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Arqueologia
Arqueologia da Ria de Aveiro
Sítios arqueológicos subaquáticos da Ria de Aveiro, com naufrágios dos séculos XV e XVI que documentam a construção naval ibero-atlântica e norte-europeia.
- Localização
- Aveiro, Aveiro
- Construção
- séculos XV–XVI
A Ria de Aveiro, vasta laguna do litoral centro de Portugal, constitui um dos mais notáveis conjuntos de sítios arqueológicos subaquáticos do país. O regime de assoreamento que deu origem a este sistema lagunar de águas pouco profundas protegeu durante séculos os destroços de embarcações e os respetivos carregamentos, preservando-os em condições raras. Por essa razão, a laguna reúne um número e uma diversidade de vestígios náuticos sem paralelo no contexto português, com relevância à escala internacional.
O navio Ria de Aveiro A
O sítio mais emblemático é o do navio designado Ria de Aveiro A, cujos destroços foram identificados num dos canais da laguna, num local conhecido por “monte dos cacos”. Os trabalhos arqueológicos de salvamento desenvolveram-se a partir de meados da década de 1990, sob a responsabilidade do então Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS). A datação por radiocarbono situou a embarcação em meados do século XV.
A parte preservada do casco constitui, à escala internacional, o mais antigo vestígio conhecido da chamada tradição de arquitetura naval ibero-atlântica e o exemplar mais próximo e contemporâneo das caravelas associadas à expansão marítima portuguesa. Em torno do casco dispersava-se uma extensa carga de cerâmica comum de produção regional, com milhares de fragmentos e dezenas de peças intactas — um dos mais completos conjuntos de cerâmica utilitária tardo-medieval portuguesa alguma vez recuperados. Este acervo permite estudar, em simultâneo, a arqueologia náutica e subaquática e a circulação de produtos cerâmicos no Atlântico da época moderna.
Outros naufrágios e o projeto AMRA
Além do Ria de Aveiro A, a laguna revelou outras embarcações. Os naufrágios Ria de Aveiro F e Ria de Aveiro G, de cronologia moderna, apresentam características típicas da construção naval norte-europeia, o que documenta os contactos da região com as rotas atlânticas e do norte da Europa. A estes juntam-se contextos portuários e cargas cerâmicas associadas a um dos canais de acesso à cidade de Aveiro.
O estudo sistemático destes sítios foi enquadrado pelo projeto Arqueologia Marítima da Ria de Aveiro (AMRA), coordenado pelo CHAM — Centro de Humanidades da NOVA FCSH, com apoio da Direção-Geral do Património Cultural e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O projeto reuniu a investigação dispersa sobre os vários naufrágios, integrando-a na história da laguna medieval e moderna e nas suas ligações às redes europeias e atlânticas.
Significado e conservação
O conjunto da Ria de Aveiro é hoje uma referência incontornável da arqueologia náutica portuguesa, a par de outros complexos como os naufrágios do Arade. Os materiais recuperados — desde elementos estruturais dos cascos até aos carregamentos cerâmicos — têm sido objeto de conservação, estudo e divulgação museológica, contribuindo para o conhecimento das técnicas de construção naval e das dinâmicas comerciais que ligaram a costa portuguesa às margens do Atlântico entre os séculos XV e XVI.
Perguntas frequentes
- O que é o navio Ria de Aveiro A?
- É o destroço de uma embarcação datada por radiocarbono de meados do século XV, considerado o mais antigo vestígio conhecido da tradição de construção naval ibero-atlântica e o exemplar mais próximo e contemporâneo das caravelas dos Descobrimentos.
- Que tipos de naufrágios foram encontrados na Ria de Aveiro?
- Identificaram-se embarcações de tradição ibero-atlântica, como o Ria de Aveiro A, e outras de características norte-europeias, como o Ria de Aveiro F e o Ria de Aveiro G, além de contextos portuários e cargas cerâmicas.
- Porque é a Ria de Aveiro importante para a arqueologia náutica?
- O assoreamento da laguna protegeu durante séculos um número e uma diversidade excecionais de vestígios, fazendo da Ria de Aveiro um dos principais reservatórios de património cultural subaquático de Portugal.
Fontes
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