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Lagos

Lagos, cidade algarvia dos Descobrimentos: muralhas, a Igreja de Santo António, o Forte da Ponta da Bandeira e o antigo Mercado de Escravos.

Lagos
Solasly, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

Na costa ocidental do Algarve, na foz da ribeira de Bensafrim e abrigada pela enseada da baía de Lagos, ergue-se uma das cidades mais carregadas de história do litoral português. Sede de concelho do distrito de Faro, Lagos deve a sua fisionomia a uma sobreposição de épocas: o povoado pré-romano de Lacobriga, o porto medieval cercado de muralhas e, sobretudo, o papel central que desempenhou na epopeia marítima dos séculos XV e XVI.

Da Lacobriga romana à cidade quinhentista

A ocupação humana do sítio remonta a tempos pré-romanos, com o núcleo de Lacobriga, depois integrado na rede de povoações do Sudoeste sob domínio de Roma. Com a Reconquista e a integração definitiva no reino de Portugal, Lagos afirmou-se como porto atlântico de relevo. D. Pedro I concedeu-lhe jurisdição própria em 1361 e, em 1573, D. Sebastião elevou-a à categoria de cidade — distinção rara no Algarve de então e reflexo do peso económico e militar do porto.

A prosperidade traduziu-se em pedra. As muralhas urbanas, ampliadas ao longo dos séculos, fecharam o perímetro antigo e ligam-se à mais ampla tradição das muralhas urbanas portuguesas que defenderam as cidades costeiras de corsários e armadas inimigas.

O porto dos Descobrimentos

Foi a partir de Lagos que o Infante D. Henrique organizou e despachou boa parte das expedições à costa africana. A posição estratégica, voltada para o Atlântico e próxima do promontório de Sagres, fez da cidade um ponto de partida e de chegada das caravelas que abriram a navegação ao longo da costa da Guiné.

Esse protagonismo tem um reverso sombrio. Em 1444 realizou-se em Lagos a primeira venda pública de africanos escravizados trazidos por mar, no edifício hoje conhecido como Mercado de Escravos — considerado o primeiro mercado esclavagista da Europa colonial. O espaço acolhe atualmente um núcleo museológico que confronta o visitante com esta dimensão da história da expansão.

A grandeza náutica de Lagos e a tragédia do tráfico de escravizados nasceram do mesmo porto e do mesmo impulso de expansão — uma ambivalência que a cidade não esconde.

Barroco, fortificações e o terramoto de 1755

No coração urbano, a Igreja de Santo António guarda um dos interiores barrocos mais sumptuosos de Portugal, revestido de talha dourada, azulejaria setecentista e pinturas ilusionistas no teto. Erguida no início do século XVIII como capela do Regimento de Infantaria de Lagos, foi gravemente atingida pelo terramoto de 1755 e reconstruída em 1769.

Junto à frente ribeirinha, o Forte da Ponta da Bandeira, edificado entre 1679 e 1690, integrava o sistema de fortificações marítimas que defendia a então capital do governo militar do Algarve. Pequeno mas bem implantado, é um dos exemplares mais fotografados do conjunto de fortes costeiros do litoral algarvio.

O terramoto e maremoto de 1755 marcaram uma rutura. As vagas que galgaram a baía arrasaram parte da cidade e abalaram a sua primazia regional, com a capitalidade do Algarve a transitar para Faro. Apesar das perdas, Lagos conservou um notável património que continua a testemunhar séculos de protagonismo atlântico, num roteiro algarvio que se estende ao castelo de Silves e a outras escalas do Algarve.

Perguntas frequentes

Porque é Lagos conhecida como a cidade dos Descobrimentos?
Foi a partir de Lagos que o Infante D. Henrique organizou e despachou muitas das expedições à costa de África no século XV. O navegador residiu boa parte do tempo na região e a cidade serviu de base logística à expansão marítima portuguesa.
O que se pode visitar em Lagos?
Destacam-se a Igreja de Santo António, com um dos interiores barrocos mais ricos do país, o Forte da Ponta da Bandeira, as muralhas medievais e quinhentistas e o edifício do antigo Mercado de Escravos.
Lagos foi capital do Algarve?
Sim. Lagos foi sede do governo militar do Algarve e capital da província até ao terramoto de 1755, que devastou a cidade e levou à transferência da capitalidade para Faro.

Fontes

  1. Lagos (Portugal) — Wikipédia
  2. Igreja de Santo António — Fototeca Municipal de Lagos