Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

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Palácio dos Condes de Almada

Palácio dos Condes de Almada ou da Independência, em Lisboa: fundado em 1467, local da conjura de 1640 e Monumento Nacional desde 1910, sede da SHIP.

Perguntas frequentes Fontes
Salão nobre do Palácio da Independência, em Lisboa, com teto de madeira em caixotões, lambril escuro, brasão na parede e cadeiras alinhadas
Manuelvbotelho, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lisboa, Lisboa
Construção
Fundado em 1467; obras até ao século XX
Estilo
Elementos manuelinos e maneiristas

O Palácio dos Condes de Almada, mais conhecido como Palácio da Independência, ergue-se no Largo de São Domingos, ao lado do Rossio, em Lisboa. Foi casa da família Almada desde o século XV e, segundo a Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), foi num espaço do seu jardim que se reuniram alguns dos conjurados da Restauração de 1640. É Monumento Nacional desde 1910, tanto pelo valor artístico como pela memória histórico-política.

Dois registos, dois palácios

O registo nacional lista dois Almadas em Lisboa que podem confundir-se. O Palácio dos Condes de Almada (NINV 3326, registo 70366), «compreendendo os padrões comemorativos da conjuração de 1640», também designado Palácio da Independência, fica no Largo de São Domingos, freguesia de Santa Maria Maior. É o edifício deste guia. O Palácio que pertenceu aos Almadas, Provedores da Casa da Índia, ou Palácio Almada-Carvalhais (NINV 3330, registo 70251) é outro imóvel, no Largo do Conde Barão, n.º 50, na freguesia da Misericórdia, classificado por decreto de 27 de dezembro de 1919. O registo atribui-o a Rui ou Rodrigo Fernandes de Almada, a meados do século XVI, e explica que o nome Almada-Carvalhais vem de um herdeiro nomeado conde de Carvalhais em 1824. As coordenadas dos dois registos distam cerca de 1,2 km. Este guia usa o primeiro.

Da fundação a 1940

O registo e a SHIP concordam em que o palácio foi fundado por D. Fernando de Almada em 1467. Das obras sucessivas que alteraram a traça primitiva, o registo diz que se conservam quatro portas e duas chaminés, semelhantes às do Palácio da Vila de Sintra. A SHIP acrescenta que, nas obras de 1940 dirigidas pelo arquiteto Raul Lino, foram desentaipadas duas portas manuelinas, e descreve as chaminés quinhentistas como pirâmides octogonais truncadas e coroadas de ameias. O registo resume a linguagem do edifício como resultado de intervenções manuelinas e maneiristas, e descreve uma planta retangular em torno de um pátio feito para a circulação de carruagens e uma fachada de dois pisos com muitas janelas e quase sem ornamentação. Para o contexto estilístico, veja o estilo manuelino.

A cronologia da SHIP mostra um palácio com muitos usos. Em 1755 sofreu poucos danos com o terramoto e recolheu doentes do Hospital de Todos-os-Santos. Depois, por ordem do Marquês de Pombal, instalaram-se ali o arquivo do Senado da Câmara, em 1758 acolheu o Tribunal da Relação e, entre 1758 e 1766, foi sede do Senado Municipal. Em 1833 a família retirou-se e, em 1834, Almeida Garrett habitou-o por pouco tempo. Mais tarde acolheu o Liceu Francês e o quartel-general da 1.ª Divisão (1866–1876), serviços do Estado e inquilinos diversos.

Em maio de 1939, um decreto autorizou a aquisição do palácio pela Direção-Geral da Fazenda Pública para a Colónia Portuguesa do Brasil, que o doaria ao Estado. Seguiram-se grandes obras sob a direção de Raul Lino. Foi entregue à SHIP em cerimónia pública na Praça do Comércio em 24 de novembro de 1940, e a posse efetiva ocorreu a 1 de dezembro. Em 1983, por despacho do Secretário de Estado das Finanças, foi cedido na totalidade à SHIP; a saída da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, em 1993, deixou-lhe a posse única do edifício. O texto do registo dá datas diferentes para algumas destas fases, por isso aqui seguem-se as da SHIP, que é a ocupante do palácio.

O jardim e os azulejos

O jardim, sobrelevado em relação ao corpo principal, tem canteiros de buxo em volta de um tanque polilobado e, a norte, encosta a um troço da Cerca Fernandina. A SHIP descreve uma gruta abobadada com embrechados e a Sala dos Conjurados, onde em 1640 se reuniam fidalgos como D. Antão de Almada para planear a conjura que levou à Restauração da Independência a 1 de dezembro. Junto à fonte manuelina há painéis de azulejo com três composições alusivas à Restauração, em molduras rococó que a SHIP data de 1774 e atribui, como provável, a Francisco de Paula e Oliveira, na Fábrica do Rato. O registo destaca ainda, no interior, painéis de azulejos barrocos, de albarradas e historiados de época joanina.

Classificação

O palácio é Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A designação oficial inclui os «padrões comemorativos da conjuração de 1640». O registo associa-o ainda ao conjunto Lisboa Pombalina, integrado na Lista Indicativa portuguesa da UNESCO; uma lista indicativa não é uma inscrição, e o palácio não é Património Mundial. Para uma visão de conjunto das residências nobres, veja os solares e casas senhoriais e os palácios urbanos.

Preparar a visita

O palácio é a sede da SHIP, que o usa para conferências, exposições e outros eventos. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site da Sociedade indicava o horário de segunda a sexta, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, com encerramento ao fim de semana, e visitas guiadas com marcação. O contacto é o telefone +351 213 241 470, em horário de secretaria, ou o formulário do site. Confirme o horário e as condições em sociedadehistorica.pt e verifique se há eventos que alterem o acesso. O Convento e Igreja de São Domingos fica no mesmo largo.

Fotografia de Manuelvbotelho, de 9 de abril de 2014, do salão nobre. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O Palácio dos Condes de Almada é o mesmo que o Palácio da Independência?
Sim. O registo nacional (código 70366) usa as duas designações para o mesmo edifício, no Largo de São Domingos, junto ao Rossio. É diferente do Palácio Almada-Carvalhais, no Largo do Conde Barão, que tem registo próprio.
Porque se chama Palácio da Independência?
Porque, segundo a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, numa dependência do jardim se reuniram alguns dos conjurados que prepararam o 1 de dezembro de 1640, entre eles D. Antão de Almada, proprietário do palácio.
Está classificado?
Sim, como Monumento Nacional, por decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910.
Pode visitar-se?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site da Sociedade Histórica indicava abertura de segunda a sexta, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, e visitas guiadas com marcação.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Palácio dos Condes de Almada, compreendendo os padrões comemorativos da conjuração de 1640 (70366)
  2. Património Cultural, I.P. — Palácio que pertenceu aos Almadas, Provedores da Casa da Índia, ou Palácio Almada-Carvalhais (70251)
  3. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, registos NINV 3326 e 3330
  4. Diário do Governo n.º 136, de 23-06-1910 (decreto de 16-06-1910)
  5. Sociedade Histórica da Independência de Portugal — História do Palácio
  6. Sociedade Histórica da Independência de Portugal — Espaços Exteriores
  7. Sociedade Histórica da Independência de Portugal — Contactos
  8. Wikidata — Palácio dos Condes de Almada (Q7220201)

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