Lugares
Montemor-o-Velho
Montemor-o-Velho, vila do distrito de Coimbra dominada por um vasto castelo medieval sobre o vale do Mondego, terra de arroz, pastéis de Tentúgal e remo.
Recostada na margem direita do rio Mondego, a vila de Montemor-o-Velho ergue-se aos pés de um dos mais extensos castelos medievais de Portugal. A silhueta da fortaleza, alongada sobre o cabeço que domina a planície aluvial, tornou-se a imagem desta terra do distrito de Coimbra, na região Centro, onde a história militar da Reconquista se cruza com uma paisagem rural de campos de arroz e canais.
O topónimo deriva do latim Mons Maior, o monte maior, e o qualificativo o-Velho distingue-a de Montemor-o-Novo, no Alentejo, fundada séculos depois. O concelho, com cerca de 24 500 habitantes, abrange onze freguesias, entre as quais Tentúgal, célebre pelos seus pastéis conventuais.
Fronteira do Mondego
A posição de Montemor-o-Velho explica-se pela geografia: junto à foz histórica do Mondego, controlava o acesso fluvial ao interior beirão e à própria Coimbra. Durante os séculos da Reconquista, o rio fez de fronteira movediça entre o mundo cristão a norte e o muçulmano a sul, e o sítio mudou de mãos repetidas vezes. Em 848 foi reconquistado por Ramiro I das Astúrias; em 990 caiu de novo perante as hostes de Almançor; só com a tomada definitiva de Coimbra, em 1064, por Fernando Magno, se firmou no campo cristão, ficando o castelo entregue ao conde moçárabe Sesnando Davides.
A linha de castelos do baixo Mondego — Soure, Penela, Montemor — foi o cordão defensivo que permitiu fixar a fronteira antes da fundação de Portugal, fazendo desta vila uma sentinela avançada do território condal.
A consolidação medieval traduziu-se na concessão de forais: o primeiro no início do século XIII e, mais tarde, o foral novo outorgado por D. Manuel I em 1516, que documenta a vitalidade da vila quinhentista. O grande castelo de Montemor-o-Velho, com o seu recinto amuralhado pontuado de torres e a anexa Igreja de Santa Maria da Alcáçova, classificado como Monumento Nacional em 1910, é o testemunho mais eloquente desse passado.
Terra de água e de arroz
A planície que se estende aos pés do castelo é uma das mais férteis do país. Os campos do baixo Mondego, drenados e regados ao longo de séculos, fizeram do arroz a cultura emblemática da região, a par do milho. Em torno da vila sobrevivem ainda os paúis de Arzila e do Taipal, zonas húmidas de grande valor ecológico onde nidificam aves aquáticas e se reproduzem peixes e anfíbios.
Foi este corredor fluvial e agrícola que deu a Montemor-o-Velho um lugar singular no panorama desportivo nacional. O Centro de Alto Rendimento de remo e canoagem, instalado num plano de água de dois quilómetros sobre o Mondego, acolheu provas internacionais e tornou-se base de treino das seleções portuguesas.
Património e memória
Para além do castelo, a vila guarda igrejas, solares e a memória de figuras nascidas no concelho, como o navegador e cronista Fernão Mendes Pinto, autor da Peregrinação, e Diogo de Azambuja, o capitão que dirigiu a construção da fortaleza de São Jorge da Mina, na costa africana. A proximidade a Coimbra integra Montemor-o-Velho num dos territórios mais densos de património da região Centro, entre castelos do Mondego, mosteiros e a tradição doceira conventual.
Hoje, Montemor-o-Velho vive entre a agricultura, o desporto náutico e um turismo cultural que tem no castelo o seu farol — palco de festivais e recriações que devolvem à colina o rumor das suas muralhas.
Perguntas frequentes
- Onde fica Montemor-o-Velho?
- Montemor-o-Velho é uma vila e sede de concelho do distrito de Coimbra, na região Centro, situada na margem direita do rio Mondego, a cerca de 25 km a oeste da cidade de Coimbra.
- O que visitar em Montemor-o-Velho?
- O ponto alto é o castelo medieval que coroa a colina sobre a vila, incluindo a Igreja de Santa Maria da Alcáçova. Vale ainda a pena percorrer a vila ribeirinha e provar os pastéis de Tentúgal.
- Por que se chama Montemor-o-Velho?
- O nome deriva de Mons Maior (monte maior). O qualificativo o-Velho distingue-a de Montemor-o-Novo, no Alentejo, fundada mais tarde.