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Castelo do Sabugal

Castelo do Sabugal, o das Cinco Quinas: fortaleza gótica de D. Dinis sobre o Côa, com torre de menagem pentagonal, erguida depois de 1296. Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Pátio interior do Castelo do Sabugal, com muralhas ameadas de granito, escadas para o adarve e a alta torre de menagem à direita
Alvesgaspar, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Sabugal, Guarda
Construção
Séc. XIII (reduto leonês); castelo gótico de D. Dinis, depois de 1296, e cerca do séc. XIV

O Castelo do Sabugal ergue-se sobre o rio Côa, no centro histórico da cidade do Sabugal, no distrito da Guarda. É conhecido como o castelo das Cinco Quinas por causa da sua torre de menagem de planta pentagonal, uma forma rara nos castelos portugueses. Mais do que uma curiosidade, o castelo é um exemplo claro da arquitetura militar gótica que D. Dinis levou para as terras de Riba-Côa depois de as integrar no reino.

Uma vila leonesa sobre o Côa

O registo nacional do Património Cultural, I.P. situa as origens do castelo no reino de Leão, quando Afonso IX detinha as terras de Riba-Côa. Nos séculos XII e XIII, o Sabugal era a principal localidade da região, porque controlava a ponte sobre o Côa. Os primeiros dados seguros, porém, são do início do século XIII: segundo o registo, o rei leonês fundou a vila por volta de 1224. O município do Sabugal coloca a fundação e o foral de Afonso IX em finais do século XII. Nas décadas seguintes, Castela e Leão ergueram um primeiro reduto defensivo.

Em 1296, D. Dinis conquistou a vila, na ofensiva sobre Riba-Côa. O Tratado de Alcanizes, de 1297, confirmou a posse portuguesa das terras da margem direita do Côa. Segundo o município, D. Dinis confirmou também o foral anterior e a feira franca.

O castelo gótico de D. Dinis

O registo nacional descreve o castelo de D. Dinis como um projeto exemplar, moderno e racional. As obras começaram por desimpedir o núcleo central da vila, dentro das antigas muralhas leonesas, onde havia casas. O castelo resultante tem, nas palavras de Mário Barroca citadas pelo registo, uma “planta geométrica quase perfeita”, com um pátio sub-retangular e torreões quadrangulares nos ângulos.

A grande novidade é a torre de menagem. Nos castelos românicos, esta torre ficava isolada no interior do recinto. No Sabugal, está adossada à muralha e serve para a defesa ativa da porta principal. A planta pentagonal é, segundo Barroca, herdeira das torres de cinco faces dos Templários e de D. Sancho I. A torre tornou-se a principal imagem da vila.

As muralhas foram pensadas com o mesmo cuidado. Dois torreões circulares protegem um dos lados e um largo adarve percorre todo o recinto. Do lado de fora, uma barbacã, provavelmente já do século XIV, estreitava os acessos e expunha os atacantes ao tiro vertical.

A cerca da vila, de planta oval, também é gótica e deve ser do século XIV, quase contemporânea do castelo. A porta principal fica no extremo oposto ao castelo, e a Rua Direita liga os dois. O município acrescenta que subsiste uma parte da muralha leonesa, incluindo a única porta dessa cerca que chegou aos nossos dias.

Reformas, cemitério e restauro

No reinado de D. Manuel, o castelo recebeu obras. O município refere o escudo ladeado por esferas armilares no castelo e na porta leonesa sobrevivente. Os desenhos de Duarte de Armas, do início do século XVI, mostram uma barbacã com troneiras, adaptada à artilharia. Seguiram-se outras campanhas de reforço, e o castelo ainda serviu de apoio durante as guerras peninsulares do início do século XIX. O município lembra que foi perto da cidade, no Gravato, que se travou a última batalha das invasões francesas em território nacional.

Perdida a função militar, o castelo entrou em decadência. Em meados do século XIX, o pátio foi adaptado a cemitério. Na viragem para o século XX, chegou a ser demolida a capela de Santa Maria, templo da fortaleza desde a época gótica. O restauro começou pouco depois da criação da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Segundo o registo, foi um programa ambicioso de reconstrução de grande parte do castelo, das muralhas aos merlões, que explica a configuração atual.

Classificação

O castelo é Monumento Nacional. O Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910, classificou o castelo. O Decreto n.º 38 147, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1951, classificou com ele o resto da muralha. A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada pela portaria de 21 de novembro de 1949, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 282, de 6 de dezembro de 1949. O castelo não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

O Sabugal não pertence às Aldeias Históricas de Portugal. Essa rede inclui Sortelha, uma freguesia do mesmo concelho com castelo próprio, o Castelo de Sortelha, também Monumento Nacional. O município apresenta o Sabugal como uma das suas cinco vilas medievais, com Alfaiates, Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior.

Preparar a visita

O castelo fica no centro histórico, junto ao Largo de Santa Maria. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o município não publicava um horário próprio do castelo. Publicava o horário do Museu do Sabugal, no Largo de S. Tiago, que funciona também como posto de turismo. Estava aberto todos os dias, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 de junho a agosto, e das 9h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30 de setembro a maio.

O município organizava ainda visitas orientadas ao castelo e ao museu, por técnicos de turismo, com marcação com 24 horas de antecedência. O preço era de 25 euros para grupos até 25 pessoas e 35 euros para grupos maiores. As reservas faziam-se por [email protected] ou pelos telefones 800 262 788 e 271 750 080. Confirme horários e condições na página dos postos de turismo antes de ir.

Junto ao castelo, a ponte sobre o Côa é, segundo o município, a do tempo de D. Dinis, alvo de sucessivas reconstruções; um dos arcos, destruído pelo rio em 1908, teve de ser refeito. Para continuar, siga para Sortelha, consulte o itinerário do Centro de Portugal ou compare o Sabugal com outros castelos de Portugal.

Fotografia de Alvesgaspar, de 8 de julho de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Porque se chama Castelo das Cinco Quinas?
Pelo nome popular ligado à torre de menagem, de planta pentagonal, uma forma rara na arquitetura militar portuguesa. O registo nacional, citando Mário Barroca, vê nela uma herdeira das torres de cinco faces dos Templários e de D. Sancho I.
Quem construiu o Castelo do Sabugal?
O primeiro reduto foi leonês e castelhano. Depois de D. Dinis conquistar a vila em 1296 e de o Tratado de Alcanizes a integrar em Portugal, o rei mandou construir o castelo gótico atual, com a torre pentagonal adossada à muralha junto à porta principal.
O castelo está classificado?
Sim. O Decreto de 16 de junho de 1910 classificou o castelo como Monumento Nacional, e o Decreto n.º 38 147, publicado no Diário do Governo de 5 de janeiro de 1951, alargou a classificação ao resto da muralha. A zona especial de proteção foi fixada por portaria de 21 de novembro de 1949.
O Sabugal faz parte das Aldeias Históricas de Portugal?
Não. A rede inclui Sortelha, que fica no concelho do Sabugal e tem o seu próprio castelo classificado, mas a cidade do Sabugal não faz parte dela.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo do Sabugal e o resto da respectiva muralha (70564)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo do Sabugal (NINV 3000)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 38 147 (I Série, n.º 4, 5-01-1951)
  4. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  5. Município do Sabugal — Sabugal (5 vilas medievais)
  6. Município do Sabugal — Postos de Turismo
  7. Wikidata — Castelo do Sabugal (Q2970478)
  8. Aldeias Históricas de Portugal — Página inicial (lista das 12 aldeias)

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