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Campo Militar de São Jorge (Campo da Batalha de Aljubarrota)

Campo Militar de São Jorge: o campo da Batalha de Aljubarrota (1385), Monumento Nacional, com covas-de-lobo, Capela de São Jorge e centro de interpretação.

Perguntas frequentes Fontes
Vista elevada do Campo Militar de São Jorge, com um caminho de terra batida a atravessar o campo seco, bandeiras e pinheiros em redor
Moleano, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Calvaria de Cima, Porto de Mós, Leiria
Construção
1385 (sistema defensivo); capela de 1393

O Campo Militar de São Jorge é o campo onde se travou a Batalha de Aljubarrota, a 14 de agosto de 1385. Fica num planalto entre os concelhos da Batalha e de Porto de Mós. Ali, o exército de D. João I e de D. Nuno Álvares Pereira venceu o exército castelhano, apoiado num sistema de fossos e covas-de-lobo que a arqueologia voltou a pôr à vista no século XX. Hoje o lugar junta um Monumento Nacional, uma capela medieval e um centro de interpretação. A poucos quilómetros fica o Mosteiro da Batalha, erguido em ação de graças pela vitória.

14 de agosto de 1385

A batalha pôs fim à crise sucessória de 1383–1385 e consolidou D. João I, Mestre de Avis, como rei de Portugal, o primeiro da dinastia de Avis. O Decreto n.º 18/2010 situa o confronto num planalto entre a ponte do Boutaca, no concelho da Batalha, a norte, e o Chão da Feira, em Porto de Mós, a sul. O exército português montou primeiro posição num esporão sobre as ribeiras da Calvaria e do Vale da Mata. A batalha foi travada cerca de três quilómetros a sul, no terreno de São Jorge.

O mesmo decreto associa a batalha a uma tática militar inédita, apurada na Guerra dos Cem Anos e posta em prática por D. Nuno Álvares Pereira: proteger a posição com obstáculos escavados no chão. Relatos contemporâneos apontam no mesmo sentido. A Fundação Batalha de Aljubarrota cita uma carta do rei D. Juan I de Castela à cidade de Múrcia, que fala de uma vala diante dos portugueses. Cita também o cronista Jean Froissart, que ouviu um combatente descrever um «grande fosso» entre os dois exércitos. A fundação nota que a crónica de Fernão Lopes não refere estes obstáculos.

Para seguir a história da vitória até ao voto régio que deu origem ao mosteiro e à vila, veja também a página da Batalha.

Dois núcleos classificados

O campo da Batalha de Aljubarrota e área envolvente, também designado Campo Militar de São Jorge de Aljubarrota, foi classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 18/2010, de 28 de dezembro (Diário da República, 1.ª série, n.º 250). A classificação abrange duas posições, que o registo do Património Cultural designa como núcleos:

  • Núcleo 1, a primeira posição do exército português, no lugar da Quinta do Fidalgo, freguesia e concelho da Batalha;
  • Núcleo 2, a segunda posição de defesa, no lugar de São Jorge, freguesia da Calvaria de Cima, concelho de Porto de Mós.

A Portaria n.º 426/2012, publicada a 10 de setembro de 2012, fixou a zona especial de proteção das duas posições. O texto da portaria destaca ainda vestígios de ocupação do local desde o Paleolítico Superior, o valor da paisagem como contexto militar e a dimensão memorial da batalha. O campo não faz parte da inscrição do Mosteiro da Batalha na Lista do Património Mundial: tem classificação nacional própria.

A Capela de São Jorge

No núcleo de São Jorge ergue-se a Capela de São Jorge, também chamada ermida. Tem classificação própria como Monumento Nacional pelo decreto de 16 de junho de 1910. O decreto de 2010 descreve-a como capela trecentista dedicada à Virgem Maria e a São Jorge. Segundo a Fundação Batalha de Aljubarrota, foi mandada construir por D. Nuno Álvares Pereira em 1393. A capela serviu de referência aos arqueólogos para cartografar os fossos e as covas-de-lobo.

O que a arqueologia revelou

Para esclarecer se os portugueses tinham mesmo escavado obstáculos, o Estado-Maior do Exército propôs em 1950 o estudo da campanha de 1385. A escavação foi entregue ao arqueólogo e oficial Manuel Afonso do Paço, que trabalhou no campo entre 1958 e 1960. Em maio de 1958, pôs a descoberto um fosso com cerca de 182 metros a norte e a leste da capela. No outono, encontrou dezenas de filas de covas-de-lobo, dispostas em espinha. Afonso do Paço chegou a contar cerca de 830 covas. O decreto de 2010 fala em cerca de 800 covas-de-lobo e dezenas de fossos. As escavações revelaram também uma vala comum com ossos de 414 combatentes castelhanos e franceses, segundo a fundação.

A investigação continuou depois disso. Em 1999, uma equipa com Helena Catarino e João Gouveia Monteiro descobriu um novo troço de fosso e nove covas-de-lobo diante da vanguarda portuguesa. Entre 2005 e 2007, uma campanha apoiada pela fundação e dirigida por Maria Antónia Amaral encontrou um fosso que hoje está conservado dentro do centro de interpretação. Nas sondagens de 2018–2019, sob a orientação científica da mesma arqueóloga, foram identificados novos fossos e covas, e uma ponta de lança. Duas amostras do enchimento de um fosso deram uma datação de cerca de 1390, com uma margem de 30 anos.

O Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota

A Fundação Batalha de Aljubarrota foi instituída por António Champalimaud em 15 de março de 2002. Em 14 de agosto de 2003 assinou um protocolo com o Ministério da Defesa Nacional para transformar o antigo Museu Militar do local num centro de interpretação. O Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA) foi inaugurado em 2008. Expõe vestígios arqueológicos, ossos de combatentes com lesões de combate e réplicas de armas. Num auditório passam dois espetáculos multimédia: «A Batalha Real» e um filme sobre Nuno Álvares Pereira. No exterior, um percurso pelo campo assinala a posição inicial dos exércitos.

Preparar a visita

O CIBA fica na Avenida D. Nuno Álvares Pereira, 120, 2480-062 Calvaria de Cima (Porto de Mós), junto à rotunda de São Jorge, no IC2/EN1. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a fundação indicava o centro e as visitas ao campo e à Capela de São Jorge abertos de terça-feira a domingo, 10h00–17h30. Encerra a 1 de janeiro, no Domingo de Páscoa, a 1 de maio e a 25 de dezembro. O bilhete normal custava 9,00 €, o jovem (6–17 anos) e o sénior (65 ou mais) 6,00 €, e o familiar (dois adultos e dois jovens) 25,50 €. A entrada era gratuita até aos 5 anos. A visita ao campo de batalha e o audioguia eram extras pagos à parte (2,00 € e 3,00 €). Confirme horários, preços e sessões no site da fundação ou pelo +351 244 480 060.

Segundo a fundação, o CIBA articula a sua oferta com o Mosteiro da Batalha; combine as duas visitas e acrescente o Castelo de Porto de Mós. Para outros lugares de memória militar, continue em arquitetura militar e fortificações.

Fotografia de Moleano, de 7 de setembro de 2019, tirada no âmbito do Wiki Loves Monuments. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Onde foi travada a Batalha de Aljubarrota?
Num planalto entre Batalha e Porto de Mós, no distrito de Leiria, a 14 de agosto de 1385. O decreto de classificação situa-o entre a ponte do Boutaca, a norte, e o Chão da Feira, a sul. O confronto deu-se junto ao lugar de São Jorge, onde hoje está o centro de interpretação.
O que está classificado?
O campo da Batalha de Aljubarrota e área envolvente, também designado Campo Militar de São Jorge de Aljubarrota, é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 18/2010, de 28 de dezembro. Abrange dois núcleos: a primeira posição portuguesa, na Quinta do Fidalgo (Batalha), e a segunda, em São Jorge (Calvaria de Cima, Porto de Mós). A Capela de São Jorge tem classificação própria como Monumento Nacional desde 1910.
O que são as covas-de-lobo?
São pequenas covas abertas no terreno, a par de fossos, para travar a cavalaria e a infantaria inimigas. As escavações dirigidas por Afonso do Paço entre 1958 e 1960 revelaram-nas. O decreto de 2010 fala em cerca de 800 covas-de-lobo e dezenas de fossos.
O campo faz parte do Património Mundial do Mosteiro da Batalha?
Não. O Mosteiro da Batalha, construído em ação de graças pela vitória, está inscrito na Lista do Património Mundial. O campo de batalha tem a sua própria classificação nacional e não faz parte dessa inscrição.

Fontes

  1. Diário da República — Decreto n.º 18/2010, de 28 de dezembro (classificação do campo da Batalha de Aljubarrota)
  2. Diário da República — Portaria n.º 426/2012, de 10 de setembro (ZEP do campo da Batalha de Aljubarrota)
  3. Património Cultural, I.P. — Campo Militar de Aljubarrota, núcleos 1 e 2 (3729416)
  4. Património Cultural, I.P. — Capela de São Jorge (Aljubarrota) (70103)
  5. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (serviço cartográfico)
  6. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910)
  7. Fundação Batalha de Aljubarrota — Arqueologia
  8. Fundação Batalha de Aljubarrota — Centro de Interpretação
  9. Fundação Batalha de Aljubarrota — História da Fundação
  10. Fundação Batalha de Aljubarrota — Visitas e Atividades
  11. Fundação Batalha de Aljubarrota — Bilhete Visita ao CIBA
  12. Fundação Batalha de Aljubarrota — Contactos
  13. Wikidata — Campo Militar de Aljubarrota (Q66814192)

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