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Monumentos
Igreja de São Gens de Boelhe
Igreja de São Gens de Boelhe, em Penafiel: igreja românica do século XIII, de nave única e portal com quadrifólios, restaurada no século XX; Monumento Nacional.
- Localização
- Boelhe, Penafiel, Porto
- Construção
- Século XIII; restauro profundo no século XX
A Igreja de São Gens de Boelhe fica no povoado de Boelhe, no concelho de Penafiel, junto à igreja paroquial. É uma igreja pequena, de nave única, que a Rota do Românico considera um dos exemplos mais belos do românico das terras do Tâmega e Sousa. Muito do que se vê resulta, porém, de um restauro do século XX, e é com essa ressalva que convém lê-la. Está na Rota do Românico.
Uma igreja do século XIII
O registo do Património Cultural, I.P. descreve a igreja como uma construção de época românica que remonta ao século XIII. A Rota do Românico precisa que foi construída em meados ou na segunda metade desse século. A tradição atribui a fundação à filha de D. Sancho I, a infanta D. Mafalda, ou à avó desta, a rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques; a própria Rota apresenta-o como tradição. O registo oficial regista ainda as designações Igreja Paroquial de Boelhe e «Igreja Velha».
Planta e fachadas
A planta é longitudinal: nave única e capela-mor mais baixa, articuladas por um arco triunfal de volta perfeita. A diferença de alturas explica-se pelo que o registo descreve: a capela-mor mais baixa permite abrir um óculo na parede fundeira da nave, sobre o arco triunfal.
A fachada principal tem um portal de arco apontado com três arquivoltas decoradas com quadrifólios, assentes em impostas e em colunas de bases bolbiformes e capitéis decorados. Segundo a Rota, os capitéis têm palmetas biseladas e círculos preenchidos por cruzes, que lembram os primeiros símbolos cristãos. Por cima do portal abre-se uma fresta e, à direita, sobre a empena, ergue-se a sineira. Os volumes exteriores são percorridos por uma cachorrada de motivos variados; na fachada norte, os modilhões apresentam temas que vão de cabeças de touro a homens a carregar pedras. Nos alçados laterais, a nave é aberta por portas encimadas por frestas.
As paredes destacam-se pela qualidade da construção. A Rota nota, na pedra, siglas geométricas e alfabéticas que representam a assinatura dos canteiros. O portal lembra os de São Vicente de Sousa, do Salvador de Unhão e de Santa Maria de Airães, igrejas de Felgueiras. O interior é de grande depuração: o registo só assinala o arco triunfal, com impostas salientes.
O restauro do século XX
O aspeto atual é, segundo a Rota, o resultado de um restauro profundo entre 1929 e 1948. A sua cronologia regista o início das obras em 1928; entre 1930 e 1932, a reconstrução de paredes, cornija e sineira e o desmonte da torre sineira; em 1935 a transferência do pano posterior da capela-mor para a posição original; e em 1950 o desmonte de toda a fachada sul, reposicionando os elementos nos seus lugares, a reconstrução da sineira e a reabertura da porta lateral da nave. A mesma cronologia refere obras de conservação em 1971 e 1986, a entrada na Rota do Românico em 1998, intervenções em 2003 (com acompanhamento arqueológico no adro) e obras em 2015. O monumento é, assim, uma obra medieval em grande parte reconstituída, o que não lhe retira interesse mas pede prudência quando se tenta distinguir o que é original.
Classificação
É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 14 425, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 228, de 15 de outubro de 1927. Uma portaria de 27 de dezembro de 1950, publicada no Diário do Governo, II série, n.º 15, de 18 de janeiro de 1951, fixou a zona de proteção, com zona non aedificandi. A igreja não integra nenhuma inscrição da UNESCO.
Preparar a visita
A igreja fica no Largo da Igreja, em Boelhe. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Rota do Românico indicava visita mediante marcação, não indicava horário de missas para este monumento e dava-o como não acessível a pessoas com mobilidade reduzida. O padroeiro, São Gens, é celebrado a 25 de agosto. Confirme as condições na página oficial da Rota (rotadoromanico.com). Para o enquadramento do estilo, veja a arquitetura românica em Portugal e o Mosteiro de Paço de Sousa, o grande mosteiro românico da região. O território está tratado na página do Norte.
Fotografia de Henrique Matos, de 2006. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.5; comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi construída a Igreja de São Gens de Boelhe?
- O registo do Património Cultural, I.P. descreve-a como uma construção de época românica que remonta ao século XIII, e a Rota do Românico situa a obra em meados ou na segunda metade desse século. A tradição atribui a fundação à infanta D. Mafalda, filha de D. Sancho I, ou à sua avó, a rainha D. Mafalda; a Rota apresenta-o apenas como tradição.
- O que é original e o que foi restaurado?
- O edifício atual resulta de um restauro profundo no século XX. Segundo a Rota do Românico, as obras decorreram entre 1929 e 1948, com desmontagem e reconstrução de paredes, cornija e sineira, e uma campanha em 1950 que reposicionou os elementos da fachada sul. Convém por isso ler o aspeto atual como obra medieval muito reconstituída.
- Pode visitar-se?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Rota do Românico indicava visita mediante marcação e que o monumento não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida.
- Qual é a classificação?
- Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 14 425, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 228, de 15 de outubro de 1927. Uma portaria de 27 de dezembro de 1950 fixou a zona de proteção, com zona non aedificandi.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Igreja de São Gens de Boelhe (70687)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3686)
- Diário do Governo — Decreto n.º 14 425, de 15 de outubro de 1927 (I série, n.º 228)
- Rota do Românico — Igreja de São Gens de Boelhe
- Wikidata — Igreja de São Gens de Boelhe (Q10300743)
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