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Igrejas do Carmo e das Carmelitas (Porto)

As Igrejas do Carmo e das Carmelitas, no Porto, par de templos geminados separado pela casa mais estreita da cidade e revestidos de azulejo.

Igrejas do Carmo e das Carmelitas (Porto)
Dale Cruse - 10M views from San Francisco, CA, USA, CC BY 4.0 — Wikimedia Commons

Poucas imagens do Porto são tão reproduzidas como a do conjunto formado pelas Igrejas das Carmelitas e do Carmo, na confluência da Rua do Carmo com a Praça de Carlos Alberto e a Rua de Cedofeita. De longe, o olhar lê uma única e imponente fachada barroca; de perto, percebe-se que são dois templos distintos, separados pela casa mais estreita da cidade — a célebre Casa Escondida — e revestidos por um dos mais espetaculares panos de azulejo de todo o Porto.

Dois templos, dois séculos

A história começa com os Carmelitas Descalços, autorizados a fixar-se no Porto em 1616. A primeira pedra da sua igreja foi lançada em 1619 e o templo concluiu-se por volta de 1628, com a campanha decorativa a prolongar-se até meados do século. A Igreja das Carmelitas é um exemplar erudito de fachada maneirista — três arcos de entrada e frontão triangular —, que guarda no interior um notável património de talha barroca e rococó, com destaque para o retábulo-mor.

Mais de um século depois, foi a vez da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo. Em terreno cedido em 1752, ergueu-se entre 1756 e 1768 a Igreja do Carmo, traçada pelo arquiteto José de Figueiredo Seixas, discípulo de Nicolau Nasoni. É uma das obras-primas do rococó português: fachada movimentada, portal ladeado pelas estátuas dos profetas Elias e Eliseu e uma riqueza de talha dourada que rivaliza com a da vizinha Igreja de São Francisco.

A proximidade dos dois templos não é acaso nem mero acidente urbano: a Casa Escondida nasceu precisamente para contornar a proibição de que duas igrejas partilhassem uma parede comum.

A Casa Escondida

Entre as duas fachadas insere-se uma estreitíssima habitação, com pouco mais de um metro e meio de largura, que durante décadas passou despercebida a quem subia a rua. A sua função era jurídica antes de ser residencial: impedida a parede comum, esta casa-tampão garantia a separação legal exigida entre os dois edifícios religiosos. Habitada até ao século XX, é hoje uma curiosidade muito procurada, exemplo da engenhosidade com que a cidade resolveu um constrangimento normativo.

O grande pano de azulejo

O elemento que mais fixa a memória do visitante é, contudo, posterior às duas igrejas. A fachada lateral da Igreja do Carmo, virada à Praça de Carlos Alberto, está integralmente coberta por um vasto painel azul e branco que narra cenas ligadas à fundação da Ordem do Carmo e ao Monte Carmelo. Concebido por Silvestre Silvestri e pintado por Carlos Branco, foi executado em 1912 numa fábrica de Vila Nova de Gaia. Esta solução de azulejo de fachada monumental, característica da viragem do século, transformou uma parede cega num dos cartazes visuais mais fotografados da cidade.

Significado e classificação

O conjunto situa-se no coração do Porto histórico, a poucos passos da Torre dos Clérigos e dentro da malha que integra o Centro Histórico do Porto, classificado como Património Mundial. Em 3 de maio de 2013, as duas igrejas foram classificadas em conjunto como Monumento Nacional, reconhecimento que sublinha não apenas o valor artístico de cada templo — o maneirismo seiscentista e o rococó setecentista — mas também a singularidade do diálogo arquitetónico que estabelecem, mediado por uma casa de um metro e meio.

Perguntas frequentes

Porque é que há uma casa estreita entre as duas igrejas?
A Casa Escondida, com pouco mais de um metro e meio de largura, separa fisicamente as duas igrejas porque a lei proibia que dois templos partilhassem uma parede comum. Durante muito tempo serviu de habitação e é apontada como uma das casas mais estreitas do Porto.
As duas igrejas são o mesmo edifício?
Não. São templos independentes e contíguos: a Igreja das Carmelitas, maneirista do século XVII, e a Igreja do Carmo, rococó do século XVIII. Vistas de longe parecem uma só fachada monumental.
Quando foi pintado o painel de azulejos da fachada lateral?
O grande painel azul e branco da fachada lateral da Igreja do Carmo foi concebido por Silvestre Silvestri e pintado por Carlos Branco em 1912, em Vila Nova de Gaia.

Fontes

  1. Igreja do Carmo (Porto) — Wikipédia
  2. Igreja dos Carmelitas — Wikipédia
  3. DGPC — Igreja e Convento dos Carmelitas / Igreja do Carmo