Arqueologia

Conímbriga

Conímbriga, em Condeixa-a-Nova, é a maior e mais estudada cidade romana de Portugal, com fórum, termas, muralhas e mosaicos notáveis.

Conímbriga
Hugo Ferreira, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

Conímbriga é a maior e mais bem estudada cidade romana de Portugal. Implantada num esporão sobre os vales das ribeiras dos Mouros e da Ferreira, na atual freguesia de Condeixa-a-Velha, a poucos quilómetros a sul de Coimbra, o sítio reúne mais de um século de investigação arqueológica continuada e oferece uma das visões mais completas da vida urbana romana no Ocidente peninsular.

De oppidum indígena a cidade romana

O topónimo, terminado no sufixo céltico -briga, denuncia a ocupação pré-romana do local. Quando as legiões de Décimo Júnio Bruto chegaram à região, por volta de 138 a.C., Conímbriga era já um povoado fortificado de população indígena. A integração no mundo romano foi gradual: a cidade adotou progressivamente os modelos urbanísticos, jurídicos e culturais de Roma, num processo que a arqueologia documenta com rara nitidez.

A grande transformação ocorreu sob Augusto, no final do século I a.C., com uma profunda renovação urbanística. Construíram-se então o fórum, as termas, a basílica e novas infraestruturas de água e saneamento. No reinado de Vespasiano (cerca de 70-80 d.C.), Conímbriga ascendeu à condição de município de direito latino, marco que consolidou o seu estatuto na província da Lusitânia.

A excecional conservação de Conímbriga deve-se, em parte, à sua própria queda: ao erguer-se à pressa uma poderosa muralha tardia, no século III ou IV, sacrificaram-se edifícios inteiros como pedreira, selando sob os alicerces vestígios que de outro modo se teriam perdido.

Fórum, termas e as grandes domus

O conjunto monumental organiza-se em torno do fórum, recinto cívico e religioso que conheceu sucessivas reformulações. A ele somam-se complexos termais, um sistema de abastecimento de água por aqueduto e bairros de comércio, indústria e habitação, além de uma estalagem junto à via que atravessava a cidade.

O esplendor de Conímbriga revela-se sobretudo nas residências aristocráticas. A Casa de Cantaber, uma das maiores domus conhecidas do Império a ocidente, e a Casa dos Repuxos, com o seu peristilo ajardinado animado por dezenas de jogos de água, conservam pavimentos de mosaicos policromos de notável qualidade, com cenas mitológicas, geométricas e venatórias. Estes vestígios fazem de Conímbriga uma referência incontornável da arqueologia romana em Portugal e do estudo do Portugal romano.

Declínio, redescoberta e musealização

A pressão das incursões germânicas e a instabilidade do Baixo-Império motivaram a construção da muralha tardia, que reduziu o perímetro defendido. Em 468 d.C., fontes tardias referem o saque da cidade pelos Suevos. Conímbriga não foi imediatamente abandonada, mas o centro de poder regional deslocou-se para Aeminium — a futura Coimbra, que herdaria mesmo o seu nome —, e o povoado entrou em declínio ao longo da Alta Idade Média.

Esquecida durante séculos, a cidade voltou a ser objeto de atenção erudita em 1873, com os trabalhos do Instituto de Coimbra. Classificada como Monumento Nacional em 1910 e alvo de campanhas sistemáticas desde 1928, é hoje gerida em conjunto com o seu museu de sítio. Para aprofundar a visita às estruturas e aos espólios escavados, veja as páginas dedicadas às ruínas romanas de Conímbriga e ao Museu Nacional de Conímbriga, instituição inaugurada em 1962 e responsável pela conservação e estudo do sítio.

Perguntas frequentes

Onde fica Conímbriga?
Conímbriga situa-se na freguesia de Condeixa-a-Velha, concelho de Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra, cerca de 16 km a sul da cidade de Coimbra.
Porque é Conímbriga tão importante para a arqueologia portuguesa?
É a maior cidade romana escavada em Portugal e uma das mais bem estudadas da Península Ibérica, com fórum, termas, muralhas e casas senhoriais decoradas com mosaicos policromos de grande qualidade.
Quando começaram as escavações em Conímbriga?
Os primeiros trabalhos arqueológicos datam de 1873, conduzidos pelo Instituto de Coimbra, tendo as campanhas sistemáticas avançado a partir de 1928. O sítio foi classificado como Monumento Nacional em 1910.

Fontes

  1. Conímbriga — Wikipédia
  2. Museu Nacional de Conímbriga
  3. Conímbriga — RTP Ensina