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Forte de São João Baptista das Berlengas

Forte seiscentista de São João Baptista, na ilha da Berlenga Grande ao largo de Peniche, fortaleza marítima e Monumento Nacional desde 1938.

Forte de São João Baptista das Berlengas
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

O Forte de São João Baptista das Berlengas ergue-se num pequeno ilhéu rochoso junto à Berlenga Grande, a maior ilha do arquipélago das Berlengas, situado ao largo de Peniche, no distrito de Leiria. Implantado num afloramento batido pelo Atlântico e ligado à ilha por uma estreita ponte de pedra, constitui um dos exemplos mais singulares da arquitetura militar marítima portuguesa e está classificado como Monumento Nacional desde 1938.

Do mosteiro à fortaleza

O local tem uma ocupação anterior à fortificação. Por volta de 1513, com o patrocínio da rainha D. Leonor, monges da Ordem de São Jerónimo instalaram-se na ilha, fundando um mosteiro cuja missão incluía o auxílio à navegação e o socorro às vítimas dos frequentes naufrágios naquela costa. O isolamento, a aspereza do clima e a exposição a ataques de corsários tornaram a vida monástica difícil, e a comunidade acabou por abandonar o local ao longo do século XVI.

Durante a Guerra da Restauração (1640–1668), o Conselho de Guerra de D. João IV reconheceu o valor estratégico da Berlenga como posto avançado de vigilância da costa. Em 1651 determinou-se a demolição das ruínas do mosteiro e o reaproveitamento da sua pedra na construção de uma nova fortaleza, concluída por volta de 1656. Ainda em obras, em 1655, a estrutura resistiu a um primeiro ataque de embarcações corsárias.

Cerco e declínio

O episódio militar mais célebre do forte ocorreu em 1666, quando uma frota espanhola muito superior cercou a guarnição. Apesar da enorme desproporção de forças, os defensores resistiram durante vários dias antes de se renderem, num feito que entrou na memória heroica nacional. A fortaleza voltaria a ter papel ativo durante a Guerra Civil Portuguesa (1828–1834), então em mãos miguelistas, servindo de base aos liberais no assalto à vizinha Fortaleza de Peniche.

Com a evolução do armamento ao longo do século XIX, o forte perdeu relevância militar e foi desartilhado em 1847, passando a servir de apoio à pesca. A sua planta poligonal, com faces voltadas ao mar rasgadas por canhoneiras e casamatas encostadas ao lado de terra, ilustra bem o tipo de fortificação costeira que protegia o litoral atlântico, integrando o universo dos fortes costeiros portugueses e da grande família dos castelos e estruturas defensivas do país.

Recuperação e usos atuais

Em meados do século XX, o forte foi parcialmente recuperado e adaptado a unidade de alojamento, funcionando como pousada simples para visitantes da ilha. A Berlenga Grande integra hoje uma reserva natural e foi reconhecida como Reserva da Biosfera pela UNESCO, o que conjuga a proteção do património construído com a conservação de um ecossistema marinho e ornitológico de grande valor. O acesso faz-se por barco a partir de Peniche, em ligações sazonais, e o conjunto formado pela ilha, pelo ilhéu e pelo forte constitui um dos cenários mais marcantes do litoral oeste português.

Perguntas frequentes

Onde fica o Forte de São João Baptista das Berlengas?
Situa-se num ilhéu rochoso junto à Berlenga Grande, no arquipélago das Berlengas, ao largo de Peniche (distrito de Leiria), ligado à ilha por uma ponte estreita.
Quando foi construído o forte?
Foi mandado erguer por D. João IV durante a Guerra da Restauração, com obras entre 1651 e 1656, sobre as ruínas de um antigo mosteiro hieronimita.
O forte está classificado como Monumento Nacional?
Sim, encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1938.

Fontes

  1. Forte de São João Batista das Berlengas — Wikipédia
  2. Forte de São João Baptista / Forte da Berlenga — SIPA
  3. Forte de São João Baptista — Berlengas.org