Monumentos
Castelo de Terena
Castelo de Terena, no Alandroal: fortaleza medieval de planta pentagonal, com torre de menagem sobre a porta e obras do início do séc. XVI. Monumento Nacional.
- Localização
- Terena, Alandroal, Évora
- Construção
- séc. XIV (reinado de D. Afonso IV; barbacã e fosso em 1380); obras c. 1514
O Castelo de Terena ergue-se no ponto mais alto da vila de Terena, no concelho de Alandroal, sobre o vale entre as ribeiras de Alcaide e de Lucefécit. É uma fortaleza medieval de dimensões modestas, com uma entrada em cotovelo e uma torre de menagem que protege diretamente a porta. A grande campanha de obras do início do século XVI deixou marcas visíveis. Juntamente com o Castelo de Alandroal e a Fortaleza de Juromenha, é uma das três fortificações que o município destaca no seu território.
Uma povoação antiga, um castelo de data incerta
O Município de Alandroal resume o que se sabe das origens de Terena. Alguns investigadores admitem uma origem islâmica, ligada ao abandono do Castelo Velho do Lucefécit, com vestígios do século X. O geógrafo andaluz Ibn Said refere, em 1242, um Hisn Talanna, interpretado como a «fortaleza de Terena». Faltam, no entanto, provas arqueológicas. Em 1259, D. Afonso III deu a Herdade de Santa Maria de Terena a Gil Martins de Riba de Vizela. Em 1262, ele e a mulher, Maria Anes, deram a Terena o primeiro foral.
A data de construção do castelo continua por fixar. O município admite que tenha sido erguido por volta do foral. O registo nacional do Património Cultural, I.P., citando Mário Barroca (2006), aponta outra cronologia. Com base na forma do castelo e nos indícios documentais, situa a fundação no reinado de D. Afonso IV, quando se terá construído a maior parte da estrutura. A obra terá depois parado, talvez por dificuldades económicas. Em 1380, D. Fernando mandou concluir a barbacã e o fosso.
A planta e as portas
Segundo o registo nacional, a fortaleza tem planta de pentágono irregular, com quatro torres circulares dispostas de forma assimétrica. Só uma delas protege um ângulo da muralha. A torre de menagem, quadrangular e de dois pisos, fica a meio de um dos panos da cerca, por cima da porta principal. Protege-a com uma pequena barbacã com adarve e terraço ameado.
A entrada principal, em cotovelo, faz-se por dois amplos arcos de volta perfeita. As impostas estão decoradas com bolas e entrelaçados, um vocabulário que o município associa às obras manuelinas. No lado oposto fica a Porta do Campo, também chamada Porta do Sol. Foi entaipada no século XVII, mas conserva o arco apontado, entre dois torreões circulares, numa composição simétrica de gosto gótico.
A campanha manuelina
Em 1482, D. João II nomeou Nuno Martins da Silveira alcaide de Terena. Nas primeiras décadas do século XVI, o castelo recebeu uma ampla campanha de obras. Uma parte substancial da estrutura que chegou até hoje data desse período. O registo nacional atribui-a a Francisco de Arruda, que terá trabalhado em Terena cerca de 1514. Alterou a entrada principal e a torre de menagem, a que deu um interior apalaçado. O município acrescenta que foi já no reinado de D. Manuel I que terminaram as obras na torre de menagem e nos Paços dos Alcaides. Refere também que D. João I doara a vila à Ordem de Avis.
Restauração, abandono e restauro
Durante a Guerra da Restauração, a Coroa concentrou recursos financeiros e de engenharia na praça de Elvas. Terena recebeu apenas o reforço de uma pequena parte da estrutura, a Porta das Sortidas, ou do Campo. Em 1652, o castelo foi ocupado por tropas castelhanas. Seguiu-se um abandono progressivo, e o terramoto de 1755 causou alguns estragos.
A Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) fez a primeira campanha de consolidação em 1937, reconstruindo um pano de muralha e reinventando ameias. Na década de 1980 houve trabalhos na torre de menagem, incluindo a reconstrução de abóbadas. O registo nacional assinala que essas obras alteraram vários elementos originais.
Classificação
O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35 443, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. O mesmo decreto classificou também o Castelo de Alegrete e a fortificação de Monsaraz. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO. Em Terena estão também classificados o Pelourinho de Terena, como imóvel de interesse público, e a Capela da Boa Nova, como monumento nacional.
Preparar a visita
O castelo fica no topo da vila. Na Rua Direita, que liga a Igreja de São Pedro ao castelo, o município destaca o pelourinho do século XVI e os antigos Paços do Concelho, do século XVIII. Fora da povoação fica o Santuário de Nossa Senhora da Boa Nova, um templo-fortaleza de planta em cruz grega que o município data do século XIV.
Na consulta de 5 de novembro de 2026, não foi encontrado horário oficial publicado para o castelo. Para confirmar o acesso, contacte o Município de Alandroal pelo 268 440 040 ou por [email protected].
Para seguir as fortalezas desta fronteira do Guadiana, visite o Castelo de Alandroal e o Castelo de Monsaraz. Para mais contexto, consulte as páginas dos castelos de Portugal e do Alentejo.
Fotografia de GualdimG, de 8 de fevereiro de 2023. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi construído o Castelo de Terena?
- A data exata não se conhece. O registo nacional do Património Cultural, I.P., citando Mário Barroca, situa a maior parte da estrutura no reinado de D. Afonso IV; em 1380, D. Fernando mandou concluir a barbacã e o fosso. O Município de Alandroal admite uma construção mais antiga, próxima do primeiro foral, de 1262.
- Que obras se fizeram no século XVI?
- No início do século XVI houve uma ampla campanha de obras, atribuída a Francisco de Arruda, que terá trabalhado em Terena cerca de 1514. Alterou a entrada principal e a torre de menagem, a que deu um interior apalaçado.
- O Castelo de Terena está classificado?
- Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35 443, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946.
- Há horário de visita?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, não foi encontrado horário oficial publicado para o castelo. Para confirmar o acesso, contacte o Município de Alandroal pelo 268 440 040 ou por [email protected].
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de Terena (70190)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Terena (NINV 2654)
- Diário do Governo — Decreto n.º 35 443 (I série, n.º 1, 02-01-1946)
- Município de Alandroal — Terena
- Município de Alandroal — Património e Natureza
- Wikidata — Castelo de Terena (Q5050421)
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
tipologiasCastelos medievais de PortugalOs castelos medievais de Portugal: torre de menagem, muralhas e cercas que nasceram da Reconquista e desenharam a fronteira e o poder régio no território.
lugaresAlentejoGuia do património do Alentejo: das cidades de Évora e Elvas, classificadas pela UNESCO, ao megalitismo, às vilas muralhadas e ao Cante Alentejano.
castelosCastelo de AlandroalCastelo gótico de planta ovalada da Ordem de Avis no Alandroal, distrito de Évora, erguido entre 1294 e 1298 e classificado como Monumento Nacional.
castelosCastelo de MonsarazCastelo de Monsaraz, vila-fortaleza medieval do Alentejo sobre o Guadiana e o Alqueva, na raia com Castela, no concelho de Reguengos de Monsaraz.
castelosCastelo de ElvasO Castelo de Elvas, fortaleza medieval no ponto mais alto da praça-forte alentejana, coroa as fortificações abaluartadas Património Mundial.
periodosArquitetura e Arte Gótica em PortugalO gótico em Portugal, do despojamento cisterciense de Alcobaça à exuberância flamejante da Batalha, passando pela arquitetura mendicante dos séculos XIII e XIV.