Arqueologia
Castro de São Julião
Castro de São Julião, em Vila Verde (Braga): povoado castrejo com longa ocupação do Bronze Final à Idade do Ferro, escavado pela Universidade do Minho.
O Castro de São Julião, também conhecido como Citânia de São Julião de Caldelas, é um povoado fortificado de altura implantado no cimo do monte de São Julião, que domina o troço final do vale do rio Homem, no concelho de Vila Verde, distrito de Braga. O sítio reparte-se pelas freguesias de Ponte e Coucieiro e ocupa uma posição estratégica de amplo controlo visual sobre o vale, num território rico em recursos termais, silvopastoris, minerais e líticos. É um dos sítios de referência para o estudo da cultura castreja no Baixo Cávado e no Minho.
Sequência de ocupação
A particularidade de São Julião reside na sua longa diacronia. As primeiras evidências remontam ao IV-III milénio a.C., com cerâmicas do tipo Penha e ocupações intermitentes ao longo do II milénio, materializadas em cabanas de pavimento de argila e buracos de poste. A fundação do povoado propriamente dito ocorre por volta de 900 a.C., no Bronze Final, em torno do cume e de uma gruta conhecida como Cova da Moura. A partir daí, a ocupação prolonga-se de forma contínua pela transição para a Idade do Ferro e pela época castreja plena, fazendo do monte um dos raros sítios do Noroeste onde se documenta esta passagem sem ruturas evidentes.
Esta continuidade torna o castro um laboratório privilegiado para compreender a génese dos grandes povoados castrejos da região, processo igualmente legível em estações maiores como a Citânia de Briteiros. Os trabalhos arqueológicos, conduzidos sobretudo pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho sob direção de Manuela Martins, revelaram uma estratigrafia densa e bem preservada.
Arquitetura e materiais
O povoado organiza-se em socalcos protegidos por várias linhas de muralha concêntricas, com uma acrópole no topo onde se concentravam as primeiras cabanas. As construções domésticas, de planta circular e alvenaria de pedra, distribuem-se pelas plataformas inferiores. A defesa, com panos de muralha robustos, demonstra uma assinalável complexidade militar para a época.
A cultura material recolhida é vasta: dezenas de milhares de fragmentos cerâmicos, abundante indústria lítica e numerosos artefactos metálicos, incluindo pontas de lança, caldeiros e braceletes, a par de vestígios de fundição de cobre e bronze que atestam atividade metalúrgica local. Entre as peças mais notáveis conta-se uma estátua de guerreiro com inscrição latina. A presença de cerâmicas tardias e de um ceitil de D. Afonso V indica reocupações que se estendem até à Baixa Idade Média.
Classificação e enquadramento
O Castro de São Julião encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 28/82, de 26 de fevereiro de 1982. Integra o vasto conjunto de estações da arqueologia portuguesa do Norte do país, contribuindo, pela sua longa sequência estratigráfica, para o conhecimento da passagem da Idade do Bronze para a Idade do Ferro no Noroeste peninsular.
Perguntas frequentes
- Onde fica o Castro de São Julião?
- Situa-se no alto do monte de São Julião, sobre o vale do rio Homem, nas freguesias de Ponte e Coucieiro, concelho de Vila Verde, distrito de Braga.
- De que época é o povoado?
- A ocupação principal inicia-se por volta de 900 a.C., no Bronze Final, prolongando-se pela Idade do Ferro; há ainda vestígios anteriores e reocupações posteriores.
- O sítio está classificado?
- Sim. A Citânia de São Julião está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1982 (Decreto n.º 28/82).