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Igreja e Convento de São Gonçalo (Amarante)

Igreja e Convento de São Gonçalo, em Amarante: conjunto renascentista e barroco sobre o Tâmega, com a Varanda dos Reis e o túmulo de São Gonçalo.

Igreja e Convento de São Gonçalo (Amarante)
Carlos de Figueiredo, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

À beira do rio Tâmega, na cidade de Amarante, o conjunto da Igreja e Convento de São Gonçalo é um dos marcos mais reconhecíveis do norte de Portugal. A sua silhueta — fachada compacta de granito, cúpula azulejada e a famosa varanda escultórica voltada à ponte — fixou-se no imaginário coletivo da região, onde o santo titular é venerado como protetor dos casamentos e padroeiro local.

Fundação régia e um santo medieval

A decisão de erguer o cenóbio coube a D. João III e à rainha D. Catarina de Áustria, em 1540, sobre um local onde, segundo a tradição, já existira uma ermida fundada no século XIII por São Gonçalo de Amarante. Beato dominicano, Gonçalo terá vivido como eremita junto ao Tâmega, e a memória da sua devoção popular justificou que a coroa confiasse o novo convento à Ordem dos Pregadores. As obras iniciaram-se em 1543 e o essencial do edifício estava concluído antes de 1600, já no reinado dos Filipes.

A longa duração do estaleiro — quase seis décadas — fez de São Gonçalo um raro mostruário, num só edifício, da passagem do Renascimento ao Maneirismo e, depois, ao Barroco.

Uma fachada que conta a história da arte portuguesa

A frente lateral, virada ao rio e à cidade de Amarante, é a peça mais célebre do conjunto. Estrutura-se como um grande portal-retábulo de três registos sobrepostos: o inferior, de gramática renascentista; o intermédio, já maneirista; e o superior, barroco. Sobre ele abre-se a chamada Varanda dos Reis, galeria com as estátuas de D. João III, D. Sebastião, D. Henrique e Filipe II de Espanha — os monarcas que reinaram durante a edificação do templo. Esta sequência dinástica esculpida em pedra, iniciada em 1683, é simultaneamente ornamento e documento político, afirmando a continuidade régia sobre o padroado conventual.

O interior, de nave única e abóbada de berço, guarda no transepto direito o túmulo do santo, alvo de peregrinação secular. Destaca-se também o órgão de tubos construído em 1766 pelo organeiro galego de Braga Francisco António Solha, objeto de um restauro integral concluído por volta de 2010.

O claustro, o convento e o destino moderno

Anexo à igreja desenvolve-se o claustro, levantado entre 1586 e 1606, com fonte central atribuída a Mateus Lopes — um espaço sereno que contrasta com a exuberância da fachada ribeirinha. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o convento dominicano foi suprimido e as suas dependências mudaram de função ao longo do tempo. Hoje, a igreja é a matriz da cidade e parte do antigo cenóbio acolhe o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, dedicado ao pintor modernista natural da região.

A Igreja e o claustro de São Gonçalo estão classificados como Monumento Nacional desde 1910. O conjunto inscreve-se numa rede de arquitetura religiosa nortenha que abrange desde a austeridade românica da Igreja de São Martinho de Mouros até à monumentalidade beneditina do Mosteiro de Pombeiro, passando pelas linguagens da pintura renascentista portuguesa e, mais tarde, do barroco joanino que renovou tantos interiores do país. Em São Gonçalo, todas essas correntes parecem coexistir, sobrepostas pela mão paciente de gerações de canteiros sobre as margens do Tâmega.

Perguntas frequentes

Quando foi construída a Igreja de São Gonçalo de Amarante?
A construção arrancou em 1543, por decisão de D. João III e da rainha D. Catarina de Áustria tomada em 1540, e o essencial do conjunto estava concluído antes de 1600. Campanhas posteriores, como a do portal e da Varanda dos Reis, prolongaram-se até ao século XVII.
Onde está o túmulo de São Gonçalo?
O túmulo de São Gonçalo de Amarante encontra-se numa capela do lado direito do altar-mor. A tradição popular atribui-lhe poderes casamenteiros, e os devotos costumam tocar ou beijar a arca tumular.
A igreja ainda pertence aos frades dominicanos?
Não. O convento dominicano foi extinto na sequência da supressão das ordens religiosas em 1834. A igreja serve hoje de matriz de Amarante e parte das dependências conventuais acolhe o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso.

Fontes

  1. Igreja e Convento de São Gonçalo — Wikipédia
  2. SIPA — Convento de São Gonçalo de Amarante