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Igreja de Santa Cruz (Coimbra)

A Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, guarda os túmulos régios de Afonso Henriques e Sancho I, o púlpito manuelino de Chanterene e é Panteão Nacional.

Igreja de Santa Cruz (Coimbra)
Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

A Igreja de Santa Cruz é o templo do antigo Mosteiro de Santa Cruz, no coração da Baixa de Coimbra, junto à atual Praça 8 de Maio. Fundada em 1131 sob o patrocínio de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, foi durante a Idade Média um dos mais influentes centros monásticos do reino, sede de uma comunidade de cónegos regrantes de Santo Agostinho e de um notável scriptorium e biblioteca. A igreja que hoje se visita resulta sobretudo da profunda reforma promovida por D. Manuel I a partir de 1507, que reconstruiu o templo românico primitivo e o dotou de um dos conjuntos manuelinos mais coerentes do país.

A reforma manuelina

A partir de 1507, D. Manuel I lançou uma campanha de obras que substituiu quase por completo o edifício medieval. A nave única e a capela-mor foram cobertas por abóbadas manuelinas de grande qualidade, em trabalhos dirigidos por Diogo de Boitaca e pelo coimbrão Marcos Pires. A própria fachada foi reformulada com um pórtico cenográfico, erguido entre 1522 e 1526 sob a direção de Diogo de Castilho e do francês Nicolau de Chanterene, num diálogo entre o vocabulário tardo-gótico e os primeiros ecos do Renascimento. No interior conserva-se um dos elementos mais admirados do templo, o púlpito atribuído a Chanterene (c. 1521), peça onde a escultura renascentista atinge enorme refinamento.

Santa Cruz é, mais do que uma igreja, um arquivo em pedra da fundação de Portugal: aqui se cruzam a memória dos reis fundadores e a invenção da linguagem manuelina.

Os túmulos régios

O grande significado simbólico de Santa Cruz reside nos túmulos dos dois primeiros monarcas portugueses. Até ao início do século XVI, D. Afonso Henriques e D. Sancho I jaziam em sepulturas modestas, mas a reforma manuelina trasladou os seus restos para novos monumentos na capela-mor, dispostos frente a frente. Emoldurados por retábulos pétreos de transição entre o gótico final e o Renascimento, integram esculturas jacentes que representam os reis. Foi precisamente esta condição de sepultura dos fundadores do reino que justificou, em 2003, a elevação da igreja a Panteão Nacional, pela Lei n.º 35/2003.

Sacristia e tesouro artístico

A sacristia, construída entre 1622 e 1624 segundo traça de Pedro Nunes Tinoco, é um exemplo de transição para o Maneirismo e guarda um valioso conjunto pictórico, com obras associadas à oficina de Vasco Fernandes (Grão Vasco) e a Cristóvão de Figueiredo, bem como azulejaria seiscentista. O conjunto faz de Santa Cruz uma síntese rara das artes portuguesas dos séculos XVI e XVII.

Classificada como Monumento Nacional em 1910, a igreja integra-se na rica paisagem patrimonial de Coimbra, a par de monumentos como a Sé Velha de Coimbra. Sendo o templo do Mosteiro de Santa Cruz, constitui também um dos exemplares maiores do estilo manuelino, comparável, na ambição arquitetónica, ao Mosteiro da Batalha.

Perguntas frequentes

Quem está sepultado na Igreja de Santa Cruz?
Acolhe os túmulos régios dos dois primeiros reis de Portugal, D. Afonso Henriques e seu filho D. Sancho I, transladados para novos monumentos manuelinos no início do século XVI.
A Igreja de Santa Cruz é Panteão Nacional?
Sim. Foi reconhecida como Panteão Nacional pela Lei n.º 35/2003, de 22 de agosto, distinção ligada aos sepulcros dos reis fundadores.
Quem fez o púlpito manuelino da igreja?
O célebre púlpito renascentista é atribuído ao escultor francês Nicolau de Chanterene, datando de cerca de 1521.

Fontes

  1. Mosteiro de Santa Cruz — Wikipédia
  2. Igreja de Santa Cruz / Panteão Nacional — Câmara Municipal de Coimbra
  3. SIPA / Património Cultural — ficha do imóvel