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Parque da Pena
Parque da Pena, em Sintra: o jardim romântico de D. Fernando II que enquadra o Palácio da Pena, com 85 hectares, lagos, camélias e o mais rico arboreto de Portugal.
O Parque da Pena é o vasto jardim paisagista que envolve e enquadra o Palácio Nacional da Pena, na serra de Sintra. Concebido a par do palácio por D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gota, ocupa cerca de 85 hectares de encostas íngremes e é hoje considerado o mais importante arboreto do país e um dos exemplares maiores do jardim romântico em Portugal.
Um jardim romântico de raiz cénica
Quando, em 1838, D. Fernando II adquiriu o antigo mosteiro hieronimita e os terrenos circundantes, as encostas estavam em grande parte desnudadas. O rei-artista projetou então um parque que não obedece à geometria dos jardins formais, mas sim à estética romântica do jardin paysager: caminhos sinuosos, clareiras, miradouros e súbitas surpresas cénicas que conduzem o visitante por entre uma vegetação densa até pontos de vista dramáticos sobre a serra e o oceano.
Ao longo dos percursos distribuem-se locais de interesse cuidadosamente compostos — a Cruz Alta, ponto mais elevado da serra de Sintra; o Templo das Colunas; o Alto de Santa Catarina; e as feteiras da Rainha e da Condessa. O conjunto traduz o ideal oitocentista de fundir natureza e arquitetura num cenário evocativo, na linha do mesmo gosto romântico que marca o vizinho Palácio de Monserrate e o resto da paisagem cultural sintrense.
Arboreto e Jardim das Camélias
A grande paixão de D. Fernando II foi a botânica. Ao longo de décadas, o rei mandou plantar milhares de árvores oriundas de vários continentes — criptomérias do Japão, fetos arbóreos da Nova Zelândia, cedros do Líbano, araucárias do Brasil, sequoias e tuias da América do Norte —, fazendo do Parque da Pena um arboreto com mais de duas mil espécies. Muitas dessas plantações dependeram de uma vasta rede de contactos internacionais; a condessa d’Edla, Elise Hensler, com quem o rei casou em segundas núpcias, contribuiu com a importação de numerosas espécies americanas.
Entre os recantos mais célebres conta-se o Jardim das Camélias, onde as camélias asiáticas, introduzidas na década de 1840, se tornaram emblema do inverno sintrense e motivo de festas e bailes. Este jardim foi distinguido em 2014 pela International Camellia Society como Jardim de Camélias de Excelência.
Vale dos Lagos e Chalet da Condessa d’Edla
No flanco do parque desenvolve-se o Vale dos Lagos, um conjunto de lagos sucessivos de formas orgânicas, alimentados por nascente e articulados por uma cascata em degraus, com pequenas construções de aparência castelar à mistura. Na zona ocidental ergue-se o Chalet da Condessa d’Edla, residência de inspiração alpina onde o casal real passava longos períodos, rodeada por uma feteira de espécies exóticas.
Integrado na Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO em 1995, o Parque da Pena é hoje gerido pela empresa Parques de Sintra – Monte da Lua e mantém-se como um dos mais notáveis jardins históricos portugueses e testemunho vivo do romantismo e dos revivalismos que moldaram a cultura oitocentista do país.
Perguntas frequentes
- Quem criou o Parque da Pena?
- O rei consorte D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gota, que a partir da década de 1840 transformou as encostas em torno do Palácio da Pena num vasto parque paisagista, plantando milhares de espécies vindas de todo o mundo. A segunda mulher, Elise Hensler, condessa d'Edla, teve papel relevante na introdução de espécies americanas.
- Que dimensão tem o Parque da Pena?
- O parque ocupa cerca de 85 hectares na serra de Sintra e é considerado o mais importante arboreto de Portugal, com mais de duas mil espécies arbóreas e arbustivas autóctones e exóticas.
- O que se pode visitar no parque?
- Destacam-se o Vale dos Lagos, o Jardim das Camélias, a Cruz Alta (o ponto mais alto da serra), o Templo das Colunas, as feteiras e o Chalet da Condessa d'Edla, residência de inspiração alpina construída na zona ocidental do parque.