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Mosteiro e Igreja de Santa Cruz (Coimbra)

O Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, casa-mãe dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho: igreja manuelina, túmulos de Afonso Henriques e Sancho I e Panteão Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada da Igreja do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Coimbra, Coimbra
Construção
1131 (fundação); 1507–1530 (reforma manuelina)
Estilo
Românico, Manuelino e Maneirista

No coração da Baixa de Coimbra, junto à atual Praça 8 de Maio, ergue-se o Mosteiro de Santa Cruz, uma das mais antigas e influentes casas religiosas de Portugal. Fundado em 1131, foi a casa-mãe dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho no reino e tornou-se, desde cedo, um centro de cultura, escrita e poder ligado ao nascimento da nação. A sua igreja — hoje conhecida simplesmente como Igreja de Santa Cruz — guarda os túmulos dos dois primeiros reis de Portugal e resulta sobretudo da profunda reforma promovida por D. Manuel I a partir de 1507, que a dotou de um dos conjuntos manuelinos mais coerentes do país.

Fundação e os primeiros tempos

A fundação concretizou-se a partir de um pequeno grupo de cónegos que adotou a regra de Santo Agostinho, tendo São Teotónio — considerado o primeiro santo português — como primeiro prior. O mosteiro beneficiou do apoio direto de D. Afonso Henriques, numa Coimbra ainda próxima da fronteira com o domínio islâmico, junto ao rio Mondego. O primitivo edifício românico foi construído ao longo do século XII e do início do XIII, sob a direção do mestre Roberto.

Mais do que um espaço de oração, Santa Cruz foi um foco intelectual: aqui funcionaram um scriptorium, uma biblioteca e uma escola que formaram parte da elite letrada do jovem reino, num diálogo permanente com a vizinha catedral, a Sé Velha de Coimbra.

Santa Cruz é, mais do que uma igreja, um arquivo em pedra da fundação de Portugal: aqui repousam os reis fundadores, no mesmo espaço onde se escreveu boa parte da cultura medieval do reino e onde se inventou a linguagem manuelina.

A reforma manuelina

A partir de 1507, D. Manuel I lançou uma campanha de obras que substituiu quase por completo o edifício medieval, abrangendo a igreja e as dependências monásticas. A nave única e a capela-mor foram cobertas por abóbadas nervuradas de grande qualidade, em trabalhos dirigidos por Diogo de Boitaca e pelo coimbrão Marcos Pires, num dos exemplos maiores do estilo manuelino.

A fachada foi reformulada com um pórtico cenográfico, erguido entre 1522 e 1526 sob a direção de Diogo de Castilho e do francês Nicolau de Chanterene, num diálogo entre o vocabulário tardo-gótico e os primeiros ecos do Renascimento. No interior conserva-se um dos elementos mais admirados do templo, o púlpito de Chanterene (c. 1521), peça onde a escultura renascentista atinge enorme refinamento.

Os túmulos régios

O grande significado simbólico de Santa Cruz reside nos túmulos dos dois primeiros monarcas portugueses. Até ao início do século XVI, D. Afonso Henriques e D. Sancho I jaziam em sepulturas modestas; a reforma manuelina trasladou os seus restos para novos e monumentais túmulos na capela-mor, dispostos frente a frente. Emoldurados por retábulos pétreos de transição entre o gótico final e o Renascimento, integram estátuas jacentes que representam os reis.

Foi precisamente esta condição de sepultura dos fundadores do reino que justificou a elevação de Santa Cruz a Panteão Nacional, pela Lei n.º 35/2003, de 22 de agosto.

Sacristia, claustros e tesouro artístico

A sacristia, construída entre 1622 e 1624 segundo traça de Pedro Nunes Tinoco, é um exemplo de transição para o Maneirismo e guarda um valioso conjunto pictórico, com obras associadas a Vasco Fernandes (Grão Vasco) e a Cristóvão de Figueiredo, bem como azulejaria seiscentista.

Para além dos túmulos régios, o conjunto guarda um notável cadeiral de talha, um órgão barroco e o célebre Claustro do Silêncio. Nas imediações subsiste ainda o Claustro da Manga, com a sua fonte renascentista, testemunho da ambição decorativa da época. O percurso faz de Santa Cruz uma síntese rara das artes portuguesas dos séculos XVI e XVII.

Significado e visita

Classificado como Monumento Nacional em 1910, o Mosteiro de Santa Cruz integra o roteiro essencial dos grandes mosteiros do país, ao lado do Mosteiro de Alcobaça, e é comparável, na ambição arquitetónica da sua campanha manuelina, ao Mosteiro da Batalha. Inserido na rica paisagem patrimonial de Coimbra, visitar a igreja e os seus espaços é, em larga medida, percorrer o próprio nascimento de Portugal.

Perguntas frequentes

Quem está sepultado no Mosteiro de Santa Cruz?
Os dois primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e seu filho D. Sancho I, cujos restos foram trasladados para novos túmulos manuelinos na capela-mor da igreja durante a reforma promovida por D. Manuel I.
Quem fundou o Mosteiro de Santa Cruz?
Foi fundado em 1131 por um grupo de cónegos que adotou a regra de Santo Agostinho, entre os quais São Teotónio, primeiro prior da casa e considerado o primeiro santo português, com o apoio de D. Afonso Henriques.
Santa Cruz é Panteão Nacional?
Sim. Por albergar os túmulos dos reis fundadores, foi reconhecida como Panteão Nacional pela Lei n.º 35/2003, de 22 de agosto.
Quem fez o púlpito da igreja?
O púlpito renascentista é obra do escultor francês Nicolau de Chanterene e data de cerca de 1521.

Fontes

  1. Mosteiro de Santa Cruz — Wikipédia
  2. Igreja de Santa Cruz / Panteão Nacional — Câmara Municipal de Coimbra
  3. SIPA / Património Cultural — ficha do imóvel
  4. Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra — Presidência da República

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