxe consigo um dos mais ricos programas decorativos do seu tempo.
As paredes e os suportes receberam um vasto conjunto de pinturas, esculturas e talha dourada que conferem ao espaço um carácter cenográfico raro. Atribui-se a Jorge Afonso a direção das grandes tábuas pintadas com cenas da Vida e Paixão de Cristo; a Olivier de Gand cabe a estatuária em madeira; e a Fernão Anes as pinturas murais com os instrumentos da Paixão, no tambor central. As abóbadas do deambulatório foram cobertas de motivos a fresco — nervuras, cordas entrelaçadas, troncos de árvore, animais — num conjunto de extraordinária densidade visual.
Significado e classificação
A Charola condensa, num só espaço, a passagem da austeridade fortificada dos Templários ao fausto da Ordem de Cristo na época dos Descobrimentos. Esta estratificação coloca-a entre os exemplos maiores da arquitetura portuguesa, ao lado de monumentos como o Mosteiro da Batalha, e dialoga diretamente com as campanhas renascentistas posteriores, visíveis no Claustro de D. João III.
O Convento de Cristo foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 1983. A Charola, como peça mais antiga e singular do conjunto, sustenta boa parte do valor universal excecional reconhecido pela inscrição, sendo um testemunho ímpar do encontro entre arquitetura, devoção e memória das ordens militares em Portugal.
Perguntas frequentes
- O que é a Charola do Convento de Cristo?
- É a igreja em rotunda templária de Tomar, um oratório de planta centrada erguido na segunda metade do século XII. Constitui o núcleo originário do Convento de Cristo, em torno do qual cresceu todo o restante conjunto.
- Quem mandou construir a Charola?
- Foi edificada pelos Cavaleiros do Templo, no contexto da fundação do castelo por Gualdim Pais a partir de 1160, durante o reinado de D. Afonso Henriques.
- Porque tem a Charola uma planta circular?
- A planta centrada evoca as rotundas do Oriente, em particular o Santo Sepulcro de Jerusalém e a Cúpula do Rochedo, então identificada com o Templo de Salomão, modelos caros às ordens religioso-militares.
Fontes
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