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Casa dos Bicos

Casa dos Bicos, em Lisboa: fachada de pontas de diamante de Brás de Albuquerque, reconstruída após 1981, vestígios romanos e sede da Fundação José Saramago.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada da Casa dos Bicos, revestida de pedras talhadas em ponta de diamante, com janelas de arcos recortados e um edifício amarelo ao lado
Cristina Morettini 95, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lisboa, Lisboa
Construção
c. 1523; reconstruções em 1772 e após 1981
Estilo
Renascimento, com janelas de inspiração manuelina

A Casa dos Bicos é uma das imagens mais reconhecíveis da frente ribeirinha de Lisboa, entre a Rua dos Bacalhoeiros e a Rua Afonso de Albuquerque. A fachada coberta de pedras em ponta de diamante resume uma história com três camadas: uma casa nobre do século XVI, uma ruína parcial depois de 1755 e uma reconstituição do final do século XX. Hoje acolhe a Fundação José Saramago e, no piso térreo, vestígios arqueológicos de vários períodos da cidade.

A casa de Brás de Albuquerque

A nota histórica do Património Cultural, I.P. atribui a encomenda a Brás de Albuquerque, filho do vice-rei Afonso de Albuquerque e cortesão de formação humanista. Em 1521, integrou a comitiva que levou a infanta D. Beatriz, filha de D. Manuel I, a Itália para o seu casamento com o duque de Saboia. Aí terá contactado com modelos da arquitetura renascentista italiana.

De regresso, cerca de 1523, mandou erguer o edifício em terrenos que tinham pertencido ao pai, junto à Ribeira Velha e à Alfândega. A Fundação José Saramago indica o Palácio dos Diamantes, em Ferrara, como modelo. O registo nacional fala, de forma mais geral, de inspiração nos palácios dei diamanti italianos. O mesmo registo refere que alguns autores atribuem a obra ao arquiteto régio Francisco de Arruda, sem a dar como certa.

A casa tinha loja, sobreloja e dois andares nobres. O revestimento de pontas de diamante, de gosto renascentista, combina-se com janelas inspiradas na linguagem decorativa manuelina. O nome popular nasceu dessa superfície: segundo a Fundação, onde o proprietário quereria diamantes, os lisboetas viram bicos.

Do terramoto à reconstituição

O terramoto de 1755 e o incêndio que se seguiu danificaram gravemente o edifício. Segundo o registo nacional, caiu a fachada principal, então voltada para a atual Rua Afonso de Albuquerque, e ruíram os dois andares superiores de todo o edifício. Em 1772 houve uma reconstrução parcial, mas a estrutura quinhentista ficou alterada. No século XIX, a casa chegou a servir durante décadas como armazém de bacalhau.

A Câmara Municipal de Lisboa adquiriu o imóvel cerca de 1960. Em 1968 contratou Raul Lino para um projeto de adaptação a museu, que não avançou. O plano de recuperação só foi desenhado em 1981, pelo arquiteto Santa Rita. Nessa intervenção foram acrescentados os dois andares perdidos, e a fachada foi reconstruída a partir de imagens antigas de Lisboa. O interior foi profundamente alterado para receber funções culturais.

Por isso, a fachada que hoje se fotografa deve ser lida como uma reconstituição documentada da casa quinhentista, e não como uma superfície intacta do século XVI. Os dois pisos superiores pertencem à intervenção do século XX. Entre 1986 e 2002, a casa albergou a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses.

O que está debaixo da casa

O edifício assenta numa zona de ocupação muito antiga. A Fundação José Saramago descreve no piso térreo estruturas das primeiras ocupações do local, um troço importante da muralha fernandina, restos da cerca moura e tanques romanos (cetárias) de base quadrangular. Esses tanques destinavam-se à salga e conserva de peixe, incluindo o garum.

A informação do Turismo de Lisboa apresenta este espaço como núcleo arqueológico do Museu de Lisboa. Refere troços da muralha tardo-romana e da muralha medieval, os tanques de uma unidade de preparados de peixe e objetos do quotidiano dos séculos XVI a XVIII. Para enquadrar estes vestígios, veja também as muralhas urbanas e a arqueologia romana em Portugal.

Classificação

O registo nacional classifica como Monumento Nacional a fachada da Casa de Brás de Albuquerque (Casa dos Bicos). A classificação foi feita pelo decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A proteção é, assim, anterior à reconstituição dos pisos superiores.

A zona especial de proteção foi fixada por portaria publicada no Diário do Governo de 11 de setembro de 1961. O mesmo diploma fixou as zonas de outros imóveis próximos, entre eles a Sé de Lisboa e a Igreja da Conceição Velha. O registo indica ainda que a casa fica abrangida pela zona de proteção do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa. A Casa dos Bicos não está inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Preparar a visita

O edifício é propriedade municipal. Segundo a Fundação José Saramago, a Câmara cedeu os pisos superiores à Fundação em 2008 e reservou o piso térreo para o núcleo arqueológico. A cedência foi renovada em 2018 por mais dez anos. A Fundação tem aqui a sua sede desde junho de 2012.

Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Fundação indicava a morada Rua dos Bacalhoeiros, 10. Publicava um horário de segunda-feira a sábado, das 10h00 às 18h00, com última entrada às 17h30. O bilhete normal custava 5,00 €, segundo o preçário em vigor desde 1 de outubro de 2026. Desde março de 2026, os bilhetes compram-se online ou na livraria do terceiro piso.

O núcleo arqueológico pertence ao Museu de Lisboa, e as suas condições de acesso podem não coincidir com as da Fundação. Confirme horários, encerramentos e gratuitidades na página da Fundação José Saramago e no site do Museu de Lisboa.

Fotografia de Cristina Morettini 95, de 7 de junho de 2024. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Porque se chama Casa dos Bicos?
O nome vem do aparelho da fachada, com pedras talhadas em ponta de diamante. A Fundação José Saramago lembra que os lisboetas viram nessas pedras bicos, não diamantes, e o nome popular ficou.
A fachada atual é a original do século XVI?
Não integralmente. O terramoto de 1755 e o incêndio que se seguiu derrubaram a fachada principal e os dois andares superiores. Na recuperação planeada em 1981, esses pisos foram reconstituídos e a fachada foi reconstruída com base em imagens antigas de Lisboa.
O que está classificado?
O registo nacional classifica como Monumento Nacional a fachada da Casa de Brás de Albuquerque (Casa dos Bicos), por decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo de 23 de junho de 1910.
O que se pode visitar no interior?
Os pisos superiores são a sede da Fundação José Saramago, com exposição. O piso térreo conserva vestígios arqueológicos, entre eles tanques romanos de salga de peixe e um troço da muralha fernandina.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Casa de Brás de Albuquerque (casa dos Bicos), fachada (70460)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, registo NINV 3221
  3. Fundação José Saramago — Contactos e informações
  4. Fundação José Saramago — Perguntas frequentes
  5. Fundação José Saramago — Alteração no funcionamento da bilheteira
  6. Turismo de Lisboa — Museu de Lisboa: Núcleo Arqueológico da Casa dos Bicos
  7. Wikidata — Casa dos Bicos (Q2700618)

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