Monumentos
Igreja de São João Evangelista (Évora)
A Igreja de São João Evangelista (Lóios), em Évora, templo gótico revestido de azulejos azuis e brancos de António de Oliveira Bernardes, no centro histórico…
A Igreja de São João Evangelista, conhecida desde sempre como Igreja dos Lóios, ergue-se na Praça do Conde de Vila Flor, no coração do centro histórico de Évora, frente ao Templo Romano. Templo de fundação tardo-medieval, deve a sua celebridade ao deslumbrante revestimento azulejar setecentista que cobre a nave, considerado uma das obras-primas da azulejaria portuguesa.
Fundação e os cónegos lóios
A igreja foi mandada erguer em 1485 por D. Rodrigo Afonso de Melo, 1.º conde de Olivença e primeiro governador de Tânger, que a destinou a panteão da sua casa. A primeira pedra terá sido lançada a 6 de maio desse ano e o templo foi sagrado em 1491. Foi confiado à Congregação dos Cónegos Seculares de São João Evangelista — os chamados Lóios ou eremitas azuis —, instituto religioso fundado em Lisboa no século XV cujo convento se anexou à igreja.
O edifício implantou-se sobre vestígios do antigo castelo medieval de Évora, e a fachada conserva um portal gótico de arco quebrado, com elementos flamejantes, que contrasta com a sobriedade do alçado. A nave única, coberta por abóbada de nervuras, segue ainda o vocabulário gótico, embora obras posteriores lhe tenham acrescentado camadas maneiristas e barrocas.
Os azulejos de Oliveira Bernardes
O interior é integralmente forrado de azulejos azuis e brancos, encomendados por D. Nuno Álvares Pereira de Melo, 1.º duque de Cadaval, ao mestre António de Oliveira Bernardes e datados de 1711. Os grandes painéis narram a vida de São Lourenço Justiniano, primeiro patriarca de Veneza, e constituem um dos conjuntos mais monumentais e expressivos saídos da oficina do pintor, figura central do chamado ciclo dos grandes mestres da azulejaria barroca.
Em poucos lugares do país a pintura de azulejo atinge esta escala teatral: as cenas, povoadas de figuras de gesto vivo e perspetivas profundas, transformam as paredes da nave numa autêntica galeria narrativa, indissociável da liturgia do espaço.
Este programa decorativo integra-se na grande tradição do azulejo azul e branco que dominou o gosto português entre finais de Seiscentos e o primeiro quartel do século XVIII. Sob o pavimento da igreja abrem-se grelhas que revelam uma cisterna de raiz islâmica e um ossário com restos dos antigos cónegos — testemunhos da longa vida monástica do lugar.
Do terramoto à Casa de Cadaval
O terramoto de 1755 danificou gravemente o conjunto, sobretudo o convento contíguo, que foi reconstruído ao longo da segunda metade do século XVIII. A igreja conservou, porém, o seu núcleo gótico e os azulejos setecentistas. Acolhe os túmulos dos fundadores e de várias figuras da nobreza eborense, entre as quais D. Rui de Sousa, embaixador ao reino do Congo.
Hoje a igreja permanece propriedade privada da Casa de Cadaval, que ocupa o palácio anexo, enquanto o antigo Convento dos Lóios foi adaptado a pousada. O conjunto está classificado como Monumento Nacional e integra o Centro Histórico de Évora, inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 1986. A poucos passos erguem-se a Sé de Évora e a Igreja de São Francisco, que completam o roteiro monumental da cidade.
Perguntas frequentes
- Quem fundou a Igreja de São João Evangelista de Évora?
- Foi fundada em 1485 por D. Rodrigo Afonso de Melo, 1.º conde de Olivença e primeiro governador de Tânger, destinada a panteão da sua família e entregue aos cónegos seculares de São João Evangelista, os Lóios. Foi sagrada em 1491.
- Quem pintou os azulejos da igreja?
- Os grandes painéis azuis e brancos que revestem a nave são da autoria do mestre António de Oliveira Bernardes, datados de 1711, e figuram episódios da vida de São Lourenço Justiniano, patriarca de Veneza.
- A Igreja dos Lóios pode visitar-se?
- Sim. A igreja é propriedade privada da Casa de Cadaval, mas está aberta a visitas, junto ao antigo Convento dos Lóios, hoje pousada, no centro histórico de Évora.