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Castelo de Moreira de Rei

Castelo de Moreira de Rei, em Trancoso: ruínas de um castelo românico sobre um afloramento de granito, num lugar fortificado desde o séc. X. Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Troço de muralha de pedra do Castelo de Moreira de Rei a descer entre grandes blocos de granito, com vale arborizado e serras ao fundo
Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Moreira de Rei, Trancoso, Guarda
Construção
Séc. XII (castelo românico do tempo de D. Afonso Henriques), sobre um castelo documentado no séc. X

O Castelo de Moreira de Rei ergue-se num afloramento de granito que domina a aldeia de Moreira de Rei, no concelho de Trancoso. A freguesia fica a cerca de 7,5 km da cidade. Hoje é uma ruína: restam panos de muralha encaixados entre grandes penedos e a base de uma torre de menagem. Mas o lugar está fortificado, pelo menos, desde a primeira metade do século X, e a aldeia guarda, a poucos passos, uma igreja românica e uma vasta necrópole medieval.

Um castelo documentado no século X

O registo nacional do Património Cultural, I.P. faz recuar o castelo, pelo menos, à primeira metade do século X, no tempo da expansão do reino asturiano-leonês. Um documento mostra um castelo pertencente a D. Chamôa Rodrigues, ou D. Flâmula, que o doou ao Mosteiro de Guimarães em 960. O Município de Trancoso acrescenta que Flâmula era sobrinha de Mumadona, a fundadora desse mosteiro. Do primeiro reduto, provavelmente destruído por Almançor no final do século X, nada se sabe. Pelo que se conhece de outros castelos referidos no mesmo documento, o registo admite que fosse uma estrutura rudimentar.

Moreira foi, ainda assim, um dos centros mais importantes da região. Na década de 1050, quando Fernando Magno conquistou o centro do atual território português, o castelo foi uma das fortalezas tomadas. O município data essa conquista de 1055.

A tradição local diz que o castelo vem do tempo dos lusitanos ou dos romanos, mas essa origem não está provada. O município regista também que pela freguesia passava uma estrada romana, de que se veem ainda troços de calçada.

O castelo românico

No reinado de D. Afonso Henriques, Moreira recebeu foral, de data desconhecida, e o castelo foi reformado. É dessa fase, segundo o registo, o castelo cujas ruínas chegaram até nós. Foi implantado numa posição ligeiramente periférica em relação à povoação primitiva, uma escolha que o registo, citando Mário Barroca, atribui a uma racionalização dos recursos militares.

O castelo seguia o modelo românico. Tinha uma torre de menagem de planta quadrada, isolada da muralha, de que resta apenas a primeira fiada de silhares. A entrada da torre fazia-se por uma porta no primeiro piso, alta em relação ao pátio, a que se subia por uma escada de madeira; ainda se veem os encaixes. A muralha delimitava um espaço interior muito pequeno, para impedir que um inimigo, passada a porta, se movimentasse à vontade.

Ao contrário do que seria de esperar, a povoação nunca foi verdadeiramente amuralhada. O registo nota que em Moreira de Rei não houve a «vila nova» de traçado planeado típica da época gótica nas zonas raianas e do interior norte. A aldeia ficou relativamente indefesa, organizada à volta da igreja.

Declínio e ruína

Depois do século XII, Moreira de Rei perdeu importância. O registo vê um sinal claro disso na ausência de qualquer reforma gótica do castelo. O município indica que D. Afonso II confirmou o foral em 1217 e que D. Manuel I deu foral novo em 1512. O foral manuelino e o pelourinho deram à vila, nas palavras do registo, uma «ilusória dinâmica» que as décadas seguintes desmentiram. O concelho de Moreira de Rei foi extinto em 1855.

O castelo sofreu sobretudo nos últimos séculos, quando a população o usou como pedreira. Na década de 1940, a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) reconstruiu algumas partes da muralha, mas o conjunto mantém o aspeto de ruína. O município lembra a descrição de Alexandre Herculano, que chamou a Moreira «espécie de ninho de águias sobre um montão de rochas». Junto às ruínas fica a Cadeira d’El-Rei, um assento cavado na rocha.

Classificação

O castelo é Monumento Nacional. O Decreto n.º 21 354, de 1 de junho de 1932, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 136, de 13 de junho de 1932, classificou num só ato a Igreja de Santa Marinha da vila de Moreira de Rei, as sepulturas que nela se encontram, o castelo e o pelourinho. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

A igreja e a necrópole

A Igreja de Santa Marinha é, segundo o registo, um templo românico tardio e rural, de nave única e construção modesta, da viragem para o século XIII. Substituiu uma igreja pré-românica anterior, de que não resta construção, mas que a necrópole de sepulturas escavadas na rocha, datável do século X, documenta. O município refere ainda medidas-padrão medievais gravadas na porta principal.

As escavações que o Município de Trancoso iniciou em agosto de 2018, no âmbito da requalificação do largo e da igreja, revelaram uma necrópole muito maior do que se pensava. Em dezembro de 2019, a arqueóloga municipal Maria do Céu Ferreira contava, em declarações à agência Lusa, cerca de 550 sepulturas escavadas na rocha, num cemitério medieval que balizava entre os séculos VIII-IX e XII-XIII. O projeto previa deixar sepulturas à vista e criar um centro de interpretação da necrópole dentro da igreja.

O pelourinho, manuelino, assenta em cinco degraus octogonais e termina numa gaiola de oito colunelos com esfera armilar. Pode ser comparado com outros pelourinhos portugueses.

Preparar a visita

As ruínas do castelo estão no alto da aldeia, sobre o afloramento granítico. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não foi encontrado horário oficial publicado para o castelo, nem informação sobre visitas organizadas. O terreno é rochoso e irregular. Para informações, contacte o Município de Trancoso.

A visita combina bem com a cidade de Trancoso, que integra a rede das Aldeias Históricas de Portugal, e o seu castelo. Para continuar, consulte o roteiro do Centro de Portugal ou compare Moreira de Rei com outros castelos de Portugal.

Fotografia de Vitor Oliveira, de 2012. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

De quando é o Castelo de Moreira de Rei?
Há um castelo documentado no local em 960, quando D. Flâmula o doou ao mosteiro de Guimarães. O castelo cujas ruínas se veem hoje é, segundo o registo nacional do Património Cultural, I.P., da reforma feita no reinado de D. Afonso Henriques, no século XII.
O que resta do castelo?
Restam panos de muralha, em parte reconstruídos pela DGEMN na década de 1940, e a primeira fiada de silhares de uma torre de menagem quadrada, isolada no interior do recinto. A população usou o castelo como pedreira durante séculos.
O castelo está classificado?
Sim. O Decreto n.º 21 354, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 136, de 13 de junho de 1932, classificou como monumentos nacionais a Igreja de Santa Marinha, as sepulturas que nela se encontram, o castelo e o pelourinho de Moreira de Rei.
Que mais há para ver em Moreira de Rei?
A Igreja de Santa Marinha, românica, rodeada por uma grande necrópole de sepulturas escavadas na rocha, e o pelourinho manuelino. Em dezembro de 2019, a arqueóloga municipal contava cerca de 550 sepulturas em redor da igreja.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo da vila de Moreira de Rei (70420)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo da vila de Moreira de Rei (NINV 3020)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 21 354 (I Série, n.º 136, 13-06-1932)
  4. Município de Trancoso — Freguesia de Moreira de Rei
  5. RTP Notícias / Lusa — Trancoso tem maior necrópole de sepulturas antropomórficas da Península Ibérica (15-12-2019)
  6. Wikidata — Castelo de Moreira de Rei (Q5049798)
  7. Aldeias Históricas de Portugal — Página inicial (lista das 12 aldeias)

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