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Mosteiro de Arouca

O Mosteiro de Arouca, mosteiro cisterciense feminino ligado à beata Mafalda, em Arouca, distrito de Aveiro, com notável coro e talha dourada barroca.

Mosteiro de Arouca
Mosteiro_arouca.jpg : Dafema derivative work: Rabanus Flavus, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

O Mosteiro de Arouca, ou Mosteiro de Santa Maria de Arouca, ergue-se no centro da vila de Arouca, no distrito de Aveiro, encaixado num vale serrano hoje integrado no Geopark de Arouca. As suas origens remontam à primeira metade do século X, quando uma pequena comunidade religiosa se instalou no local sob a invocação de São Bento de Núrsia. Ao longo de mais de um milénio, o cenóbio acompanhou as grandes transformações monásticas do território português, sendo classificado como Monumento Nacional desde 1910.

Da fundação à reforma de Cister

A casa monástica conheceu uma viragem decisiva no início do século XIII. Por volta de 1217, recolheu-se em Arouca Mafalda (c. 1195–1256), filha de D. Sancho I e neta de D. Afonso Henriques, brevemente rainha de Castela por um casamento anulado. A ela se associa a adesão da comunidade à reforma da Ordem de Cister, formalizada em 1226, que converteu o antigo mosteiro beneditino num cenóbio cisterciense feminino. Mafalda dedicou os seus últimos anos à vida religiosa e ao governo da casa; falecida em 1256, foi sepultada em Arouca e o seu culto consolidou-se ao longo dos séculos, culminando na beatificação em 1792.

O destino do mosteiro fundiu-se de tal modo com a memória da sua protetora régia que ainda hoje a vila guarda a sua figura como padroeira, e a urna que conserva os seus restos mortais permanece um dos centros devocionais do edifício.

A inserção na ordem cisterciense aproximou Arouca de uma extensa rede de casas reformadas, da qual o Mosteiro de Alcobaça constituiu a cabeça em Portugal. Como noutros mosteiros portugueses, a comunidade de Arouca organizou a sua vida em torno do silêncio, do trabalho e da oração coral.

A reconstrução barroca

O conjunto que hoje se observa resulta sobretudo de uma vasta campanha de obras iniciada no final do século XVII e prolongada por todo o século XVIII, marcada por um incêndio em 1725 que obrigou a refazer boa parte das dependências. Desta fase data a fisionomia maneirista e barroca da igreja, do claustro e das amplas alas conventuais, concebidas para uma comunidade numerosa.

No interior, destaca-se o coro das monjas, baixo e separado da nave por um arco, segundo uma disposição também encontrada em Lorvão e Cós. Aí se conserva um notável cadeiral de jacarandá com mais de uma centena de lugares, executado por volta de 1725 por mestres lisboetas, cujos espaldares em talha dourada integram pinturas com cenas da vida da beata Mafalda e de santos cistercienses. A profusão de talha dourada, que reveste o coro e o corpo da igreja, inscreve-se na linguagem do barroco joanino então dominante no Norte do país.

O órgão e o Museu de Arte Sacra

Por volta de 1741 concluiu-se a instalação de um grande órgão de tubos, colocado entre a igreja do povo e o coro das religiosas. Construído por um organeiro de Valladolid, com mais de mil tubos e mais de duas dezenas de registos, é tido pelos especialistas como um dos instrumentos mais relevantes da escola organística ibérica.

Após a extinção das ordens religiosas e o encerramento da vida monástica, parte do património móvel do mosteiro foi reunida no Museu de Arte Sacra, considerado um dos mais ricos da Península Ibérica no seu género. Reúne ourivesaria, paramentaria, escultura, pintura, manuscritos litúrgicos e mobiliário, testemunho da longa continuidade de uma comunidade que, por mais de oito séculos, fez de Arouca um dos grandes centros monásticos do Norte de Portugal.

Perguntas frequentes

Quem foi a beata Mafalda e qual a sua ligação a Arouca?
Mafalda (c. 1195–1256), filha de D. Sancho I, recolheu-se no mosteiro a partir de 1217. A ela se atribui a adesão da comunidade à Ordem de Cister, e o seu corpo permanece sepultado na igreja. Foi beatificada em 1792.
Quando o mosteiro adotou a regra cisterciense?
A comunidade, originalmente beneditina, adotou a reforma da Ordem de Cister em 1226, passando a funcionar como mosteiro cisterciense feminino.
O que se pode visitar no Mosteiro de Arouca atualmente?
A igreja barroca com a sua talha dourada e o coro das monjas, o cadeiral, o célebre órgão de tubos do século XVIII e o Museu de Arte Sacra, um dos mais ricos da Península Ibérica.

Fontes

  1. Mosteiro de Arouca — Wikipédia
  2. Rede de Mosteiros a Norte — Mosteiro de Santa Maria de Arouca
  3. SIPA / DGPC — Mosteiro de Arouca