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Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves: a Casa Malhoa de Norte Júnior, Prémio Valmor 1905, com porcelana chinesa, pintura portuguesa e mobiliário do colecionador.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada da Casa Malhoa, em Lisboa, com grande janelão em arco, frisos de azulejo azul e jardim murado com gradeamento de ferro
Dguendel, CC BY 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lisboa, Lisboa
Construção
1904–1905

A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves ocupa a antiga Casa Malhoa, na esquina da Avenida 5 de Outubro com a Rua Pinheiro Chagas, nas Avenidas Novas de Lisboa. A visita junta duas histórias. A primeira é a da casa-ateliê que o pintor José Malhoa mandou construir no início do século XX, distinguida com o Prémio Valmor. A segunda é a da coleção de um médico oftalmologista que viveu ali e a deixou ao Estado. O resultado é um museu doméstico, à escala de uma moradia, com cerca de 3 mil obras.

A casa do pintor José Malhoa

O projeto é do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior e data de março de 1904. Foi entregue ao construtor Frederico Augusto Ribeiro. A Museus e Monumentos de Portugal data o edifício de 1904–1905 e apresenta-o como a primeira casa de artista da capital. Malhoa queria-a para casa de habitação e ateliê, e a obra chegou a ser designada “Lar-Oficina Pro-Arte”. Logo em novembro de 1904, o projeto foi alterado para incluir uma cave.

Segundo a Museus e Monumentos de Portugal, a casa recebeu o Prémio Valmor em 1905. O registo do Património Cultural, I.P. lembra que o prémio é assinalado num painel de azulejo na fachada poente.

Arquitetura: ecletismo com Arte Nova

O registo nacional descreve uma moradia isolada, rodeada de jardins murados. A planta irregular resulta do cruzamento de três corpos com um bloco central, onde se abre um amplo janelão de sacada em arco rebaixado. As soluções de planta e de altura, incluindo paredes chanfradas, respondiam a um pedido de Malhoa: todas as divisões deviam receber luz solar direta.

A casa não é um exemplo “puro” de Arte Nova. O registo lê-a como uma obra do ecletismo de final do século XIX, em que motivos decorativos da Arte Nova vindos de Paris se cruzam com o modelo da chamada casa portuguesa. Na fachada, observe:

  • os frisos de azulejo de José António Jorge Pinto, interpretações livres de desenhos de Malhoa e António Ramalho, que substituíram pinturas a fresco de João Eloy Amaral;
  • os dois painéis de azulejo com figuras femininas que ladeiam o janelão principal, e a divisa em cerâmica por cima dele, que deu nome à casa;
  • o painel alusivo à Pintura, na parede chanfrada;
  • o vitral figurativo Arte Nova do corpo sul;
  • a escultura de António Augusto da Costa Mota (sobrinho) e o ferro forjado desenhado por Norte Júnior e executado pelo serralheiro Vicente Joaquim Esteves.

Para ver como estes revestimentos se inserem na azulejaria da época, continue em azulejo Arte Nova e moderno.

O colecionador e o museu

Depois da morte da mulher de Malhoa, a casa foi posta à venda. Entre 1919 e 1932 teve dois proprietários, até ser comprada em 1932 pelo oftalmologista António Anastácio Gonçalves (1889–1965). Viveu ali e organizou a sua coleção. Por testamento, deixou a casa e o recheio ao Estado para nela se criar um museu. O legado foi incorporado em 1969 e o museu abriu ao público em 1980.

Em 1996, com projeto dos arquitetos Frederico e Pedro George, a casa foi ligada a uma moradia contígua na Rua Pinheiro Chagas, a antiga Casa António Pinto da Fonseca Mota, de 1908, também de Norte Júnior. A ampliação acrescentou receção, loja e uma área para exposições temporárias. A Casa-Museu reabriu em dezembro de 1997 com a configuração atual.

As coleções

A coleção tem cerca de 3 mil obras, organizadas em três grandes núcleos:

  • pintura portuguesa dos séculos XIX e XX;
  • porcelana chinesa;
  • mobiliário português e estrangeiro.

Há ainda núcleos de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso suíços e franceses. A Casa-Museu guarda também um espólio documental e desenhos, aguarelas e pequenos objetos que pertenceram ao pintor Silva Porto.

Classificação e gestão

O edifício está classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 28/82, de 26 de fevereiro de 1982, com a designação “Casa Malhoa, actualmente Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves”. A Casa-Museu é o primeiro museu da lista do anexo II do Decreto-Lei n.º 79/2023, entre os museus geridos pela Museus e Monumentos de Portugal. Não tem relação com o Património Mundial.

Preparar a visita

A entrada fica na Avenida 5 de Outubro, 6-8, 1050-055 Lisboa. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava:

  • abertura de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00, com última entrada às 17h00;
  • bilhete normal de 5,00 €;
  • encerramento a 1 de janeiro, no domingo de Páscoa, a 1 de maio, a 13 de junho e a 25 de dezembro, com possíveis alterações nos feriados.

As visitas são sempre acompanhadas, em grupos de até 10 pessoas, com uma duração aproximada de 45 minutos. Grupos organizados precisam de marcação prévia. Confirme horários, horários das visitas e preços na página da Museus e Monumentos de Portugal ou pelo telefone +351 213 540 823.

Fotografia de Dguendel, de 25 de janeiro de 2017. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Porque se chama também Casa Malhoa?
Porque foi mandada construir pelo pintor José Malhoa, como casa e ateliê, com projeto de Norte Júnior de 1904. O médico Anastácio Gonçalves comprou-a em 1932 e deixou-a ao Estado para nela se criar um museu.
Que coleções se podem ver?
Cerca de 3 mil obras reunidas por António Anastácio Gonçalves, organizadas em três grandes núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Há também ourivesaria, pintura europeia, escultura, cerâmica, têxteis, numismática, vidros e relógios de bolso.
A casa recebeu o Prémio Valmor?
Sim. Segundo a Museus e Monumentos de Portugal, a Casa Malhoa recebeu o Prémio Valmor em 1905. Um painel de azulejo na fachada poente assinala o prémio.
O edifício está classificado?
Sim. A Casa Malhoa, atual Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, é Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 28/82, de 26 de fevereiro de 1982.

Fontes

  1. Museus e Monumentos de Portugal — Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
  2. Património Cultural, I.P. — Casa Malhoa, actualmente Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (72353)
  3. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3219)
  4. Diário da República — Decreto n.º 28/82, de 26 de fevereiro
  5. Diário da República — Decreto-Lei n.º 79/2023, de 4 de setembro (anexo II)
  6. Ordem dos Advogados — Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. (texto do Decreto-Lei n.º 79/2023)
  7. Wikidata — Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Q5047773)

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