Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Castelo de Celorico da Beira

Castelo de Celorico da Beira: cerca oval e torre na Beira Alta, cercada por Leão em 1198, reformada por D. Dinis e restaurada desde 1936. Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Torre ameada e muralha de granito do Castelo de Celorico da Beira sobre um morro relvado, com a vila e os campos do vale ao fundo
Nmmacedo, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Celorico da Beira, Guarda
Construção
Séc. XII–XIV (reforma de D. Dinis); restauro de 1936 aos anos 1940

O Castelo de Celorico da Beira coroa o morro da vila de Celorico da Beira, no distrito da Guarda. A cerca de muralhas, de planta oval, e a torre quadrangular dominam o casario e os campos do vale. O conjunto tem uma história militar documentada desde o final do século XII. A imagem que hoje oferece deve, porém, quase tanto ao restauro do século XX como à Idade Média, e o registo nacional di-lo com franqueza.

Origens incertas

O registo nacional do Património Cultural, I.P. começa por afastar as lendas. Nenhum vestígio material liga o morro às fundações atribuídas a Brigo e aos Túrdulos. Também não está provada a relação com a romana Celióbriga. Uma inscrição latina noticiada em 1635 desapareceu depois, sem que se saiba onde foi encontrada. O município de Celorico refere, por seu lado, que alguns autores admitem um castro proto-histórico romanizado no local e cita a existência de uma epígrafe votiva romana dedicada a uma divindade pré-romana. A ocupação anterior à Idade Média continua, assim, por demonstrar.

A passagem de Celorico para a coroa portuguesa e as obras dos primeiros reis também são mal conhecidas. O registo cita Adriano Vasco Rodrigues, que admite que o local já estivesse fortificado no século XII e que D. Afonso Henriques o tenha conquistado e dado foral aos moradores.

Cercos e forais

A primeira referência concreta ao castelo data de 1198. Nesse ano, tropas leonesas cercaram a fortaleza, e o alcaide, D. Rodrigo Mendes, pediu ajuda ao irmão, D. Gonçalo Mendes, alcaide do vizinho Castelo de Linhares. Em 1217, D. Afonso II passou foral a Celorico. Em 1246, o futuro D. Afonso III cercou a fortaleza, no quadro da guerra civil contra o irmão, D. Sancho II.

A reforma de D. Dinis

O registo nacional atribui o aspeto geral do castelo a uma reforma ampla do reinado de D. Dinis, já no século XIV. A planta corresponde ao modelo gótico: a cerca é claramente oval e adapta-se ao terreno. As obras ter-se-ão prolongado pelos reinados de D. Afonso IV, D. Pedro e D. Fernando.

A torre é retangular, de dois pisos, e está adossada à muralha no setor nordeste, uma posição própria da defesa ativa do período gótico. A entrada faz-se por uma porta elevada em arco quebrado. Originalmente, chegava-se a ela por escada amovível; hoje sobe-se por uma escadaria metálica. O recinto tem duas portas, a sul e a poente, num esquema que o registo considera poder ser ainda de origem românica.

O município apresenta uma leitura diferente da torre. Descreve o castelo como românico-gótico, com duas entradas e dois cubelos adossados ao lado sul. Segundo a mesma página, a torre de menagem original ficaria no centro do reduto e dela não restam vestígios; a torre atual seria posterior. As duas fontes concordam na data dionisina da cerca e na posição da torre junto à muralha.

Ruína e restauro

No século XVI, há notícia de várias beneficiações e, em 1640, logo a seguir à Restauração, fizeram-se obras. Um século depois, porém, Jerónimo Contador de Argote descreveu o castelo como muito arruinado, com troços de muralha destruídos e a cisterna entulhada. No século XIX, o desmantelamento acelerou. Em 1817, o corregedor da comarca pediu para usar a pedra em obras de calcetamento. Em 1835, a própria câmara cedeu pedra para o mercado municipal, e seguiram-se outras destruições.

O restauro começou em 1936 e prolongou-se até aos primeiros anos da década de 1940. O registo nacional classifica-o como uma “reintegração” inventiva. Reconstruíram-se muralhas, revolveram-se terras no interior e alteraram-se pavimentos, telhados e cérceas. Grande parte do que hoje se vê resulta dessa idealização da Idade Média.

Já neste século, o município promoveu uma requalificação do castelo e da torre. Uma escavação arqueológica entre janeiro e março de 2007 recolheu milhares de fragmentos cerâmicos, da época medieval à contemporânea. Em 2008, seguiram-se a iluminação e a requalificação da torre. Em maio de 2022, o município inaugurou as Casas do Castelo, dois imóveis reabilitados que fazem a ligação ao castelo.

Classificação

O castelo é Monumento Nacional. O Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910, classificou o Castelo de Celorico. O Decreto n.º 8 176, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 110, de 3 de junho de 1922, classificou o castelo com a respetiva muralha. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO. O concelho de Celorico da Beira integra a Reserva da Biosfera da Serra da Estrela.

Preparar a visita

Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal do castelo indicava abertura todos os dias, das 9h às 13h e das 14h às 17h. Essa página tinha sido atualizada pela última vez em novembro de 2020. Confirme o horário junto do Turismo de Celorico da Beira ou da câmara municipal, na Rua Sacadura Cabral, antes de ir.

Celorico não é uma das Aldeias Históricas de Portugal, mas o concelho inclui uma delas: Linhares da Beira, cujo castelo partilha com Celorico o episódio de 1198. Para completar o percurso, consulte o itinerário do Centro de Portugal e a rede dos castelos de Portugal.

Fotografia de Nmmacedo, de 21 de março de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construído o Castelo de Celorico da Beira?
A primeira referência segura é de 1198, quando o castelo foi cercado por tropas leonesas. O aspeto atual resulta sobretudo de uma reforma do reinado de D. Dinis, já no século XIV, e de um restauro muito interventivo feito a partir de 1936.
O castelo está classificado?
Sim. É Monumento Nacional. O Decreto de 16 de junho de 1910 classificou o Castelo de Celorico; o Decreto n.º 8 176, publicado no Diário do Governo de 3 de junho de 1922, alargou a classificação ao castelo com a respetiva muralha.
Que ligação tem a Linhares da Beira?
Os dois castelos ficam no mesmo concelho. Em 1198, durante o cerco leonês, o alcaide de Celorico, D. Rodrigo Mendes, pediu ajuda ao irmão, D. Gonçalo Mendes, alcaide de Linhares. Linhares da Beira é uma das Aldeias Históricas de Portugal; Celorico não faz parte dessa rede.
Quando se pode visitar?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, uma página municipal atualizada em novembro de 2020 indicava abertura todos os dias, das 9h às 13h e das 14h às 17h. Confirme o horário junto do município ou do posto de turismo antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Celorico da Beira, com a respectiva muralha (70710)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Celorico da Beira (NINV 2910)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 8 176 (I Série, n.º 110, 3-06-1922)
  4. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  5. Município de Celorico da Beira — Castelo de Celorico da Beira
  6. Município de Celorico da Beira — Obras de requalificação do Castelo de Celorico da Beira e Torre de Menagem
  7. Município de Celorico da Beira — Inauguração das Casas do Castelo
  8. Município de Celorico da Beira — Castelo de Celorico da Beira (informações e horário)
  9. Wikidata — Castelo de Celorico da Beira (Q5049769)
  10. Aldeias Históricas de Portugal — Página inicial (lista das 12 aldeias)

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