Monumentos
Sé de Portalegre
A Sé de Portalegre, catedral maneirista do Alto Alentejo erguida a partir de 1556 para a nova diocese, guarda o maior conjunto de pintura maneirista do país.
A Sé de Portalegre, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, ergue-se no ponto mais alto da cidade, dominando o casario do Alto Alentejo com a sua fachada de duas torres. É a expressão arquitetónica de uma promoção administrativa e eclesiástica: a criação de uma diocese própria, no século XVI, que conferiu a Portalegre a dignidade de cidade catedralícia e a obrigou a dotar-se de um templo à altura.
A criação da diocese e o início das obras
A diocese de Portalegre foi instituída em 1549, por bula do papa Paulo III a pedido de D. João III, num movimento de reorganização da geografia religiosa portuguesa que também desmembrou territórios das dioceses vizinhas. Para acolher a nova sé, a coroa mandou proceder, a partir de 1553, à expropriação de casas no alto da vila, e a 14 de maio de 1556 lançaram-se os trabalhos, já sob o governo do primeiro bispo, o castelhano D. Julião de Alva.
O risco coube a Afonso Álvares, mestre das obras régias e nome maior da arquitetura religiosa portuguesa de meados de Quinhentos. A campanha avançou com rapidez para os padrões da época: em 1575 era colocada a última pedra do fecho da abóbada, e o templo seria concluído e consagrado ainda no mesmo século, durante o episcopado do carmelita D. Frei Amador Arrais, a quem se deve boa parte do programa decorativo.
Um templo maneirista de três naves
A Sé apresenta planta em cruz latina com três naves à mesma altura — o chamado tipo de igreja-salão —, separadas por robustos pilares de secção cruciforme, dos quais arrancam capelas laterais intercomunicantes. Esta solução de espaço unitário e amplo, iluminado por dezenas de janelas, é característica do maneirismo religioso ibérico e contrasta com a verticalidade das igrejas medievais. À cabeceira tripartida e ao corpo quinhentista juntou-se, já no século XVIII, um claustro de arcadas abertas sobre a praça.
A Sé de Portalegre reúne o maior conjunto de pintura maneirista conservado em Portugal, um acervo de quase cem tábuas que faz do edifício, mais do que um monumento, uma verdadeira galeria da pintura do seu tempo.
No interior conservam-se ainda painéis de azulejo quinhentistas, púlpitos e cancelas de mármore — material abundante na região — e os retábulos encomendados por D. Frei Amador Arrais, que articulam pintura e talha num conjunto de notável coerência.
A reforma barroca e a classificação
Entre 1737 e 1798 a catedral foi profundamente reformada na fachada. Foi então que se altearam as torres sineiras, cada uma com quatro vãos de arco redondo para os sinos, e se refizeram os pórticos com colunas monolíticas de mármore, conferindo ao alçado o aspeto barroco que hoje se reconhece de longe. A fachada resultante é, por isso, um palimpsesto que combina a estrutura maneirista quinhentista com a ornamentação setecentista.
Classificada como Monumento Nacional em 1910, a Sé continua a ser o coração religioso da cidade e uma das âncoras do seu património. Pode ser explorada em conjunto com o conjunto urbano de Portalegre e com a sua célebre Tapeçaria de Portalegre, enquanto o seu lugar na rede de sés e catedrais portuguesas se compreende melhor ao lado de exemplares alentejanos como a Sé de Évora e a Sé de Elvas.
Perguntas frequentes
- Quando foi construída a Sé de Portalegre?
- As obras iniciaram-se a 14 de maio de 1556, na sequência da criação da diocese em 1549, e a última pedra da abóbada foi colocada em 1575. A fachada e as torres foram refeitas no século XVIII, em linguagem barroca.
- Porque é célebre a Sé de Portalegre?
- Além de ser a catedral da diocese de Portalegre, reúne o maior conjunto de pintura maneirista de Portugal, com perto de uma centena de tábuas, a par de painéis de azulejo quinhentistas e de um claustro setecentista.
- A Sé de Portalegre é Monumento Nacional?
- Sim. Está classificada como Monumento Nacional desde 1910.