Arqueologia
Penascosa
Penascosa, em Castelo Melhor, é o núcleo de arte rupestre mais visitado do Vale do Côa, com cavalos e auroques gravados no xisto há mais de vinte mil anos.
A Penascosa é um dos núcleos de arte rupestre mais célebres do Vale do Côa e o mais visitado do Parque Arqueológico, distinguindo-se pela densidade de rochas gravadas, pela visibilidade dos motivos picotados e pela beleza serena do lugar. Situa-se numa ampla praia fluvial da margem direita do rio Côa, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, em terras das freguesias de Castelo Melhor e Almendra, no distrito da Guarda. É a partir da aldeia de Castelo Melhor que se organizam as visitas a este conjunto, integrado no maior núcleo de arte paleolítica ao ar livre conhecido na Europa.
Um santuário na margem do Côa
As gravuras da Penascosa inscrevem-se na grande descoberta do Vale do Côa, anunciada publicamente em 1994 e que conduziu ao abandono da barragem prevista para o rio e à criação do parque arqueológico. Tal como na vizinha Canada do Inferno, os xistos da Penascosa foram trabalhados pelas comunidades de caçadores-recoletores do Paleolítico Superior, entre cerca de vinte e dois mil e dez mil anos antes da nossa era, abrangendo todas as fases da arte do vale, do Gravetense final ao Magdalenense.
A escolha de uma rocha junto à água, voltada à passagem dos animais, sugere que estes painéis não eram desenho casual mas lugar deliberado — um santuário ao ar livre repetidamente revisitado ao longo de milénios.
A localização numa praia de seixos, ao fundo de um meandro do rio, terá sido determinante: era ponto de passagem e de abeberamento da fauna que os mesmos grupos caçavam e que escolheram representar na pedra.
As gravuras
O repertório da Penascosa é dominado pelos grandes herbívoros característicos da arte rupestre paleolítica do Côa — cavalos, auroques, veados e cabras-monteses —, a que se junta, mais raramente, a figuração de um peixe. As figuras foram obtidas sobretudo por picotagem, martelando a superfície de xisto com um percutor mais duro, mas também por abrasão e por finos traços incisos, técnicas que aqui surgem por vezes combinadas e sobrepostas na mesma rocha.
Algumas superfícies condensam dezenas de animais em palimpsestos que se foram acumulando ao longo do tempo: numa só rocha pode coexistir uma cabeça de cavalo picotada com grupos de bovídeos raspados que lhe foram sobrepostos. As rochas 5 e 10 contam-se entre os maiores painéis do parque, e a Penascosa conserva ainda exemplos célebres de «animação gráfica», em que membros ou cabeças duplicadas pretendem sugerir o movimento dos animais.
Significado e visita
A Penascosa reúne, num cenário de rara tranquilidade, o melhor da arte do Côa, o que faz dela a porta de entrada preferida do público ao conjunto monumental do Parque Arqueológico. A visita parte do Centro de Receção de Castelo Melhor, faz-se em viatura todo-o-terreno e termina num curto percurso pedonal ao longo da margem, a par de outros núcleos abertos à visita como a Ribeira de Piscos.
A possibilidade de visitas noturnas, com iluminação rasante, acrescenta uma dimensão particular: é à luz oblíqua que os sulcos abertos no xisto ganham relevo e profundidade, devolvendo às figuras a legibilidade que tiveram para quem as gravou, há mais de vinte mil anos, à luz trémula do fogo.
Perguntas frequentes
- Como se visita o núcleo da Penascosa?
- A visita parte do Centro de Receção de Castelo Melhor e prossegue em viatura todo-o-terreno acompanhada por monitor, ao longo de cerca de seis quilómetros de caminho de terra entre amendoeiras e oliveiras. O percurso pedonal final, de cerca de 600 metros, é fácil e dura ao todo perto de hora e meia.
- É possível ver as gravuras da Penascosa à noite?
- Sim. A Penascosa oferece visitas noturnas em que as gravuras são iluminadas de forma rasante por luz artificial. A luz oblíqua realça os sulcos picotados no xisto e permite ler com nitidez figuras que à luz do dia se confundem com a rocha.
- Que animais estão representados na Penascosa?
- Predominam os grandes herbívoros do Paleolítico Superior — cavalos, auroques, veados e cabras-monteses —, frequentemente sobrepostos numa mesma rocha. A Penascosa conserva alguns dos painéis mais espetaculares do parque, como as rochas 5 e 10.