Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Arqueologia

Menires de Reguengos de Monsaraz

Menir do Outeiro e Menir da Abelhoa, Monumentos Nacionais em Monsaraz: dimensões, descoberta nos anos 1960-70, classificação de 1971 e notas para a visita.

Perguntas frequentes Fontes
Menir do Outeiro, monólito de granito erguido numa planície aberta com um caminho de terra e céu nublado
João Carvalho, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Monsaraz, Reguengos de Monsaraz, Évora
Construção
c. 3500–2000 a.C.

Os menires de Reguengos de Monsaraz são pedras erguidas na paisagem agrícola a poucos quilómetros de Monsaraz, no Alentejo Central. Dois deles, o Menir do Outeiro e o Menir da Abelhoa, são Monumentos Nacionais, classificados em conjunto pelo Decreto n.º 516/71, de 22 de novembro de 1971. Ambos pertencem à freguesia de Monsaraz e fazem parte do mesmo núcleo megalítico que inclui o cromeleque do Xerez e o conjunto descrito em complexo megalítico de Monsaraz.

O que é um menir

Um menir é um monólito fixado verticalmente no solo. Ao contrário das antas, que guardavam sepulturas coletivas, estes monumentos não são funerários. Em Reguengos de Monsaraz, vários menires foram identificados caídos e reerguidos na segunda metade do século XX, como sucedeu com os dois aqui tratados. A bibliografia especializada do Portal do Arqueólogo inclui os estudos de José Pires Gonçalves (1970) e Henrique Leonor Pina (1971), que documentaram estas descobertas.

Menir do Outeiro

O Menir do Outeiro (também conhecido como Penedo Comprido) ergue-se isolado entre as localidades de Outeiro e Barrada, a norte de Monsaraz. O Atlas do Património Cultural identifica-o como imóvel classificado, com o número de inventário 2801, mas não foi possível consultar uma descrição física numa fonte oficial. As dimensões e a história da descoberta que se seguem provêm de fontes secundárias (Wikipédia e o Megalithic Portal, que remetem para o artigo de João Luís Cardoso publicado na revista Al-Madan em 2015) e devem ser lidas com essa reserva.

Segundo essas fontes, é um monólito de granito com cerca de 5,6 metros de altura e perto de 1 metro de diâmetro médio, de forma alongada com aspeto fálico. Terá sido encontrado caído em 1969 e reerguido cerca de um ano depois. A datação proposta, Neolítico final ou Calcolítico, baseia-se na comparação com outros menires da região e não em escavação do próprio monumento.

Menir da Abelhoa

O Menir da Abelhoa, também chamado Menir da Bulhoa, é descrito pelo Portal do Arqueólogo, a base de dados da Património Cultural, I.P. Segundo esse registo, ergue-se numa área aplanada, isolado e destacado, junto à estrada entre as aldeias do Telheiro e do Outeiro, a cerca de 4 quilómetros de Monsaraz. É um monólito de granito de forma ovoide alongada e aspeto fálico, com cerca de 4,0 metros de comprimento. Encontra-se fraturado e as faces estão profusamente decoradas com motivos solares raiados e linhas onduladas, serpentiformes e em ziguezague.

O registo situa-o no Neolítico final e Calcolítico (3500 a 2000 a.C.). Foi identificado tombado e fraturado por José Pires Gonçalves em 1970 e reerguido nesse ano sobre uma base de granito. A mesma ficha refere que o monumento integra um núcleo com o menir do Outeiro e o menir do Monte da Ribeira, o que ajuda a ler os três como parte de uma paisagem ritual comum e não como achados dispersos.

Classificação

O Atlas do Património Cultural, consultado a 5 de novembro de 2026, indica para ambos o estatuto de Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 516/71, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 274, de 22 de novembro de 1971. O Menir do Outeiro tem o número de inventário 2801 e o da Abelhoa o 2799. O Portal do Arqueólogo regista a situação do Abelhoa como “em vias de classificação, homologado como Monumento Nacional”.

No contexto do megalitismo alentejano

Os menires de Monsaraz inserem-se numa tradição mais ampla do megalitismo alentejano, que inclui cromeleques como os Almendres e o já citado Xerez, e uma arte gravada que a arte megalítica portuguesa procura ler. A diferença está na escala: aqui o gesto é a pedra isolada, visível a longa distância, talvez ligada a percursos, pastagens ou rituais sazonais, embora a investigação não permita ir além de hipóteses.

Preparar a visita

Os dois menires encontram-se em propriedade rural e junto a caminhos. As fontes consultadas não indicam horários nem condições de acesso. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a ficha do Portal do Arqueólogo indicava o acesso do Menir da Abelhoa entre as aldeias do Telheiro e do Outeiro. Antes de se deslocar, confirme o estado dos caminhos e as regras de acesso junto do município de Reguengos de Monsaraz e respeite as vedações e as culturas. Evite tocar nas superfícies gravadas.

Pode combinar a visita com Monsaraz, com o cromeleque do Xerez e com o castelo de Monsaraz, que ficam na mesma região.

Fotografia: João Carvalho, 18 de fevereiro de 2006, Menir do Outeiro.jpg, licença CC BY-SA 3.0, redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quais são os menires classificados em Reguengos de Monsaraz?
O Menir do Outeiro e o Menir da Abelhoa (ou Bulhoa), ambos na freguesia de Monsaraz e classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 516/71, de 22 de novembro de 1971.
Quando foram encontrados?
Segundo o Portal do Arqueólogo, o Menir da Abelhoa foi identificado tombado e fraturado por José Pires Gonçalves em 1970 e reerguido nesse ano. Fontes secundárias situam a descoberta do Menir do Outeiro em 1969.
De que época são?
O Portal do Arqueólogo situa o Menir da Abelhoa entre 3500 e 2000 a.C., no Neolítico final e Calcolítico. A datação do Menir do Outeiro baseia-se na comparação com outros menires da região.
Os menires fazem parte do cromeleque do Xerez?
Não. São monumentos autónomos, mas integram o mesmo núcleo megalítico de Monsaraz, referido pelo Portal do Arqueólogo na ficha do Menir da Abelhoa.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (Menir do Outeiro, NINV 2801)
  2. Património Cultural, I.P. — Portal do Arqueólogo, Menir da Abelhoa / Bulhoa
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 516/71, de 22 de novembro de 1971
  4. The Megalithic Portal — Menhir de Outeiro
  5. Wikipédia — Menhir of Outeiro (apontador para fontes)

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