Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

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Aldeias do Xisto do Tejo-Ocreza

As quatro Aldeias do Xisto do Tejo-Ocreza: Água Formosa, Figueira, Martim Branco e Sarzedas, com concelhos, ribeiras, história, património e visita.

Perguntas frequentes Fontes
Casas de pedra de Água Formosa em socalcos numa encosta com pinheiros, junto a um passadiço de madeira
Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons

O território Tejo-Ocreza é a unidade mais a sul da rede das Aldeias do Xisto. Na consulta do portal oficial a 5 de novembro de 2026, reunia quatro aldeias em três concelhos: Água Formosa (Vila de Rei), Figueira (Proença-a-Nova), Martim Branco e Sarzedas (ambas em Castelo Branco). Aqui as serras dão lugar à charneca. As ribeiras que passam pelas aldeias correm para o rio Ocreza e, por ele, para o Tejo.

São quatro aldeias muito diferentes. Água Formosa é um vale de moinhos, Figueira uma aldeia agrícola sem igreja, Martim Branco um pequeno povoado de ribeira e Sarzedas uma antiga vila com foral. Este guia segue as fichas oficiais da rede e o registo nacional de património classificado. Pertencer à rede não é uma classificação patrimonial.

Água Formosa: a aldeia da fonte e das azenhas

Água Formosa, no concelho de Vila de Rei, fica numa encosta virada a sul, entre a ribeira da Corga e a ribeira da Galega. A ficha oficial situa-a a cerca de 10 km do Centro Geodésico de Portugal. O casario ocupa sobretudo a margem esquerda da Galega, a mais soalheira, em ruas estreitas que descem para a água. O nome vem, segundo a mesma ficha, de uma fonte de água muito pura. Hoje chega-se a ela por um caminho calcetado com degraus de pedra, e uma abertura no rochedo serve de reservatório.

A origem da aldeia é desconhecida, embora se presuma antiga. A água explica a sua fixação, e a tradição atribui os primeiros moinhos da Galega a moleiros vindos de fora. Restam poços, açudes, levadas, socalcos e a memória das picotas. Das cerca de doze azenhas que existiam ao longo da ribeira subsistem três. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a ficha indicava que só uma funcionava. Os moradores dividem a pequena aldeia em dez sítios com nome próprio, como Badalinho, Tulhas, Lajes, Labrusca ou Rua da Eira.

Ao contrário do que o nome da rede sugere, o material predominante é o quartzito, com muito xisto. As padieiras são de madeira de sobro e oliveira, e algumas casas mantêm o reboco grosseiro tradicional. O piso térreo servia os animais e a lavoura, e o de cima a habitação. Vale a pena ver a Eira dos Réis, o forno a lenha ainda em uso, a ponte pedonal sobre a Galega e o Lagar da Ferrugenta. Segundo a ficha, a população permanente passou de quatro pessoas em 2002 para nove.

Figueira: portas contra os lobos e um forno comunitário

Figueira, no concelho de Proença-a-Nova, fica no ponto em que a aba sul da serra de Alvelos dá lugar à charneca. A aldeia é quase plana e o vale da ribeira da Figueira marca o seu limite norte. Esta ribeira, torrencial e de curta duração, segue para a ribeira das Moitas, depois para o Ocreza e finalmente para o Tejo. O núcleo central pode remontar ao século XVII. Várias casas têm pedras com datas gravadas, algumas do século XIX.

A malha urbana tem uma rua longitudinal e várias transversais. Segundo a tradição recolhida na ficha oficial, à noite fechavam-se com portas para proteger o gado dos lobos; ainda há vestígios dessas portas. Figueira nunca teve capela nem sino, e a comunidade era convocada pelo toque de um búzio. O forno comunitário, o ex-libris da aldeia, parece datar de 1915. Cada família marcava a sua vez com uma tabuleta de madeira identificada, colocada num quadro numerado. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a ficha indicava que o forno ainda cozia pão vários dias por semana.

A construção é de xisto, com pormenores que a ficha considera únicos na rede: ombreiras irregulares, muros com lajes assentes na vertical e quintais delimitados por lajes espetadas no chão. A casa mais notável é a da família Balau, do século XIX, com uma capela particular no interior. Não é visitável. A fonte de meados do século XX tem uma parte para as pessoas e outra para o gado. Há moinhos ao longo da ribeira, e o último dos vários lagares de azeite encerrou em 2010 (ver azeite e olivicultura tradicional). O Atelier da Aldeia ensina a fazer pão.

Martim Branco: a aldeia da ribeira de Almaceda

Martim Branco, no concelho de Castelo Branco e na freguesia de Almaceda, estende-se numa encosta soalheira da margem esquerda da ribeira de Almaceda. A ribeira contorna a aldeia a oeste e desagua no rio Tripeiro, afluente do Ocreza. A ficha oficial situa a aldeia a 24 km de Castelo Branco e a 2 km da EN112. Cita também Pimentel (1881), para quem almaceda seria um nome de origem árabe que significa «águas abundantes». O topónimo Martim Branco parece vir de um nome de pessoa e abrange dois núcleos: Martim Branco Fundeiro, o mais antigo, e Martim Branco – Eiras, mais a montante.

A ficha liga o povoamento efetivo da freguesia ao foral de Sarzedas, de 1212. Afirma ainda, sem rodeios, que a aldeia não tem património construído de tipo religioso ou cultural. O interesse está no conjunto: a Rua da Bica, paralela à ribeira e provavelmente a rua primitiva, a Rua Principal, palheiros, fornos comunitários e açudes. Predominam o xisto e a taipa, com calhaus claros nas fachadas e algumas casas que juntam xisto e granito. A ficha destaca ainda as ferragens das portas, trincos e fechaduras, e os fornos a lenha. Junto à ribeira há moinhos de centeio e milho.

Sarzedas: a antiga vila da charneca

Sarzedas, também no concelho de Castelo Branco, a 18 km da cidade, é a mais urbana das quatro. Fica na charneca, num terreno mais elevado, junto à que foi a principal estrada de Castelo Branco para Proença-a-Nova, Sertã, Abrantes e Coimbra, do século XVIII a grande parte do século XX. Uma lápide funerária latina do século I, encontrada no fim do século XIX e depois perdida, mas conhecida por uma transcrição, atesta a presença romana (ver epigrafia).

A história documentada começa em 1210. D. Sancho I pediu então ao concelho da Covilhã terras para o seu filho D. Gil Sanches e para o arcediago Paio Pais. Os dois deram foral a Sarzedas em 1212, segundo os costumes da Covilhã. D. Manuel I confirmou-o em 1512, o que terá levado à construção do pelourinho. Entre 1630 e 1748, a vila deu nome aos Condes de Sarzedas, e a ficha oficial apresenta-a como a única Aldeia do Xisto com título nobiliárquico. Seguiu-se um período violento. Em 1762, na Guerra dos Sete Anos, o exército invasor franco-espanhol instalou aqui o quartel-general. As tropas napoleónicas saquearam a Igreja Matriz em 1807 e em 1808. Em 1846, um motim queimou o arquivo municipal. Segundo a ficha oficial, o concelho foi extinto em 1848.

O Pelourinho de Sarzedas é Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 23 122, de 11 de outubro de 1933 (ver pelourinhos). No Alto de São Jacinto, a torre sineira da antiga igreja ergue-se isolada junto à Igreja Matriz e serve de miradouro sobre a charneca. A ficha destaca ainda a Capela da Misericórdia, a Fonte da Vila, a Capela de São Pedro (datada de 1603) e a Capela de Santo António. As paredes são de xisto com calhau rolado claro, granito nos vãos e por vezes taipa. A maioria das fachadas está rebocada e pintada com faixas coloridas típicas da Beira Baixa.

Classificação e geoparque

No Atlas do Património Cultural, o único imóvel classificado encontrado nas quatro aldeias é o pelourinho de Sarzedas. Nas freguesias de Vila de Rei, Sobreira Formosa e Alvito da Beira (onde fica Figueira) e Almaceda não surgiu nenhum. A consulta não substitui o inventário municipal. Segundo a entidade gestora, o território do Geoparque Naturtejo inclui os concelhos de Castelo Branco e Proença-a-Nova, onde ficam Figueira, Martim Branco e Sarzedas. Vila de Rei não faz parte dele.

Preparar a visita

As quatro aldeias estão afastadas entre si. A Água Formosa chega-se pela N2, a partir da A23 (saída Abrantes Norte). Figueira fica perto do IC8, junto a Moitas. Martim Branco e Sarzedas estão a norte e a oeste de Castelo Branco, a pouco mais de uma dezena de quilómetros uma da outra. Na consulta de 5 de novembro de 2026, as fichas oficiais indicavam estes Caminhos do Xisto: o PR4 VLR em Água Formosa, o PR8 PNV («Por Muros de Xisto») em Figueira, o PR2 CTB e o PR7 CTB («Rota dos Lagares») em Martim Branco e o PR3 CTB («Nos poços mineiros») em Sarzedas. Indicavam também percursos de bicicleta dos centros Cyclin’Portugal de Sarzedas e da Praia Fluvial da Fróia. A agenda de Figueira anunciava o Proença Cross Trail a 4 de dezembro de 2026.

Confirme datas, condições dos trilhos e serviços nas fichas oficiais das aldeias ou junto dos municípios. Muitas das casas referidas são particulares. As restantes aldeias da rede estão em Aldeias do Xisto da Serra da Lousã, Aldeias do Xisto da Serra do Açor e Aldeias do Xisto do Zêzere. Para as técnicas de construção, veja casas de xisto e arquitetura vernacular; para a região, o Centro.

Fotografia de Vitor Oliveira, de 4 de abril de 2015. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quais são as Aldeias do Xisto do Tejo-Ocreza?
Na consulta do portal oficial a 5 de novembro de 2026, eram quatro: Água Formosa (Vila de Rei), Figueira (Proença-a-Nova), Martim Branco e Sarzedas (ambas em Castelo Branco).
Que património classificado existe nestas aldeias?
No Atlas do Património Cultural, o único imóvel classificado encontrado nestas aldeias é o Pelourinho de Sarzedas, Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 23 122, de 11 de outubro de 1933. A ficha de Martim Branco diz que a aldeia não tem património construído de tipo religioso ou cultural.
As aldeias pertencem ao Geoparque Naturtejo?
Figueira, Martim Branco e Sarzedas ficam nos concelhos de Proença-a-Nova e Castelo Branco, que integram o território do geoparque segundo a entidade gestora. Vila de Rei, onde fica Água Formosa, não consta dessa lista.
Porque é que nem todas são aldeias de xisto puro?
Em Água Formosa, a ficha oficial indica o quartzito como material predominante, com muito xisto. Martim Branco junta xisto, taipa e algum granito, e Sarzedas tem a maioria das fachadas rebocadas e pintadas.

Fontes

  1. Aldeias do Xisto — Território e unidades territoriais
  2. Aldeias do Xisto — Água Formosa
  3. Aldeias do Xisto — Figueira
  4. Aldeias do Xisto — Martim Branco
  5. Aldeias do Xisto — Sarzedas
  6. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (consulta por freguesia)
  7. Diário do Governo — Decreto n.º 23 122, de 11 de outubro de 1933
  8. Naturtejo — Quem Somos
  9. Wikidata — povoações de Água Formosa, Figueira, Martim Branco e Sarzedas