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Monumentos
Castelo de Freixo de Espada à Cinta
Castelo de Freixo de Espada à Cinta: da fortaleza medieval resta a Torre do Galo, torre heptagonal de granito com cerca de 25 m, Monumento Nacional desde 1910.
- Localização
- Freixo de Espada à Cinta, Bragança
- Construção
- sécs. XII–XV; torre heptagonal (Torre do Galo) de finais do séc. XIII ou do séc. XIV
Em Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, a silhueta da vila é dominada por uma torre de granito de sete faces. É a Torre do Galo, principal elemento que resta do Castelo de Freixo de Espada à Cinta. A torre tem cerca de 25 metros de altura e faces de larguras diferentes. O registo nacional do Património Cultural, I.P. considera-a uma das mais importantes realizações militares do tempo de D. Dinis. O resto da fortaleza, que no início do século XVI ainda tinha muitas torres, desapareceu quase por completo.
Uma das fortalezas mais antigas de Trás-os-Montes
O registo nacional coloca o castelo entre as fortalezas transmontanas mais antigas, documentado desde o século XII. É, portanto, anterior às vilas novas criadas por D. Afonso III e D. Dinis. A referência mais antiga é a carta de foral de D. Afonso Henriques, datada de 1152 ou de 1155–1157. É de presumir que a construção da fortaleza tenha começado a partir daí, mas as primeiras obras documentadas são de 1258.
Mário Barroca, citado pelo registo, admite que logo no século XII se tenha erguido um primeiro reduto, talvez com uma cerca a defender a povoação. Essa fortificação terá sido ocupada por tropas leonesas entre 1212 e 1213. Pouco mais se sabe sobre esta primeira fase. O registo nota que o conjunto aguarda uma monografia rigorosa que permita, por exemplo, identificar troços da muralha atual desse período.
A grande obra dos séculos XIII e XIV
Depois do foral de D. Afonso III, de 1273, o castelo foi objeto de uma extensa campanha de obras. A grande destruição do conjunto impede conhecer a sua extensão, mas a fase de D. Dinis foi decisiva. O cronista Rui de Pina chegou a escrever que este rei povoou de novo a vila e fez o castelo.
As obras foram longas. Em 1342, um documento ainda refere a cerca da vila por concluir. Em 1376, já no reinado de D. Fernando, há notícia de novas obras. No início do século XVI, quando Duarte de Armas desenhou a fortaleza, havia muitas torres, de perfil hexagonal e pentagonal, dispostas a intervalos regulares. A maioria tinha balcões com matacães para defender a muralha. A complexidade e a variedade das torres parecem ter sido uma marca desta reforma.
A Torre do Galo
A torre heptagonal é o elemento mais notável que chegou até hoje. Construída em granito, as suas faces têm larguras diferentes, uma solução que permitia uma defesa mais eficaz em redor. Os balcões corridos assentes em cachorrada, com chão perfurado, são matacães: permitiam o tiro vertical sobre quem se aproximasse da base. O registo nacional vê nestes dispositivos e na planta complexa sinais da nova arquitetura militar gótica. Para o contexto, veja a arquitetura gótica em Portugal.
A data e a função da torre são discutidas:
- Mário Barroca considera-a obra dionisina e, ao que tudo indica, a torre de menagem do castelo gótico.
- Rita Costa Gomes admite que a menagem fosse uma das torres quadrangulares, mais arcaicas, hoje demolidas. Para ela, a torre heptagonal seria posterior, eventualmente do reinado de D. Fernando.
- A página de turismo do Município cita Frei Viterbo, segundo o qual a torre foi mandada fazer por D. Fernando I cerca de 1376.
As fontes consultadas não decidem a questão. O mais prudente é situar a torre entre o final do século XIII e a segunda metade do século XIV.
Do couto de homiziados ao cemitério
As dificuldades de povoamento terão levado à transformação de Freixo em couto de homiziados, em 1406. Os perseguidos pela justiça podiam fixar-se aqui. Seguiram-se novas obras, entre 1412 e 1423 e entre 1435 e 1459, talvez de caráter residencial, ao gosto dos alcaides do fim da Idade Média. No início do século XVI, o castelo tinha barbacã e recebia novos trabalhos, dirigidos pelo mestre biscainho Pero Lopes.
Na época moderna fizeram-se apenas pequenas consolidações. O castelo só perdeu a sua função no século XIX: em 1836, o recinto foi adaptado a cemitério municipal, e alguns panos de muralha foram sacrificados.
Classificação e proteção
O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada por Portaria de 10 de janeiro de 1953, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 19, de 23 de janeiro de 1953. O registo nacional situa-o na Rua de D. Dinis; a página de turismo municipal indica a Praça Jorge Álvares. O castelo não integra nenhum bem do Património Mundial.
Preparar a visita
A torre ergue-se no centro histórico e domina a vila. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página de turismo do Município de Freixo de Espada à Cinta não publicava horários nem preços para a subida à torre. O portal indicava o contacto do turismo municipal: +351 279 653 480 ou [email protected], de segunda a sexta, das 9h00 às 18h00. Esse horário é do atendimento, não da torre; confirme as condições de visita antes de ir. O mesmo portal assinala também escavações arqueológicas no castelo.
No concelho, as gravuras rupestres de Mazouco mostram uma ocupação muito mais antiga do vale do Douro. No distrito, o Castelo de Bragança e a cidade de Bragança completam o percurso pela raia transmontana. Para outras fortalezas, consulte os castelos de Portugal e o guia do Norte.
Fotografia de Pedro from Maia (Porto), Portugal, de 23 de abril de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- O que é a Torre do Galo?
- É a torre heptagonal, de sete faces de larguras diferentes, que resta do castelo medieval de Freixo de Espada à Cinta. Tem cerca de 25 metros de altura e conserva balcões com matacães, dispositivos de tiro vertical. É a imagem mais conhecida da vila.
- Quando foi construída a torre?
- A data é discutida. Mário Barroca, citado pelo registo nacional, considera-a obra do reinado de D. Dinis e a torre de menagem do castelo gótico. Rita Costa Gomes admite que seja posterior, eventualmente do reinado de D. Fernando; a página de turismo do Município cita Frei Viterbo para uma construção por D. Fernando, cerca de 1376.
- O castelo está classificado?
- Sim. É Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada por Portaria de 10 de janeiro de 1953.
- Como obter informação para a visita?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal de turismo do Município não publicava horários da torre. Indicava o contacto do turismo municipal, +351 279 653 480 ou [email protected], disponível de segunda a sexta, das 9h00 às 18h00.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Castelo de Freixo de Espada à Cinta (70453)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Freixo de Espada à Cinta (NINV 2384)
- Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
- Município de Freixo de Espada à Cinta — Turismo, locais turísticos: Castelo
- Wikidata — Castelo de Freixo de Espada à Cinta (Q5049782)
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