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Aldeias do Xisto da Serra da Lousã
As 13 Aldeias do Xisto da Serra da Lousã por concelho, de Talasnal e Candal a Gondramaz e Coentral Grande, com arquitetura, trilhos e conselhos para a visita.
- Localização
- Lousã, Coimbra
A Serra da Lousã é o maior dos quatro territórios das Aldeias do Xisto: reúne 13 das 28 aldeias da rede. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal oficial colocava neste território Talasnal, Candal, Cerdeira, Casal Novo, Chiqueiro, Aigra Nova, Aigra Velha, Comareira, Pena, Casal de São Simão, Ferraria de São João, Gondramaz e Coentral Grande. Cada aldeia tem uma ficha própria, que indica também o concelho. Por essa via se confirma que as treze aldeias se repartem por seis municípios: Lousã, Góis, Penela, Figueiró dos Vinhos, Miranda do Corvo e Castanheira de Pera.
Convém saber desde o início o que esta designação significa. As Aldeias do Xisto são uma rede de desenvolvimento rural e turístico. O programa começou em 2001, com fundos comunitários e candidaturas preparadas pelas câmaras municipais. A ADXTUR, agência que hoje coordena a rede, foi criada no final de 2007. Pertencer à rede não é uma classificação de património cultural. Dez das treze fichas da Serra da Lousã referem a inclusão da aldeia no Sítio de Importância Comunitária Serra da Lousã, da Rede Natura 2000. Essa é uma figura de conservação da natureza e também não protege as casas enquanto património edificado.
Onde ficam: seis concelhos numa serra
O território segue o maciço da Serra da Lousã, cujo ponto mais alto é o Trevim (1204 m). As aldeias ocupam vertentes diferentes e não formam um percurso único:
- Lousã: Talasnal, Candal, Cerdeira, Casal Novo e Chiqueiro, na vertente ocidental, todas na bacia da Ribeira de São João.
- Góis: Aigra Nova, Aigra Velha, Comareira e Pena, na vertente norte, perto dos Penedos de Góis.
- Miranda do Corvo: Gondramaz, nos bordos ocidentais do maciço.
- Castanheira de Pera: Coentral Grande, nas cotas altas junto ao Santo António da Neve.
- Penela: Ferraria de São João, no extremo sul da serra.
- Figueiró dos Vinhos: Casal de São Simão, na freguesia de Aguda, no extremo sudoeste.
As duas aldeias do sul pertencem a concelhos diferentes. Penela fica com Ferraria de São João e Figueiró dos Vinhos com Casal de São Simão. As duas estão ligadas pela Ribeira de Alge, que passa junto a Casal de São Simão a caminho do Zêzere.
As cinco aldeias da Lousã
Talasnal é a aldeia que, segundo a própria rede, tem dado mais visibilidade ao conjunto. Fica a 12 km da Lousã, com saída por Cacilhas. O casario estende-se ao longo de um festo voltado para o fundo do vale. Uma ruela principal íngreme dá acesso a quelhas e becos. As casas são de xisto escuro, e quase nenhuma fachada tem reboco. A ficha regista dois antigos lagares de azeite: um está em ruína e o outro, particular, foi recuperado. Talasnal atingiu o máximo de população em 1911, com 129 habitantes. A escola fechou em 1975, quando já só tinha dois alunos. Hoje as casas são segunda habitação, alojamento ou comércio.
Candal fica junto à EN236, a estrada que liga a Lousã a Castanheira de Pera. A ficha refere essa «acessibilidade privilegiada» e descreve-a como uma das aldeias mais visitadas. A maior parte das construções está numa encosta voltada a nascente, em anfiteatro sobre a Ribeira do Candal. Junto à estrada, há uma banda de casas rebocadas e pintadas. Vale a pena subir ao miradouro sobre o casario e procurar o chafariz de 1941. Na ribeira, a ficha assinala cinco moinhos hidráulicos da década de 1920 e um lagar de azeite de 1919, recuperado e com o mecanismo operacional.
Cerdeira desenvolve-se quase na vertical de uma encosta, ao longo de uma única viela que desce até à ribeira. As casas são de xisto escuro e nenhuma fachada está rebocada. Segundo a ficha, a aldeia foi refundada como lugar de criação artística, com residências, oficinas e uma Escola de Artes e Ofícios. A Casa das Artes e Ofícios foi reconstruída no âmbito do programa ECO-ARQ, com materiais locais. Todos os anos, em julho, a aldeia acolhe o festival Elementos à Solta.
Casal Novo passa facilmente despercebida a quem vem pelo estradão, porque a vegetação esconde o seu perfil. A aldeia organiza-se ao longo do caminho que desce para o Santuário da Senhora da Piedade. A antiga eira serve hoje de miradouro sobre a Lousã e o seu castelo. Segundo a ficha, Casal Novo não tem habitantes permanentes desde 1981.
Chiqueiro está mais acima, entre duas pequenas linhas de água. Organiza-se em duas ruelas íngremes de xisto escuro, e só a capela tem reboco. A Capela da Senhora da Guia era partilhada com Casal Novo e Talasnal. A aldeia chegou a ter pároco residente. A festa de Nossa Senhora da Guia realiza-se no segundo sábado de setembro.
Segundo a rede, a ocupação permanente destas cinco aldeias começou na segunda metade do século XVII ou no início do século XVIII. Até então, a serra era usada sobretudo por pastores, na primavera e no verão. Os documentos mais antigos referidos são uma multa da Câmara da Lousã de 1679 e um registo de propriedades foreiras de 1687.
As quatro aldeias de Góis
As quatro aldeias de Góis ficam próximas umas das outras e são apresentadas pela rede como um conjunto. O acesso faz-se a partir da N342 ou da N2, com sinalização para as quatro aldeias.
Aigra Nova tem três pequenas ruas e casas baixas de xisto, com algumas rebocadas. As padieiras das portas são, em geral, de carvalho ou castanho. Aqui funciona o Ecomuseu Tradições do Xisto, com vários núcleos. Há também uma loja da rede e um projeto de maternidade de árvores. O Cadastro da População do Reino, de 1527, já regista no termo de Góis um lugar com quatro moradores, que a ficha identifica com Aigra Nova.
Aigra Velha ocupa uma cumeada, a 770 m de altitude segundo a ficha oficial. As casas são térreas e formam um conjunto fechado, pensado contra o mau tempo, os intrusos e os lobos, com passagens internas entre as habitações. O forno e o alambique da família Claro foram restaurados no âmbito do projeto ECO-ARQ. Pelo acesso a partir da EN2, por Pena, cerca de 2 km são de terra batida.
Comareira é um pequeno núcleo, soalheiro todo o dia, rodeado dos cômoros, os socalcos de terra que provavelmente lhe deram o nome. Constrói-se com xisto e quartzito, e algumas fachadas têm o reboco crespo tradicional. A rede apresenta-a como a sua aldeia mais pequena.
Pena fica sobre um esporão de quartzito, na margem esquerda da Ribeira da Pena, diante dos Penedos de Góis. Tem uma única rua e várias quelhas, construídas em xisto e quartzito. Junto à ponte há um castanheiro monumental. Ao longo da ribeira encontram-se uma levada, um moinho de água particular e poços naturais.
Gondramaz, Coentral Grande e as aldeias do sul
Gondramaz (Miranda do Corvo) estende-se ao longo de uma linha de festo, com uma rua principal de onde partem ruelas estreitas. O xisto cobre fachadas e pavimentos. A ficha destaca o percurso pavimentado acessível a pessoas com mobilidade reduzida e as figuras esculpidas em pedra pelos artesãos locais. À entrada, uma placa reproduz um poema de Miguel Torga. Entre os pontos de interesse estão a Capela de Nossa Senhora da Conceição, uma alminha, o lavadouro e o fontanário.
Coentral Grande (Castanheira de Pera) é a 28.ª aldeia da rede e a exceção geológica do território. Assenta num afloramento de granito no meio do xisto, e a sua arquitetura é granítica. Era a terra dos neveiros, que no inverno recolhiam e prensavam neve no alto do Santo António da Neve para a enviar para Lisboa. A Casa do Neveiro, núcleo museológico instalado em 2002 na antiga Junta de Freguesia, conta essa história. A ficha destaca ainda os passadiços da Ribeira das Quelhas e os poços neveiros, a cerca de 1100 m de altitude.
Ferraria de São João (Penela) fica numa crista de quartzito, no extremo sul da serra. Constrói-se sobretudo em quartzito, com algumas fachadas rebocadas e pintadas de branco. O que a distingue é o conjunto de currais comunitários à beira de um montado de sobreiros. A ficha descreve-o como um dos mais numerosos ainda conservados no país. A aldeia tem também um centro de BTT com vários percursos sinalizados. A estrada de terra batida só chegou em 1961.
Casal de São Simão (Figueiró dos Vinhos) tem praticamente uma só rua, ao longo de uma cumeada sobre a Ribeira de Alge. Constrói-se sobretudo em quartzito. À entrada fica a Ermida de São Simão, com uma inscrição gótica que data a sua conclusão de 1458. Há ainda uma casa com a data de 1701 gravada na padieira e um fontanário de 1939. Uma vereda desce às Fragas de São Simão, onde existe uma praia fluvial. As fragas aparecem no cenário de O Baptismo de Cristo, de José Malhoa, que o pintor ofereceu em 1904 à Igreja Matriz de Figueiró dos Vinhos.
Como são construídas as casas
As fichas destas aldeias descrevem uma construção adaptada ao declive e aos materiais disponíveis. Em Aigra Nova, Comareira e Pena, a casa típica tem dois pisos. O rés-do-chão guardava o gado. O piso de cima servia de habitação e de arrumos para cereais, azeite, carne salgada e alfaias. Em Talasnal, Casal Novo e Chiqueiro há dois tipos de construção: os currais, só com rés-do-chão e cobertura de colmo, e as casas de dois pisos, com o piso superior acessível por uma escada de xisto. Nestas, as paredes de xisto eram assentes com massa de argila e palha, e a estrutura era de castanho ou pinho.
As variações também contam. Muitas fachadas da Lousã ficaram sem reboco. Em Comareira e Pena há rebocos tradicionais, e em Ferraria de São João o piso da habitação era rebocado enquanto os currais ficavam em pedra à vista. O guia das casas de xisto e o de arquitetura vernacular desenvolvem estes temas fora do contexto da rede.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, as fichas oficiais indicavam estes percursos:
- Aldeias da Lousã: os percursos «Caminho do Xisto da Lousã», como o PR2 Rota das Aldeias do Xisto da Lousã, o PR3 Rota da Levada e o PR4 Rota do Trevim.
- Aldeias de Góis: o PR1 GOI, Rota das Tradições do Xisto, e o PR9 GOI, Trilho do Baile.
- Gondramaz: o PR1 MCV, Caminho do Xisto Acessível.
- Ferraria de São João: o PR1 PNL, Trilho do Rebanho, e os percursos do centro de BTT.
- Casal de São Simão: o PR1 FVN, Descida às Fragas.
Antes de sair, confirme na ficha de cada aldeia e na plataforma de percursos da rede o estado dos trilhos, a extensão e o grau de dificuldade.
Planeie a deslocação aldeia a aldeia. Candal fica na EN236. Coentral Grande tem acesso asfaltado a partir da EN236-1. Pelo contrário, as fichas de Talasnal, Chiqueiro e Casal Novo indicam acesso por caminho florestal de terra batida a partir de Cacilhas; para Casal Novo, a rede considera esses estradões transitáveis por veículos ligeiros com condução cuidadosa. Em várias destas aldeias há poucos ou nenhuns residentes permanentes. Muitas casas são habitações particulares: respeite propriedades, quintais e currais. Para alojamento, restauração e eventos, use os contactos da ficha de cada aldeia e os postos de turismo municipais.
Para continuar pela rede, veja as Aldeias do Xisto da Serra do Açor e as Aldeias do Xisto do Zêzere. Para enquadrar o território, consulte a página da região Centro e a de Penela.
Fotografia de Vitor Oliveira, de 9 de abril de 2017. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quantas Aldeias do Xisto há na Serra da Lousã?
- Treze, segundo o portal oficial consultado em 5 de novembro de 2026. Distribuem-se por seis concelhos: Lousã (5), Góis (4), Penela, Figueiró dos Vinhos, Miranda do Corvo e Castanheira de Pera (uma cada).
- Quais são as aldeias do concelho da Lousã?
- Talasnal, Candal, Cerdeira, Casal Novo e Chiqueiro. Ficam na vertente ocidental da serra, na bacia da Ribeira de São João, e estão ligadas entre si por vários percursos pedestres.
- Todas as aldeias são construídas em xisto?
- Não. O xisto domina na maior parte, mas Casal de São Simão e Ferraria de São João são sobretudo de quartzito, e Coentral Grande assenta num afloramento de granito, com arquitetura granítica.
- Ser Aldeia do Xisto é uma classificação patrimonial?
- Não. A rede é um projeto de desenvolvimento e turismo coordenado pela ADXTUR. A integração de uma aldeia na rede não equivale à classificação legal de edifícios ou conjuntos.
Fontes
- Aldeias do Xisto — Território: Serra da Lousã
- Aldeias do Xisto — Talasnal
- Aldeias do Xisto — Candal
- Aldeias do Xisto — Cerdeira
- Aldeias do Xisto — Casal Novo
- Aldeias do Xisto — Chiqueiro
- Aldeias do Xisto — Aigra Nova
- Aldeias do Xisto — Aigra Velha
- Aldeias do Xisto — Comareira
- Aldeias do Xisto — Pena
- Aldeias do Xisto — Casal de São Simão
- Aldeias do Xisto — Ferraria de São João
- Aldeias do Xisto — Gondramaz
- Aldeias do Xisto — Coentral Grande
- ADXTUR — A rede: história e desenvolvimento
- Wikidata — Talasnal (Q15060263), coordenadas
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