Monumentos
Mosteiro de Santa Clara-a-Nova (Coimbra)
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, é um cenóbio maneirista do século XVII que guarda o túmulo da Rainha Santa Isabel sobre a colina do Mondego.
No alto da colina da margem esquerda do Mondego, dominando a cidade de Coimbra, ergue-se o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. Construído no século XVII, nasceu de uma necessidade prática e de um propósito devocional: dar abrigo seguro à comunidade de clarissas que, durante quase quatro séculos, lutara em vão contra as águas que inundavam o seu antigo cenóbio em baixo, na várzea ribeirinha.
Da ruína à colina
A vida das freiras no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha tornara-se insustentável. As cheias periódicas do Mondego cobriam progressivamente o edifício gótico de lama, obrigando a comunidade a viver em pisos sucessivamente elevados. A decisão de transferir o convento para terreno alto e seco impôs-se como inevitável.
As obras começaram em 1649, segundo projeto do frade beneditino João Torriano, engenheiro-mor do reino e professor de Matemática na Universidade. O novo mosteiro adotou uma planimetria sóbria e ordenada, com clara preferência por linhas retas e volumes contidos, dentro da estética maneirista que dominava a arquitetura religiosa portuguesa do período. A igreja foi consagrada em 1696, ano em que a comunidade ali se instalou de forma definitiva. O imponente claustro principal só viria a ser concluído já no século XVIII.
O túmulo da Rainha Santa Isabel
A transferência teve um momento central: o transporte dos restos mortais da Rainha Santa Isabel de Aragão, esposa de D. Dinis e principal protetora das clarissas de Coimbra. A rainha, falecida em 1336 e canonizada em 1625, fora sepultada no mosteiro velho, e o seu culto era já um dos mais vivos do reino.
No novo templo, o seu corpo foi colocado numa urna de prata e cristal sobre o altar-mor, onde permanece como destino de peregrinação. O túmulo gótico original — atribuído ao Mestre Pero e lavrado num único bloco de pedra por encomenda da própria rainha — foi instalado no coro baixo das freiras, acompanhado por painéis de madeira policromada que narram episódios da sua vida. O conjunto faz do mosteiro um verdadeiro santuário da Rainha Santa, papel reforçado pelas festas que, de dois em dois anos, lhe são dedicadas na cidade.
Significado e classificação
O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova integra-se na rede de grandes casas monásticas que marcaram a paisagem religiosa de Coimbra, ao lado do Mosteiro de Santa Cruz e das instituições associadas à Universidade. Classificado como Monumento Nacional em 1910, foi durante séculos ocupado pela comunidade clarissa até à morte da última freira, em 1891, passando depois a estar associado à Confraria da Rainha Santa Isabel.
Parte das suas dependências serviu longamente fins militares, mas o conjunto conserva o interesse do seu património artístico, dos retábulos de talha aos azulejos, e o estatuto de principal lugar de memória da Rainha Santa. Faz hoje parte do roteiro dos grandes mosteiros portugueses, oferecendo ainda, do seu adro, uma das mais amplas panorâmicas sobre a cidade do Mondego.
Perguntas frequentes
- Porque foi construído o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova?
- Foi erguido a partir de 1649, no alto da colina de Santa Clara, para acolher a comunidade de freiras clarissas que abandonava o antigo mosteiro de Santa Clara-a-Velha, então arruinado pelas cheias recorrentes do rio Mondego.
- Onde está sepultada a Rainha Santa Isabel?
- O corpo da Rainha Santa Isabel encontra-se na igreja do mosteiro, numa urna de prata e cristal colocada sobre o altar-mor desde 1696. O seu túmulo gótico original, em pedra, conserva-se no coro baixo.
- Quem foi o autor do projeto?
- O projeto inicial deve-se ao frade beneditino João Torriano, engenheiro-mor do reino e professor de Matemática na Universidade de Coimbra. O grande claustro foi mais tarde concluído já no século XVIII.