Arqueologia
Parque Arqueológico Subaquático da Baía de Angra
Parque Arqueológico Subaquático da Baía de Angra, na ilha Terceira, Açores: naufrágios da Carreira da Índia e o Cemitério das Âncoras, visitáveis em mergulho.
O Parque Arqueológico Subaquático da Baía de Angra ocupa o leito da baía que abre a sul da cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. Aberto ao público em 2006, é o primeiro parque do género em Portugal: um museu submerso onde os vestígios da navegação atlântica permanecem no lugar exato em que afundaram, podendo ser percorridos por mergulhadores em poucos metros de água.
Um porto de abrigo e de naufrágios
Desde o século XV que a baía de Angra serviu de escala obrigatória às frotas da Carreira da Índia e às rotas do Brasil, recolhendo navios carregados de ouro, prata, porcelana e especiarias antes da última etapa para a Europa. Protegida dos ventos dominantes de norte e nordeste pelo cone vulcânico do Monte Brasil, a baía era, contudo, vulnerável às tempestades de sul e sudoeste, que ao longo de séculos a transformaram num cemitério de embarcações.
Os registos documentam vestígios de cerca de 90 naufrágios ocorridos desde 1552, o que faz da baía um dos locais do mundo com maior concentração de naufrágios do período dos Descobrimentos. Entre os episódios mais dramáticos conta-se a tempestade de 1663, que terá destruído onze naus da carreira do Brasil num único temporal. Grande parte destes navios continua por localizar, e cerca de duas dezenas de sítios foram já identificados como tendo interesse arqueológico.
Poucos lugares condensam tão bem a dupla face de Angra: o porto que enriqueceu a navegação atlântica é também o arquivo, no fundo do mar, das suas perdas.
Os sítios visitáveis
No interior do parque delimitaram-se dois núcleos abertos ao turismo subaquático. O primeiro corresponde ao naufrágio do Lidador, vapor de transporte de passageiros e mercadorias que se afundou em 1878; os seus destroços assentam a cerca de sete metros de profundidade e a escassa distância da costa, o que os torna acessíveis mesmo a mergulhadores principiantes.
O segundo é o Cemitério das Âncoras, que se estende ao longo da vertente este do Monte Brasil, entre o Forte de São Benedito e a zona do farol, por cerca de quinhentos metros. Aí repousam várias dezenas de âncoras de tipos e épocas diversos, algumas com mais de três metros, abandonadas ou perdidas por navios fundeados desde o século XVI. O conjunto ilustra de forma direta a intensidade do tráfego marítimo que a baía conheceu.
Investigação e proteção
O reconhecimento científico da baía deu origem ao projeto PIAS, iniciado em 2006, dedicado ao estudo, monitorização e valorização dos sítios. A área integra-se na lógica de salvaguarda do centro histórico de Angra do Heroísmo, classificado pela UNESCO como Património Mundial, prolongando para debaixo de água a importância estratégica da cidade enquanto entreposto entre a Europa, a África e a Ásia.
Enquadrado nos princípios da arqueologia náutica e subaquática, o parque representa um modelo de conservação in situ: em vez de remover os vestígios para um museu em terra, mantém-nos no contexto original, conciliando a investigação com a fruição pública. Para quem visita os Açores, constitui uma das experiências mais singulares do arquipélago, e um dos exemplos mais relevantes da arqueologia portuguesa dedicada ao património cultural submerso.
Perguntas frequentes
- Onde fica o Parque Arqueológico Subaquático da Baía de Angra?
- Situa-se no fundo da baía de Angra do Heroísmo, na costa sul da ilha Terceira, Açores, junto à vertente oriental do Monte Brasil.
- É possível visitar o parque?
- Sim. Desde 2006 dois sítios delimitados, o vapor Lidador e o Cemitério das Âncoras, estão abertos ao mergulho recreativo acompanhado, a profundidades reduzidas.
- Quantos naufrágios existem na baía de Angra?
- Estão documentados vestígios de cerca de 90 naufrágios desde 1552, dos quais cerca de duas dezenas de sítios foram já identificados arqueologicamente.