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Vila Nova de Foz Côa
Vila Nova de Foz Côa, cidade do distrito da Guarda na região do Douro, junto à arte rupestre do Vale do Côa classificada como Património Mundial.
Encavalitada num planalto que os vales do Côa e do Douro recortam em encostas abruptas, Vila Nova de Foz Côa é uma cidade do distrito da Guarda profundamente marcada pela paisagem que a rodeia. O nome assinala o lugar exato onde o rio Côa desagua no Douro — a foz do Côa — ponto de encontro entre o xisto das arribas, os socalcos de vinha e oliveira e um dos mais extraordinários acervos de arte pré-histórica do mundo.
Das origens medievais à cidade contemporânea
O povoamento da região é antiquíssimo, mas a vila ganha forma jurídica com os forais outorgados por D. Dinis em 1299 e renovados em 1314, no quadro da consolidação da fronteira oriental do reino após o Tratado de Alcanices (1297). Em 1514, D. Manuel I concedeu-lhe foral novo, no âmbito da reforma manuelina dos forais que normalizou os direitos e tributos dos concelhos portugueses. Desse período áureo conserva-se o pelourinho — classificado como monumento nacional — e a Igreja Matriz, exemplar de inspiração manuelina mais tarde transferida das imediações do antigo castelo para o Largo do Terreiro, no coração da povoação.
O casario histórico guarda ainda solares e casas brasonadas que testemunham a importância das famílias locais ao longo da Idade Moderna. Em 12 de julho de 1997, a antiga vila foi elevada à categoria de cidade, reconhecimento que coincidiu com o período em que Foz Côa se tornou conhecida em todo o mundo.
O Vale do Côa e a arte rupestre
O que poderia ter ficado submerso por uma barragem tornou-se, pelo contrário, o emblema do território: a decisão de preservar as gravuras converteu Foz Côa num caso exemplar de escolha do património sobre a infraestrutura.
Em 1994, durante os estudos para a construção de uma barragem no rio Côa, foram identificadas gravuras gravadas ao ar livre nas rochas de xisto das margens. A descoberta revelou o maior conjunto de arte rupestre paleolítica ao ar livre conhecido, com figuras de cavalos, auroques, cabras e cervídeos executadas há mais de vinte mil anos. A polémica em torno da barragem terminou em 1995 com a suspensão da obra e a criação do Parque Arqueológico, e em 1998 os sítios do Vale do Côa foram inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO.
A arte não se esgota no Paleolítico: as rochas registam intervenções do Neolítico, da Idade do Ferro e mesmo de épocas históricas, fazendo do vale uma sequência rara de manifestações gráficas ao longo de milénios. O Museu do Côa, inaugurado em 2010 na confluência dos dois rios, articula a visita aos núcleos de gravuras com a interpretação científica do conjunto.
Paisagem do Douro e vivência do território
Vila Nova de Foz Côa integra-se na região demarcada mais antiga do mundo e na paisagem cultural do Alto Douro Vinhateiro, igualmente classificada pela UNESCO. Os socalcos plantados de vinha, amendoeira e oliveira desenham as encostas em torno da cidade, e a floração das amendoeiras, no final do inverno, atrai visitantes a este recanto da região Norte. Vinho, azeite, amêndoa e a memória profunda da arte rupestre compõem assim a identidade de um lugar onde a história humana se lê, literalmente, nas pedras.
Perguntas frequentes
- Em que distrito fica Vila Nova de Foz Côa?
- Vila Nova de Foz Côa pertence ao distrito da Guarda, no interior norte de Portugal, embora se integre cultural e geograficamente na região do Douro.
- Porque é famosa Vila Nova de Foz Côa?
- É conhecida sobretudo pela arte rupestre paleolítica do Vale do Côa, classificada como Património Mundial da UNESCO em 1998, e por integrar a região vinhateira do Douro.
- Quando foi elevada a cidade?
- Vila Nova de Foz Côa recebeu o estatuto de cidade em 12 de julho de 1997.