Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Arqueologia

Antas do Norte litoral e do Douro

Nove conjuntos megalíticos Monumento Nacional entre Caminha, Arouca e o Alto Douro: antas com pinturas a vermelho, gravuras, corredores e mamoas.

Perguntas frequentes Fontes
Anta da Pala da Moura, em Vilarinho da Castanheira: câmara de esteios de granito e laje de cobertura inclinada, num recinto de gravilha entre pinheiros
Reis Quarteu, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Vilarinho da Castanheira, Carrazeda de Ansiães, Bragança
Estilo
Megalítico (antas e dólmenes de câmara poligonal e corredor)

No Norte de Portugal, as antas aparecem quase sempre em serras e planaltos, em pequenos núcleos de mamoas, e muitas conservam pinturas ou gravuras nos esteios. Este guia reúne nove monumentos ou conjuntos classificados como Monumento Nacional, do litoral minhoto à bacia do Douro: oito deles pelo decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910) e o Dólmen da Aliviada pelo Decreto n.º 26-A/92, de 1 de junho de 1992. Para o contexto geral, veja o megalitismo, a arte megalítica portuguesa e a página da região Norte.

Arouca

  • Anta do Casal Mau (Santa Eulália, Arouca; Atlas NINV 2045). O Atlas indica também os nomes Necrópole Megalítica de Arreçaio e Mamoa de Arreçaio, e o decreto de 1910. Não foi possível consultar a ficha de registo, pelo que não se descreve aqui a estrutura.
  • Dólmen da Aliviada ou Mamoa 1 de Aliviada (Escariz, Arouca; NINV 2001). Também conhecido como Dólmen pintado de Escariz. É Monumento Nacional desde 1992 e o Geopark Arouca refere a sua origem no Neolítico. Pode ligar-se ao Geoparque Arouca e ao Mosteiro de Arouca, no mesmo concelho.

Baião e Penafiel

  • Anta da Aboboreira (Campelo e Ovil, Baião; código 69838; NINV 3616). Construída na primeira metade do 3.º milénio a.C., faz parte de um conjunto de cinco monumentos da necrópole megalítica da Serra da Aboboreira. A mamoa, com cerca de 25 metros de diâmetro, está revestida de pedra; a câmara poligonal tem oito esteios laterais e uma laje de cobertura de grandes dimensões, e o corredor mede cerca de 3,70 metros. Tem pinturas a vermelho nos esteios, com motivos estelares e circulares e uma figura subrectangular de base trapezoidal. Também é conhecida como Chã de Parada ou Dólmen da Fonte do Mel.
  • Anta de Santa Marta (Penafiel; código 70169; NINV 3682). O registo diz que foi possivelmente edificada no 3.º milénio a.C. A mamoa, com cerca de 27 metros de diâmetro, está muito danificada. A câmara poligonal tem cerca de 2,5 metros de altura e sete esteios imbricados com pinturas a vermelho, e a laje de cobertura mede 3,3 por 2,1 metros. Do corredor, com cerca de 6 metros de comprimento, só se veem dez esteios. Também se chama Dólmen da Portela ou Forno dos Mouros.

Minho: Barrosa e Serra de Soajo

  • Anta da Barrosa (Vila Praia de Âncora, Caminha; código 70157; NINV 4098). Também chamada Lapa dos Mouros, é o maior e mais bem conservado monumento megalítico do vale de Âncora. Foi escavada em 1879 por Francisco Martins Sarmento e estudada depois por João de Castro Nunes. A câmara poligonal tem oito esteios e chapéu; o corredor tem cerca de 1,5 metros de largura por 6 de comprimento e não há vestígios de mamoa. Três lajes têm gravuras de serpentiformes e signos em U. Perto, foram identificados vestígios de ocupação romana dos séculos I e II d.C.
  • Antas da Serra de Soajo (Soajo e Cabana Maior, Arcos de Valdevez; código 71222; NINV 4075). Foram identificadas por Félix Alves Pereira, que registou cerca de sessenta antas na região entre o fim do século XIX e o início do XX. Hoje, em muitos casos, só resta a mamoa e uma depressão central. O núcleo do Mezio, na margem esquerda do rio Vez, é o mais conhecido: o Dólmen do Mezio mantém a câmara poligonal irregular, o chapéu e o corredor voltado a nascente. As escavações recolheram pontas de seta e uma ponta de lança em sílex, e fragmentos de cerâmica.

Trás-os-Montes e Alto Douro

  • Anta de Fonte Coberta (Vila Chã, Alijó; código 70347; NINV 4437). Isolada no Planalto da Chã, é um “dólmen de vestíbulo”, tipo raro nesta zona. Henrique Botelho explorou-a no fim do século XIX; em 1938, João Manuel Cotelo Neiva fez uma escavação sistemática. Mantém os sete esteios da câmara (um tombado no exterior), o chapéu, com cerca de 3,5 por 2 metros, e duas lajes que parecem formar um pequeno vestíbulo. Tem covinhas e sulcos gravados e, num esteio, traços pintados a vermelho. O registo menciona uma intervenção recente de conservação e restauro, que reconstituiu parte da mamoa e recolocou esteios.
  • Antas da Serra de Alvão (Alvão, Vila Pouca de Aguiar; NINV 4568). O Atlas indica também a designação Chã de Arcas e o decreto de 1910. A ficha de registo não foi consultada.
  • Antas de Vilarinho (Vilarinho da Castanheira, Carrazeda de Ansiães; código 70231; NINV 2371). É a da fotografia deste guia. O conjunto de 1910 tinha várias antas, mas só resta uma, a Pala da Moura, em bom estado: câmara poligonal, laje de cobertura e corredor de granito, sem vestígios de mamoa. As outras foram destruídas há muitos anos. O registo refere o Alto Douro Vinhateiro, que tem página própria, no campo da zona de proteção; a página do castelo de Carrazeda de Ansiães completa uma visita ao concelho.

Leitura do conjunto

O contraste com as antas alentejanas é nítido. Aqui, os registos falam de mamoas visíveis, de câmaras com corredor e de arte pintada ou gravada (Aboboreira, Santa Marta, Barrosa, Fonte Coberta), enquanto no Alentejo predominam as câmaras de sete esteios com covinhas. A destruição é frequente: o registo de Soajo atribui o desaparecimento de muitas antas a trabalhos agrícolas, à busca de “tesouros” e ao reaproveitamento de pedra, e o de Vilarinho recorda que só uma das antas classificadas em 1910 subsiste.

Como visitar

Na consulta de 5 de novembro de 2026, as fichas do registo não indicavam horários nem restrições legais, e as indicações de acesso são vagas. Confirme na câmara municipal (Arouca, Baião, Penafiel, Arcos de Valdevez, Caminha, Alijó, Vila Pouca de Aguiar ou Carrazeda de Ansiães) antes de ir, e respeite vedações e propriedades.

Fotografia de Reis Quarteu, de 26 de junho de 2021. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Que antas do Norte são Monumento Nacional?
Este guia reúne nove registos: Casal Mau e Aliviada (Arouca), Aboboreira (Baião), Santa Marta (Penafiel), Serra de Soajo (Arcos de Valdevez), Barrosa (Caminha), Fonte Coberta (Alijó), Serra de Alvão (Vila Pouca de Aguiar) e Vilarinho (Carrazeda de Ansiães). Todos, exceto a Aliviada, foram classificados pelo decreto de 16 de junho de 1910.
Há antas com pinturas?
Sim. O registo nacional refere pinturas a vermelho nos esteios das antas da Aboboreira e de Santa Marta e um traço vermelho em Fonte Coberta. A Anta da Barrosa tem gravuras (serpentiformes e signos em U) em três lajes.
Que anta de Vilarinho se conserva?
Das antas classificadas em 1910 em Vilarinho da Castanheira só resta a Pala da Moura, com câmara poligonal, laje de cobertura e corredor de granito, segundo o registo nacional. As restantes foram destruídas há muitos anos.
Posso visitá-las?
As fichas consultadas não indicam horários nem restrições legais de acesso. Convém confirmar com a câmara municipal do concelho antes de ir e respeitar terrenos particulares.

Fontes

  1. Património Cultural — Anta da Aboboreira
  2. Património Cultural — Anta de Santa Marta
  3. Património Cultural — Antas da Serra de Soajo
  4. Património Cultural — Anta da Barrosa
  5. Património Cultural — Anta de Fonte Coberta
  6. Património Cultural — Antas de Vilarinho
  7. Associação Geopark Arouca — Rota Vale do Arda e Zona Oeste
  8. Património Cultural — Atlas do Património Classificado (serviço geográfico)
  9. Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 — Decreto de 16 de junho de 1910

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