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Mosteiro de São Bento de Cástris

Mosteiro de São Bento de Cástris, em Évora: o mais antigo cenóbio cisterciense feminino a sul do Tejo, célebre pelos azulejos, claustro e pintura mural.

Mosteiro de São Bento de Cástris
Diogo de Contreiras, Public domain — Wikimedia Commons

A noroeste de Évora, ao pé do Alto de São Bento e à margem de uma ribeira que durante séculos moveu os seus engenhos hidráulicos, ergue-se o Mosteiro de São Bento de Cástris. Casa monástica de longa duração e fisionomia recolhida, é o mais antigo mosteiro cisterciense feminino a sul do rio Tejo e um dos testemunhos mais completos da vida conventual no Alentejo. A sua arquitetura, modesta no exterior mas densa de história no interior, condensa quase sete séculos de campanhas construtivas sobrepostas.

Das origens à Ordem de Cister

A tradição faz remontar o lugar a uma ermida dedicada a São Bento, referida já no século XII e associada aos primeiros tempos da reconquista cristã de Évora. No último quartel desse século, D. Urraca Ximenes terá mandado erguer um cenóbio que, em 1274, obteve do papa Gregório X autorização para se integrar na regra e na Ordem de Cister. A data assinala a verdadeira fundação cisterciense da comunidade feminina, que se afirmaria como uma das mais relevantes instituições religiosas da região.

A casa não ficou alheia aos grandes acontecimentos do reino. Durante a crise dinástica de 1383-1385, o mosteiro foi palco de violência, tendo a abadessa sido morta em meio à convulsão que opôs partidários de Castela e do Mestre de Avis. Episódios como este lembram que estes claustros, longe de mundos isolados, eram nós da rede social e política do seu tempo.

Arquitetura e azulejo

O conjunto edificado cresceu por acumulação entre os séculos XIII e XVI, dominado por uma linguagem de gótico tardio com inflexões manuelinas. A igreja, de nave única, conserva abóbada de nervuras e é precedida por uma galilé. O claustro, de dois pisos, é a peça mais eloquente: as suas arcadas revelam soluções de épocas diferentes, lendo-se nelas a própria evolução do mosteiro.

No revestimento azulejar de São Bento de Cástris, a narrativa visual da vida de São Bernardo transforma os corredores conventuais num percurso devocional, em que a parede ensina e ora ao mesmo tempo.

É sobretudo pelo azulejo que o mosteiro se distingue. Painéis azuis e brancos, emoldurados por cercaduras polícromas, desenrolam episódios da vida de São Bernardo de Claraval, o grande mestre espiritual de Cister. A par dos azulejos, o refeitório guarda um ciclo de pintura mural atribuído a José de Escobar, datado dos inícios do século XVII, com representações dos meses e das estações — um raro testemunho da ornamentação dos espaços comunitários.

Da clausura ao presente

A vida religiosa extinguiu-se em 1890, com a morte da última freira, após a qual o edifício conheceu usos sucessivos, entre os quais escola agrícola e, durante décadas do século XX, instalações da Casa Pia. Classificado como Monumento Nacional desde 1922, foi objeto de campanhas de salvaguarda e investigação, com programas que procuraram devolver-lhe funções culturais, científicas e espirituais.

Hoje, o mosteiro integra-se nos itinerários do património monástico português e pode ser lido em diálogo com outras casas da ordem, percorríveis através das rotas de Cister em Portugal. Inserido no notável conjunto patrimonial eborense, próximo da Sé Catedral de Évora, constitui um capítulo essencial da história dos mosteiros e conventos do país, onde a austeridade cisterciense encontrou no Alentejo uma expressão própria e duradoura.

Perguntas frequentes

Onde fica o Mosteiro de São Bento de Cástris?
Situa-se a noroeste de Évora, ao pé do Alto de São Bento, na freguesia da Malagueira e Horta das Figueiras, distrito de Évora, no Alentejo.
Porque é importante este mosteiro?
É o mais antigo mosteiro cisterciense feminino a sul do rio Tejo, integrado na Ordem de Cister em 1274, e está classificado como Monumento Nacional desde 1922.
O que representam os azulejos do mosteiro?
Os painéis de azulejo azul e branco, com cercaduras polícromas, narram episódios da vida de São Bernardo de Claraval, figura central da espiritualidade cisterciense.

Fontes

  1. Convento de São Bento de Cástris — Wikipédia
  2. Mosteiro de São Bento de Cástris — Rota de Cister
  3. Convento de S. Bento de Cástris — Câmara Municipal de Évora