Denkmäler
Palácio de Belém
O Palácio de Belém, em Lisboa, antigo paço real do século XVI, é a residência oficial do Presidente da República Portuguesa desde 1910.
O Palácio de Belém ergue-se na frente ribeirinha ocidental de Lisboa, sobre a Praça Afonso de Albuquerque, a poucos passos do conjunto monumental da zona. A sua característica fachada de tom rosado e o ritmo sóbrio das janelas escondem mais de cinco séculos de história, durante os quais o edifício passou de residência aristocrática a paço real e, por fim, a sede da chefia do Estado português. É hoje um dos símbolos mais reconhecíveis da República.
Das origens quinhentistas ao paço real
O núcleo primitivo do palácio foi mandado erguer por volta de 1559 por D. Manuel de Portugal, fidalgo da casa dos condes de Vimioso, em terrenos que pertenciam aos monges do mosteiro de Belém. Tratava-se então de uma quinta de recreio assomada ao Tejo, num arrabalde rural distante da cidade. A propriedade conheceu sucessivos proprietários até que, em 1726, D. João V a adquiriu para a Coroa, transformando-a em residência de veraneio da família real e ampliando-a com novas alas, jardins e o picadeiro que ainda subsiste.
Foi entre os muros de Belém que D. José I e a corte se refugiaram após o terramoto de 1755 — o trauma do desastre ditaria o medo de paredes do monarca e a preferência régia por construções amovíveis e arejadas.
A resistência da quinta ao sismo conferiu-lhe um lugar particular na memória dinástica. Ao longo do século XIX, o palácio serviu para alojar visitantes ilustres e, a partir de 1886, foi residência do príncipe D. Carlos antes da sua subida ao trono. As intervenções deste período acentuaram o cunho barroco e neoclássico do interior, com espaços como a Sala das Bicas, a Sala Dourada e a Sala Império.
Residência do Chefe de Estado
Com a implantação da República, em 1910, o destino do edifício mudou de forma decisiva: foi escolhido para residência oficial do Presidente da República, função que mantém até hoje. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, o palácio voltou ao centro da vida política nacional ao acolher a Junta de Salvação Nacional, e desde então é palco de cerimónias de Estado, audiências e da tomada de posse dos sucessivos Presidentes.
O conjunto integra ainda o Museu da Presidência da República, que reúne acervo ligado aos chefes de Estado e abre ao público a memória institucional do regime republicano. O Palácio de Belém foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1967 e elevado a Monumento Nacional em 2007.
Um conjunto no coração monumental de Belém
A localização do palácio integra-o num dos mais densos roteiros patrimoniais do país. A escassa distância encontram-se o Mosteiro dos Jerónimos, obra-prima do manuelino e símbolo da era dos Descobrimentos, e a fluvial Torre de Belém, ambos classificados pela UNESCO. Esta concentração faz de Belém um território de leitura privilegiada para compreender a representação do poder em Portugal, do mecenato régio à simbólica republicana.
Enquanto antiga residência da realeza, o Palácio de Belém dialoga com os demais paços reais portugueses, nomeadamente o vizinho Palácio Nacional da Ajuda, erguido na colina sobranceira para acolher a corte oitocentista. Em conjunto, estes edifícios desenham a geografia do poder na cidade de Lisboa e ilustram a passagem da monarquia à República sem ruptura no uso cerimonial dos espaços.
Häufige Fragen
- Pode visitar-se o Palácio de Belém?
- Sim. O palácio acolhe visitas guiadas regulares e abre o Museu da Presidência da República, embora o acesso às áreas de trabalho do Chefe de Estado seja reservado.
- Desde quando é residência do Presidente da República?
- O Palácio de Belém serve de residência oficial do Presidente da República desde a implantação da República, em 1910, função formalizada nos anos seguintes.
- O Palácio de Belém sobreviveu ao terramoto de 1755?
- Sim. A antiga quinta de Belém resistiu praticamente ilesa ao sismo de 1755, abrigando D. José I e a família real, que aí permaneceram durante meses.