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Património Imaterial
Festa dos Tabuleiros de Tomar
A Festa dos Tabuleiros de Tomar, celebração quadrienal do culto do Espírito Santo em que raparigas transportam à cabeça tabuleiros de pão e flores.
- Localização
- Tomar, Santarém
- Construção
- tradição documentada desde o século XIX
A Festa dos Tabuleiros é a mais célebre manifestação da cultura popular de Tomar, no distrito de Santarém, e uma das mais singulares festividades de Portugal. De quatro em quatro anos, centenas de raparigas percorrem as ruas da cidade transportando à cabeça os tabuleiros — estruturas altas de pães, flores e espigas — num cortejo que mobiliza toda a comunidade e atrai centenas de milhares de visitantes. Em maio de 2023 foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Origens: do trigo ao Espírito Santo
A festa entrelaça duas raízes. Por um lado, evoca antigas celebrações agrárias de oferta das primícias das colheitas, ligadas à fertilidade da terra. Por outro, integra-se no culto do Império do Divino Espírito Santo, devoção que se difundiu em Portugal a partir do século XIV e que a tradição associa à ação da Rainha Santa Isabel e do rei D. Dinis. Foi sob esta moldura cristã que o ato de partilhar pão com os mais pobres — central à festa — adquiriu o seu significado: a distribuição igualitária dos dons, reunindo ricos e pobres na mesma celebração de Pentecostes.
Embora as referências documentadas mais firmes remontem ao século XIX, a forma atual da festa consolidou-se em meados do século XX. Tomar foi também sede da Ordem de Cristo, herdeira dos Templários, cuja casa-mãe é o Convento de Cristo, e a Cruz de Cristo que encima muitos tabuleiros liga simbolicamente a festa a essa memória histórica da cidade.
O tabuleiro e o cortejo
O tabuleiro é o emblema da festa. Sobre um cesto, ergue-se uma haste de canas em que se enfiam trinta pães, dispostos em filas e separados por flores de papel multicolor e espigas de trigo. No topo, uma coroa rematada pela pomba do Espírito Santo ou pela Cruz de Cristo. A regra tradicional é exigente: o tabuleiro deve ter a altura da rapariga que o leva, o que obriga a um equilíbrio notável ao longo de vários quilómetros de percurso.
Cada tabuleiro é, ao mesmo tempo, oferta religiosa, prova de resistência física e obra coletiva — feito pelas famílias, abençoado pela comunidade e equilibrado pela jovem que o carrega.
No dia do Cortejo dos Tabuleiros, as raparigas trajam de branco, com uma faixa colorida ao ombro, e avançam acompanhadas por um rapaz que ajuda a suster o peso. As ruas surgem forradas de colchas às janelas e tapetes de flores no chão. O programa estende-se por cerca de dez dias e inclui ainda o Cortejo dos Rapazes, a chegada dos touros e outras cerimónias associadas ao Espírito Santo.
A Pêza: partilha e continuidade
O momento que dá sentido último à festa é a Pêza, ou bodo: a distribuição do pão, da carne e do vinho que os tabuleiros simbolizam, repartidos pela população no dia seguinte ao cortejo. É neste gesto de partilha que a festa revela a sua origem solidária, mantendo viva uma prática comunitária com séculos.
A periodicidade quadrienal, fixada desde 1987, faz de cada edição um acontecimento esperado e irrepetível, transmitido de geração em geração. A festa insere-se no vasto universo do património cultural imaterial português, a par de outras celebrações comunitárias como as Festas do Espírito Santo dos Açores, com as quais partilha a devoção ao Divino. Visitar Tomar fora da época da festa permite ainda conhecer o seu património construído, do Castelo de Tomar ao conjunto monumental que coroa a colina sobre o rio Nabão.
Perguntas frequentes
- Com que frequência se realiza a Festa dos Tabuleiros?
- Desde 1987 realiza-se quadrienalmente, normalmente em julho. A edição mais recente decorreu em 2023 e a próxima está prevista para 2027.
- Como é feito um tabuleiro?
- Cada tabuleiro reúne trinta pães enfiados em canas dispostas verticalmente sobre um cesto, ornamentados com flores de papel e espigas de trigo, e rematados por uma coroa com a pomba do Espírito Santo ou a Cruz de Cristo. Por tradição, deve ter a altura da rapariga que o transporta à cabeça.
- A Festa dos Tabuleiros é Património da UNESCO?
- Foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial em maio de 2023 e encontra-se em processo de candidatura ao Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Fontes
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