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Monumentos
Castelo de Amieira
Castelo de Amieira, em Nisa: fortaleza gótica da Ordem do Hospital, concluída em 1362, de planta retangular com quatro torres. Monumento Nacional desde 1922.
- Localização
- Amieira do Tejo, Nisa, Portalegre
- Construção
- meados do séc. XIV; concluído em 1362
O Castelo de Amieira domina a pequena vila de Amieira do Tejo, no concelho de Nisa, no norte do Alentejo. Construído pela Ordem do Hospital em meados do século XIV, é um castelo pequeno, regular e compacto. O historiador Mário Barroca, seguido pelo registo nacional do Património Cultural, I.P., vê nele o protótipo do castelo gótico português. Comparado com o vizinho Castelo de Belver, iniciado cerca de século e meio antes, mostra bem como mudou a arquitetura militar entre o românico e o gótico.
Uma vila hospitalária sem castelo
Amieira entrou no domínio dos Hospitalários em 1232, quando uma doação de D. Sancho II estendeu as terras da Ordem para sul, com as vilas de Amieira, Gavião e Crato. No Crato, a Ordem fez obras logo a seguir à doação. Amieira, pelo contrário, só recebeu castelo cerca de um século depois.
A construção deve-se a Álvaro Gonçalves Pereira, prior da Ordem do Hospital, filho bastardo do bispo D. Gonçalo Pereira e pai do futuro condestável D. Nuno Álvares Pereira. A obra integra-se num momento de renovação da Ordem: em 1356, a sede passou de Leça do Balio para o Crato, no coração do seu principal domínio fundiário. Segundo o registo nacional, D. Pedro I visitou a fortaleza três anos depois, quando as obras já iam adiantadas. A conclusão formal deu-se em 1362. Álvaro Gonçalves Pereira acompanhou de perto a obra e morreu em Amieira em 1375.
O desenho de um castelo gótico
Belver ergue-se num cabeço escarpado. Amieira fica a uma cota relativamente baixa. Para o registo nacional, isso mostra que a arquitetura militar já não dependia tanto do relevo. A planta é retangular e regular, com quatro torres nos ângulos.
A torre de menagem é uma dessas torres de canto, de planta quadrangular e maior do que as outras, e ergue-se sobre a entrada principal. Ao contrário das torres de menagem românicas, isoladas no meio do recinto, participa diretamente na defesa: permitia o tiro vertical sobre a porta da barbacã, o ponto mais vulnerável. Sem torre nem outras construções no centro, o pátio fica amplo e fácil de percorrer. A página do Município de Nisa refere ainda as janelas da torre de menagem, uma delas geminada e outra de arco apontado.
A defesa completava-se com dois obstáculos referidos na documentação: um fosso, de que pouco resta, e uma barbacã à volta da fortaleza, que criava uma segunda linha difícil de transpor em caso de cerco.
Obras, prisão e cemitério
Nos reinados de D. João II e de D. Manuel há notícia de obras, provavelmente para adaptar o castelo às novas exigências da guerra. O castelo serviu também de prisão. Junto a uma das torres, mas fora das muralhas, fica a Capela de São João Baptista, datada de 1556 pela inscrição sobre o portal. O portal é de volta perfeita, com aduelas almofadadas. No interior há uma abóbada de caixotões com grotescos, uma imagem do padroeiro e um retábulo tardo-renascentista.
Com o afastamento da fronteira, o castelo perdeu importância. No século XVIII, grande parte das estruturas estava abandonada e parte da fortaleza fora adaptada a habitações. Houve então uma recuperação parcial da torre de menagem. No século XIX, o pátio passou a ser o cemitério da povoação, e assim ficou até à década de 1940. Nessa década, a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) fez o restauro integral que deu ao conjunto a fisionomia atual.
Classificação
O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 8477, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 233, de 10 de novembro de 1922. O decreto justifica a classificação com as características artísticas e arquitetónicas do monumento. A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada por portaria de 27 de outubro de 1949, publicada no Diário do Governo, II série, n.º 266, de 16 de novembro de 1949. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.
Preparar a visita
Amieira do Tejo pertence à freguesia de Arez e Amieira do Tejo, no concelho de Nisa e no distrito de Portalegre. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não foi encontrado um horário oficial publicado para o castelo. O Posto de Turismo de Nisa, na Praça da República, atendia todos os dias, das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30, pelo telefone 245 410 000 (extensão 353). É o contacto mais seguro para saber se o castelo está aberto antes de ir.
O concelho tem outras tradições a conhecer, como a olaria de Nisa. Para seguir o percurso dos Hospitalários, visite o Castelo de Belver, no vizinho concelho de Gavião, e o Crato. Para comparar com outras fortalezas, consulte as páginas dos castelos de Portugal e da arquitetura gótica.
Fotografia de Vitor Oliveira, de maio de 2012. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem mandou construir o Castelo de Amieira?
- Álvaro Gonçalves Pereira, prior da Ordem do Hospital e pai de D. Nuno Álvares Pereira. Segundo o registo nacional do Património Cultural, I.P., as obras estavam adiantadas quando D. Pedro I visitou a fortaleza e foram formalmente concluídas em 1362.
- Porque se diz que é um protótipo do castelo gótico?
- O historiador Mário Barroca, seguido pelo registo nacional, vê nele o protótipo do castelo gótico português: planta retangular regular, quatro torres nos ângulos e uma torre de menagem integrada na muralha, sobre a entrada, em vez de isolada no centro do pátio.
- O castelo está classificado?
- Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 8477, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 233, de 10 de novembro de 1922. Uma portaria de 27 de outubro de 1949 fixou a zona especial de proteção, com zona non aedificandi.
- Onde se obtêm informações para a visita?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, não foi encontrado um horário oficial publicado para o castelo. O Posto de Turismo de Nisa atende pelo 245 410 000 (extensão 353), todos os dias, das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de Amieira (70244)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Amieira (NINV 3563)
- Diário do Governo — Decreto n.º 8477 (I série, n.º 233, 10-11-1922)
- Município de Nisa — Património classificado
- Município de Nisa — Turismo
- Wikidata — Castelo de Amieira (Q5050365)
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