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Monumentos
Pelourinhos do Centro e do Vale do Tejo
Os pelourinhos de Figueira da Foz, Alenquer, Colares, Vila Franca de Xira, Alcanede e Cabeço de Vide, Monumentos Nacionais: datas, restauros e classificação.
Seis pelourinhos de Coimbra, Lisboa, Santarém e Portalegre completam este roteiro de Monumentos Nacionais: Figueira da Foz, Aldeia Galega da Merceana (Alenquer), Colares (Sintra), Vila Franca de Xira, Alcanede (Santarém) e Cabeço de Vide (Fronteira). Todos foram classificados pelo decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. O conjunto é heterogéneo: há um pelourinho barroco, um oitocentista, dois muito reconstruídos e dois manuelinos de aspecto mais fiel. A função da tipologia e o seu contexto nacional estão na página sobre os pelourinhos. As descrições seguem o registo oficial do Património Cultural, I.P.
Figueira da Foz
A Figueira da Foz foi elevada a vila em 1771, e o pelourinho foi levantado em 1782, tardiamente em relação ao ciclo manuelino; o registo admite que reforçasse os poderes municipais ou substituísse um exemplar entretanto desaparecido. É por isso um pelourinho barroco: a coluna é salomónica, assenta numa base convexa e tem um capitel de ordem compósita com o escudo nacional numa das faces. Estava a norte da Praça Velha ou Praça do Comércio, a mais antiga da vila, e em 1932 foi deslocado cerca de 25 metros para o centro da actual Praça General Freire de Andrade, sobre cinco degraus. No mesmo concelho há ainda os pelourinhos de Buarcos e de Redondos, classificados apenas como Imóvel de Interesse Público.
Aldeia Galega da Merceana (Alenquer)
O primeiro foral da povoação, então chamada Montes de Alenquer, é de D. Dinis (1305); o pelourinho deverá datar do foral novo manuelino de 1513. Ergue-se no Largo do Pelourinho, diante da Casa da Rainha ou Paço de D. Leonor, hoje sede da junta de freguesia, onde, segundo a tradição, pernoitava a rainha D. Leonor, mulher de D. João II, nas viagens entre Lisboa e as Caldas da Rainha.
O fuste tem quatro colunelos lisos em espiral à esquerda, entremeados de faixas decoradas com romãs, glandes e vides, e é seccionado a meio por um anel ornamentado. O capitel traz o brasão do antigo concelho, já muito gasto, e o remate é uma pinha octogonal com quatro cogulhos de acanto. O soco de dois degraus é de 1936, ano em que a Câmara substituiu algumas cantarias, incluindo os degraus originais. Sobre o concelho, ver Alenquer.
Colares (Sintra)
Colares teve foral de D. Afonso III em 1255 e foral novo de D. Manuel em 1516, a partir do qual se edificou o actual pelourinho, na principal praça da vila. A plataforma octogonal de três degraus sustenta uma base prismática, um fuste cilíndrico com anel central, espiras e rosetas, e um capitel octogonal liso com quatro cogulhos de acanto e remate cónico espiralado. O registo nota a semelhança com os de Azambuja, Vila Franca de Xira e Alverca e sugere uma oficina especializada na tipologia.
Em 1951 estava em muito mau estado, por fendas causadas pela oxidação dos elementos de ferro; a DGEMN restaurou-o em 1952, trocando as peças de cantaria muito gastas e os chumbadores por elementos de latão, e a Escola Superior de Restauro de Sintra fez nova intervenção em 1997. Veja Sintra.
Vila Franca de Xira
O foral manuelino é de 1510, e o próprio texto régio previa um pelourinho “de bom lavor, com suas escadas”. O monumento está no lugar original, na Praça Afonso de Albuquerque, que então dava para o rio e os cais de embarque, mas foi desmontado várias vezes. Do pelourinho quinhentista restam parte da base e do remate, e o fuste, composto por dois blocos cilíndricos torsos com rosetas entre as estrias, ligados por um anel duplo. O capitel em forma de urna ou jarrão, de tipo barroco, é fruto de restauro, que também recuperou fragmentos e fotografias; a esfera armilar e a cruz da Ordem de Cristo, em ferro forjado, vieram da antiga Quinta do Paraíso.
A história é de desmontagens: no reinado de D. João VI foi desmontado para facilitar a passagem das carruagens reais, a remontagem acabou em 1804, foi retirado em 1891 e substituído por um candeeiro, e a reconstrução actual é de 1953-54, quando a praça foi pavimentada.
Alcanede (Santarém)
O pelourinho de Alcanede, na Rua Manuel Alves Frazão, foi, segundo o registo, construído em 1883, e o capitel, com bolas, cordas e motivos vegetalistas, exprime um gosto neomanuelino. Coroa-o uma estátua de D. Afonso Henriques, feita na mesma altura, em homenagem ao rei que conquistou o castelo e organizou a vila. Tem soco de três degraus e fuste prismático e fica no centro histórico actual, que não corresponde ao núcleo medieval dentro do castelo. Convém notar que o decreto de 1910 classificou um monumento que o próprio registo data de 1883, algo que o texto oficial não explica. Sobre o concelho, ver Santarém.
Cabeço de Vide (Fronteira)
O foral manuelino de Cabeço de Vide é de 1512, e a singela feição manuelina do pelourinho aponta para essa época. Está no Largo da Cadeia, diante da antiga casa da câmara e cadeia comarcã, junto ao que resta do castelo. Sobre três degraus muito rústicos assenta uma base paralelepipédica com dois anéis, e o fuste octogonal liso sustenta o capitel cónico, com quatro ferros em cruz que acabam em serpes e já sem argolas. Uma pinha remata-o, e terá existido uma esfera armilar em granito. Os escudos do capitel mostram as armas de Portugal e as do concelho. Esta vila é do distrito de Portalegre e, portanto, do Alentejo, e não do Vale do Tejo; ver Alentejo. O pelourinho da vila de Fronteira, no mesmo concelho, é Imóvel de Interesse Público.
O que se aprende
Estes seis pelourinhos mostram que “classificado” não quer dizer “intacto”: em Vila Franca de Xira e na Merceana boa parte da pedra é de restauro, em Alcanede e na Figueira a forma é posterior ao século XVI, e só Colares e Cabeço de Vide estão descritos como obras manuelinas pouco alteradas. Para o conjunto nacional veja os pelourinhos, o estilo manuelino e o pelourinho de Évora. Os seis estão em espaço público, sem horário de visita.
Fotografia de Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, de 23 de julho de 2017. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Todos estes pelourinhos são do tempo de D. Manuel I?
- Não. O registo oficial atribui os de Alenquer (Aldeia Galega da Merceana), Colares, Vila Franca de Xira e Cabeço de Vide à época dos forais manuelinos, mas o da Figueira da Foz foi levantado em 1782 e o de Alcanede foi construído em 1883, em gosto neomanuelino.
- O pelourinho de Vila Franca de Xira é original?
- Só em parte. Do monumento quinhentista restam parte da base, o fuste e parte do remate; o resto resulta de intervenções revivalistas, e a reconstrução actual data de 1953-54, depois de o pelourinho ter sido retirado em 1891.
- O pelourinho de Fronteira também é Monumento Nacional?
- Não. No concelho de Fronteira, o Monumento Nacional é o de Cabeço de Vide, classificado em 1910; o pelourinho da vila de Fronteira está classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 23 122, de 11 de outubro de 1933.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Pelourinho da Figueira da Foz (70507)
- Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Aldeia Galega da Merceana (70505)
- Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Colares (69858)
- Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Vila Franca de Xira (71112)
- Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Alcanede (71108)
- Património Cultural, I.P. — Pelourinho de Cabeço de Vide (71157)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Imóvel (serviço ArcGIS, camada 1)
- Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 — decreto de 16 de junho de 1910