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Claustro de D. João III (Tomar)

O Claustro de D. João III, no Convento de Cristo em Tomar, obra-prima do Maneirismo europeu projetada por Diogo de Torralva e concluída por Filipe Terzi.

Claustro de D. João III (Tomar)
Palickap, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

No coração do Convento de Cristo, em Tomar (distrito de Santarém), o Claustro de D. João III é uma das mais altas realizações da arquitetura portuguesa do século XVI. Encostado à fachada sul da nave manuelina da igreja conventual, distingue-se da exuberância decorativa que o rodeia por uma serenidade clássica, sóbria e rigorosamente calculada. É frequentemente apontado como o ponto de chegada do Maneirismo em Portugal e uma referência da própria história da arquitetura europeia.

Da demolição de Castilho ao traço de Torralva

A história do claustro é também a história de uma mudança de gosto. Sob o reinado de D. Manuel I e de D. João III, o convento conhecera o florescimento do Manuelino, de que a célebre Janela do Capítulo é o ícone maior. Foi nesse espírito que João de Castilho iniciou, a partir de 1533, um primeiro claustro principal. Por razões que as fontes ligam a problemas construtivos, D. João III ordenou a sua demolição em maio de 1554.

A tarefa de o reconstruir coube a Diogo de Torralva, nomeado mestre das obras nesse mesmo ano. Torralva concebeu uma obra inteiramente nova, de matriz renascentista e maneirista, em rutura com a gramática manuelina anterior. A campanha prolongou-se por décadas: o pano norte ficou encerrado em 1562, os trabalhos abrandaram em meados da década de 1560 e o remate — cornija e balaustrada — só foi concluído cerca de 1591, já sob domínio filipino, pela mão do arquiteto Filipe Terzi.

Uma lição de classicismo

O claustro desenvolve-se em dois pisos sobrepostos, de planta quadrada com os ângulos cortados, onde se alojam discretas escadas de caracol que ligam os níveis. A composição assenta na sobreposição erudita das ordens clássicas — dórica no piso inferior, jónica no superior —, articulada por janelas serlianas, com o seu vão central em arco ladeado por dois vãos arquitravados. Este motivo, divulgado pelos tratados de Sebastiano Serlio, confere às galerias um ritmo alternado de cheios e vazios.

A pedra calcária, de tom quente, contrasta com planos recuados em mármore escuro, jogo que reforça a leitura plástica das fachadas e a sua transparência luminosa. Ao centro do recinto, uma fonte da autoria de Pedro Fernandes de Torres completa o conjunto. O resultado é uma arquitetura de medida e proporção, que abandona o ornamento profuso em favor da clareza estrutural.

Lugar no conjunto monumental

O Claustro de D. João III integra o Convento de Cristo, classificado Monumento Nacional desde 1910 e inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 1983. Dentro de um sítio que reúne quase cinco séculos de história — da Charola românica dos Templários à exuberância manuelina —, o claustro maneirista representa o momento em que a arquitetura portuguesa absorveu plenamente os princípios do Renascimento italiano, adaptando-os a um programa de raiz nacional. Visitá-lo é compreender como, em Tomar, conviveram em harmónica tensão a memória medieval e a erudição clássica.

Perguntas frequentes

Quem projetou o Claustro de D. João III?
O traço maneirista que hoje se vê deve-se a Diogo de Torralva, nomeado mestre das obras em 1554. Substituiu um claustro anterior iniciado por João de Castilho e mandado demolir. A obra foi rematada por Filipe Terzi, já no reinado de Filipe I.
Porque é também chamado Claustro Principal ou Claustro dos Filipes?
Designa-se Claustro Principal por ser o maior do convento e organizar a vida regular da comunidade. É por vezes chamado Claustro dos Filipes porque o seu remate, com a cornija e a balaustrada, decorreu já sob a dinastia filipina, no fim do século XVI.
Que estilo arquitetónico representa o claustro?
É considerado uma das obras-primas do Maneirismo em Portugal e na Europa. Revela um domínio erudito da linguagem clássica, com ordens dórica e jónica sobrepostas e janelas serlianas inspiradas nos tratados de Sebastiano Serlio.

Fontes

  1. Wikipédia — Claustro de D. João III
  2. Direção-Geral do Património Cultural — Convento de Cristo