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Monumentos
Castelo de Ansiães
Castelo de Ansiães, em Carrazeda de Ansiães: castelo roqueiro e vila medieval amuralhada, sede do concelho até 1734, com a igreja românica de São Salvador.
- Localização
- Lavandeira, Carrazeda de Ansiães, Bragança
- Construção
- ocupação desde o III milénio a.C.; castelo e vila amuralhada medievais, em crescimento entre os sécs. XII e XV
O Castelo de Ansiães não é só um castelo. No alto de um monte do concelho de Carrazeda de Ansiães conservam-se as ruínas de uma vila medieval amuralhada inteira: o reduto roqueiro no topo, uma segunda cerca com mais de 600 metros, alicerces de casas, caminhos e uma igreja românica. Foi cabeça de concelho durante séculos, até perder a sede para Carrazeda em 1734. A classificação de 1910 chama-lhe “Castelo de Carrazeda (ruínas)”. O registo nacional usa também o nome de castelo e vila muralhada de Ansiães.
Um sítio ocupado desde a pré-história
O registo nacional do Património Cultural, I.P. e o portal de turismo do Município citam o mesmo texto de António Luís Pereira e Isabel Alexandra Lopes. Segundo esse texto, a história do lugar começa por volta do III milénio a.C., e a boa defesa natural do monte explica uma ocupação quase contínua desde então.
O local ganhou importância na Reconquista. Ansiães recebeu a sua primeira carta de foral do rei leonês Fernando Magno, em meados do século XI. O registo considera-a um dos mais antigos forais do espaço que hoje é Portugal. Na Alta Idade Média, o sítio afirmou-se como centro na zona de fronteira do rio Douro.
A vila medieval
Os séculos XII a XV foram, segundo o mesmo texto, o período de maior crescimento do reduto amuralhado. Vários reis confirmaram ou deram forais à vila: D. Afonso Henriques em 1160, D. Sancho I em 1198, D. Afonso II em 1219 e, por fim, D. Manuel I em 1510. Em 1277, D. Afonso III concedeu-lhe carta de feira. Ansiães tornou-se a cabeça de um território com pequenos aglomerados e casais agrícolas, e foi um importante concelho transmontano durante toda a Idade Média.
Despovoamento e abandono
A partir do final do século XV, e sobretudo no século XVI, a vila foi perdendo população para outras localidades do concelho. O portal de turismo refere que, em 1527, algumas aldeias do município já tinham mais habitantes do que Ansiães. A tendência agravou-se nos séculos seguintes. Em 1734, os paços do concelho passaram para Carrazeda, porque já viviam muito poucas pessoas no antigo reduto.
O que se vê
O registo nacional distingue dois espaços. O primeiro, mais alto, corresponde à implantação roqueira primitiva. É definido por uma muralha de traçado ovalado, reforçada por cinco torreões quadrangulares. Aí se reconhecem vestígios da torre de menagem e dos seus anexos, a cisterna do povoado e alinhamentos de alicerces de edifícios, provavelmente militares. Funcionava como último reduto, onde os moradores se recolhiam em caso de guerra.
O segundo espaço é a zona urbana. Uma segunda linha de muralhas, com mais de 600 metros e três torres quadrangulares, rodeia uma área onde hoje se veem derrubes, estruturas medievais e modernas e paredes de antigas casas. O registo descreve uma malha de caminhos que se cruzavam e organizavam pequenos bairros.
Dentro das muralhas fica a igreja de São Salvador de Ansiães, de nave e capela-mor. O portal de turismo destaca o tímpano do portal principal, com Cristo em Majestade, e apresenta-o como o exemplar mais completo do românico português. As arquivoltas que o ladeiam representam cenas do apostolado. A igreja é Monumento Nacional autónomo pelo Decreto n.º 14 985, publicado no Diário do Governo de 3 de fevereiro de 1928, segundo o Atlas do Património Classificado.
Classificação e proteção
O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. Na lista dos castelos do distrito de Bragança, o decreto inscreve “Carrazeda de Anciães — Castello de Carrazeda (ruinas)”. O Atlas indica que o imóvel está afeto ao Património Cultural, I.P.
O registo nacional assinala ainda que o castelo está abrangido pela zona de proteção do Alto Douro Vinhateiro. Isso não faz dele parte do bem inscrito na Lista do Património Mundial: o campo de Património Mundial da ficha está vazio. Para a paisagem classificada pela UNESCO, veja o Alto Douro Vinhateiro.
Preparar a visita
As ruínas ficam na freguesia de Lavandeira, Beira Grande e Selores, junto à EN 214, a alguns quilómetros da atual vila de Carrazeda de Ansiães. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal de turismo do Município indicava o castelo aberto todos os dias. O interior da igreja de São Salvador tinha horário próprio: segunda das 13h30 às 17h30, terça a quinta das 9h30 às 12h30 e das 13h30 às 17h30, sexta das 9h30 às 12h30, encerrada ao sábado. A página não indicava o horário de domingo. As visitas guiadas para grupos marcam-se na Loja Interativa de Turismo.
O CICA, Centro Interpretativo do Castelo de Ansiães, não fica no castelo. Fica na zona histórica da vila de Carrazeda, num edifício municipal construído a partir das ruínas de uma casa tradicional. Expõe peças arqueológicas e o resultado de dez anos de investigação no concelho, sobretudo no castelo. Na mesma consulta, a página municipal indicava abertura de segunda a sexta, das 9h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00, com marcação ao fim de semana, e visitas gratuitas. Confirme na página do CICA e no portal de turismo antes de ir.
No Douro Superior, o Castelo de Freixo de Espada à Cinta e o Castelo de Numão mostram outras fortificações da antiga fronteira do Douro. A norte, o Castelo de Bragança completa a visita ao distrito. Para continuar, veja o Norte e a rede de castelos de Portugal.
Fotografia de Panegyrics of Granovetter, de 21 de fevereiro de 2024. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- O que é o Castelo de Ansiães?
- É um castelo roqueiro e a vila medieval amuralhada que se desenvolveu à sua volta, no alto de um monte da freguesia de Lavandeira, Beira Grande e Selores. Foi sede do concelho até 1734, quando os paços do concelho passaram para Carrazeda. Hoje a antiga vila é um sítio arqueológico em ruínas.
- Que forais recebeu Ansiães?
- Segundo o registo nacional, recebeu uma primeira carta de foral do rei leonês Fernando Magno, em meados do século XI. Seguiram-se forais de D. Afonso Henriques (1160), D. Sancho I (1198), D. Afonso II (1219) e D. Manuel I (1510). D. Afonso III concedeu-lhe carta de feira em 1277.
- O castelo está classificado?
- Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910, com a designação de Castelo de Carrazeda (ruínas). A igreja de São Salvador de Ansiães, dentro das muralhas, é Monumento Nacional à parte, desde 1928.
- Quando se pode visitar?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal de turismo do Município indicava o castelo aberto todos os dias e publicava horário para o interior da igreja de São Salvador, encerrada ao sábado. As visitas guiadas para grupos são marcadas na Loja Interativa de Turismo.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de Carrazeda (ruínas) (70591)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Carrazeda (ruínas) (NINV 2373) e Ruínas da igreja de Ansiães (NINV 2379)
- Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
- Município de Carrazeda de Ansiães — Castelo de Ansiães (Portal de Turismo)
- Município de Carrazeda de Ansiães — Igrejas de S. Salvador de Ansiães (Portal de Turismo)
- Município de Carrazeda de Ansiães — CICA, Centro Interpretativo do Castelo
- Wikidata — Castelo de Carrazeda (ruínas) (Q5050371)
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