Lugares
Idanha-a-Velha
Idanha-a-Velha, aldeia histórica do concelho de Idanha-a-Nova, erguida sobre a romana Egitânia, com basílica paleocristã e muralhas.
Idanha-a-Velha é uma pequena aldeia da Beira Baixa, no concelho de Idanha-a-Nova e distrito de Castelo Branco, erguida sobre as ruínas da cidade romana de Egitânia, junto à ribeira do Pônsul. Apesar de hoje contar poucas dezenas de habitantes, condensa num punhado de ruas mais de dois mil anos de história, sobrepondo a matriz romana às fases sueva, visigótica, islâmica e medieval. É um dos lugares mais antigos da rede das Aldeias Históricas de Portugal e um raro caso em que o tecido urbano antigo permaneceu legível.
Da Egitânia romana à sede episcopal
A povoação nasceu como civitas Igaeditanorum, capital do povo dos Igeditanos, organizada no tempo do imperador Augusto, no século I a.C. Situada num eixo viário entre a Lusitânia interior e Mérida (Emerita Augusta), a Egitânia recebeu muralha, fórum, edifícios públicos e uma ponte sobre o Pônsul. Os vestígios deste período continuam visíveis no troço de muralha, em fustes e capitéis reaproveitados e na vasta coleção de epígrafes reunida no antigo lagar de varas, no extremo sueste da aldeia. A leitura mais detalhada destes vestígios materiais é desenvolvida na página sobre a arqueologia da Egitânia, que enquadra Idanha-a-Velha no Portugal romano.
Com a cristianização, Egitânia tornou-se sede de diocese: um bispo de Idanha participou no Concílio de Lugo, em 569, e o topónimo figura em documentação do século VI. O bispado conferiu à cidade um peso administrativo e religioso que a colocou entre os centros mais importantes da Beira interior durante a época visigótica.
A continuidade de ocupação é aqui o verdadeiro monumento: cada igreja, torre ou muro reutiliza materiais da fase anterior, fazendo da aldeia uma espécie de palimpsesto construído ao longo de vinte séculos.
A catedral e a herança medieval
O edifício mais notável é a antiga catedral, frequentemente designada por basílica paleocristã. De planta de três naves, separadas por colunas que sustentam arcos — em parte de inspiração visigótica —, reúne elementos paleocristãos, visigóticos e medievais, com fustes reaproveitados de construções romanas anteriores. Este conjunto é tratado em detalhe na página dedicada à Sé de Idanha-a-Velha.
A diocese de Egitânia foi suprimida na sequência da invasão muçulmana de 715 e só viria a ser restaurada, já transferida, como diocese da Guarda, em 1199. Após a Reconquista, o território foi consolidado sob a Coroa portuguesa e, em 1319, D. Dinis doou a povoação à Ordem de Cristo. Desse período subsiste a Torre dos Templários, construída sobre os alicerces de um templo romano. A perda do estatuto episcopal e o assoreamento provocado por cheias do Pônsul contribuíram para o declínio que fez de Idanha-a-Velha uma aldeia, enquanto o povoamento se deslocava para Idanha-a-Nova.
Um lugar entre aldeias históricas
Idanha-a-Velha integra-se num conjunto de povoações de granito da raia e da serra que preservam memórias muito antigas. Nas imediações ergue-se Monsanto, célebre pelas casas encaixadas em enormes penedos, com a qual partilha a mesma freguesia. O percurso por estas aldeias, no contexto da região Centro, permite compreender como a fronteira interior portuguesa se foi sedimentando, da cidade romana à fortificação medieval. Em Idanha-a-Velha, essa estratificação está toda à vista, ao alcance de quem percorre as ruas estreitas que ainda seguem, em parte, o traçado da antiga Egitânia.
Perguntas frequentes
- Onde fica Idanha-a-Velha?
- Fica na freguesia de Monsanto e Idanha-a-Velha, concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, na Beira Baixa, junto à ribeira do Pônsul.
- Qual era o nome romano de Idanha-a-Velha?
- Chamava-se Egitânia, capital da civitas Igaeditanorum, fundada no tempo de Augusto, no século I a.C.
- O que se pode visitar em Idanha-a-Velha?
- Destacam-se a antiga catedral (basílica paleocristã), o troço de muralha romana, a Torre dos Templários e o lagar de varas com a coleção epigráfica.