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Igreja de Vila Boa do Bispo

Igreja de Vila Boa do Bispo, em Marco de Canaveses: antigo mosteiro com couto de 1141, cónegos de Santo Agostinho, vestígios românicos e túmulos medievais.

Perguntas frequentes Fontes
Igreja de Vila Boa do Bispo vista do adro, com a torre sineira caiada e remates em cantaria, o corpo da igreja de telhado de quatro águas e os edifícios do antigo mosteiro à esquerda
Pedro from Maia (Porto), Portugal, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses, Porto
Construção
Séculos XII–XIII (vestígios românicos); grande transformação barroca nos séculos XVII–XVIII

A Igreja de Vila Boa do Bispo é a igreja do antigo Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo, numa encosta da margem esquerda do Tâmega, no concelho de Marco de Canaveses. A Rota do Românico, que a integra desde 2010, fala de uma monumentalidade que se explica pela importância do mosteiro na Idade Média e na Época Moderna, ligado à linhagem dos Gascos (ou Ribadouros). O que se vê hoje é um conjunto muito transformado, em que os vestígios românicos convivem com um interior barroco.

Do século XI à carta de couto

A tradição, citada pela Rota, atribui a fundação ao tempo de D. Sisnando (c. 990–1022), irmão de Monio Viegas. A primeira referência documental ao «Monasterio S. Mariae Villaebonae» é de 1012, e uma inscrição funerária de 1022, gravada numa tampa de sarcófago achada no claustro, refere D. Monio Viegas e dois filhos, D. Egas Moniz e D. Gomes Moniz.

A 12 de fevereiro de 1141, o prior D. Egas, o irmão D. Monio e os monges receberam de D. Afonso Henriques a carta de couto. Em 1143 já se refere a presença de cónegos regrantes de Santo Agostinho; um breve de Lúcio II (1144–1145) permitiu aos priores usar mitra e uma bula de Anastácio IV (1153–1154) acrescentou-lhes o báculo. Em 1297, Bonifácio VIII confirmou a regra de Santo Agostinho. A comenda começou em 1475 e terminou em meados do século XVI; em 1593 o mosteiro foi integrado na Congregação de Santa Cruz de Coimbra.

O que sobrevive do românico

Na fachada principal destacam-se as duas arcadas cegas que ladeiam o portal, muito originais e com uma composição típica do românico do eixo Braga–Rates, segundo a Rota. Estes e outros elementos dispersos situam a construção românica entre os séculos XII e XIII. Pela presença de contrafortes, é provável que a primitiva capela-mor fosse quadrangular e abobadada.

Outra memória medieval são os túmulos, que atestam enterramentos nos séculos XIII e XIV e ligam o mosteiro à nobreza da região. A cronologia da Rota refere, entre outros, o túmulo de D. Salvado Pires, o de D. Nicolau Martins (prior, inscrição de 25 de novembro de 1348) e o de D. Júrio Geraldes (com inscrição de 30 de janeiro de 1381), mordomo-mor de D. Fernando para Entre-Douro-e-Minho, que encomendou os dois últimos à mesma oficina. Os túmulos estão incluídos na designação da classificação.

A transformação moderna

O edifício foi profundamente alterado na Época Moderna: a Rota situa a transformação do templo românico na segunda metade do século XVII, com uma sacristia possivelmente de 1686, e uma intervenção barroca no interior na primeira metade do século XVIII. Registam-se azulejos no batistério (1650–1660) e na capela-mor (1740). Segundo as Memórias Paroquiais, em 1758 o edifício já teria o aspeto que hoje se vê. A torre foi desmontada e reconstruída entre 1882 e 1888.

O interior é marcado pelo espírito barroco: a Rota fala de um espaço luminoso e monumental, obtido com várias técnicas e materiais. Sob o teto de caixotões da capela-mor foi identificado um conjunto de pinturas murais que a Rota atribui ao século XVI, ligadas à cultura dos cónegos regrantes; a cronologia da mesma fonte regista, em 2012, uma intervenção na abóbada que revelou uma pintura mural seiscentista, depois de retirado o teto. A datação das pinturas deve, por isso, ser lida com reserva.

Classificação

A igreja, incluindo os túmulos, é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 129/77, de 29 de setembro de 1977 (Diário da República, I série, n.º 226). O mesmo decreto classificou o Mosteiro de Vila Boa do Bispo (a área do antigo mosteiro) como Imóvel de Interesse Público, segundo o Atlas do Património Classificado. Não integra nenhuma inscrição da UNESCO. Desde 1997 houve obras de recuperação dos rebocos interiores e exteriores, de acordo com a Rota.

Preparar a visita

Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Rota do Românico indicava visita mediante marcação, missa aos domingos às 11h30 e o monumento como não acessível a pessoas com mobilidade reduzida. A morada indicada é a Avenida Padre António da Cunha Machado, em Vila Boa do Bispo, e a marcação faz-se pelos contactos da Rota (+351 255 810 706 ou +351 918 116 488, [email protected]). Confirme no site da Rota do Românico antes de ir.

Para ver o conjunto de que faz parte, consulte a Rota do Românico. No mesmo concelho ficam a Igreja de Vila Boa de Quires e a Igreja de Santo Isidoro, e, no concelho vizinho de Amarante, o Mosteiro de Travanca, também ligado à linhagem dos Gascos.

Fotografia de Pedro from Maia (Porto), Portugal, de 14 de fevereiro de 2009. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

A Igreja de Vila Boa do Bispo é românica?
Em parte. A Rota do Românico situa os elementos românicos que subsistem entre os séculos XII e XIII, como as duas arcadas cegas que ladeiam o portal da fachada principal, mas o edifício foi profundamente alterado na Época Moderna e o interior é de espírito barroco.
Porque se chama «do Bispo»?
O nome aparece como «Villa Bona Episcopi» em documentos de 1141, quando D. Afonso Henriques concedeu ao mosteiro carta de couto. As fontes consultadas não explicam a origem do nome.
Qual é a classificação?
A igreja, incluindo os túmulos, é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 129/77, de 29 de setembro de 1977 (Diário da República, I série, n.º 226). O mesmo decreto classifica o Mosteiro de Vila Boa do Bispo como Imóvel de Interesse Público.
Posso visitá-la?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Rota do Românico indicava visita mediante marcação, missa aos domingos às 11h30 e o monumento como não acessível a pessoas com mobilidade reduzida.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3644 e 3649)
  2. Diário da República — Decreto n.º 129/77, de 29 de setembro (I série, n.º 226)
  3. Rota do Românico — Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo
  4. Rota do Românico — Roteiro: Mosteiro de Vila Boa do Bispo (guia em PDF)
  5. Wikidata — Igreja de Vila Boa do Bispo (Q48871683)

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