Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Arqueologia

Castros classificados do Norte e Centro

Nove castros classificados como Monumento Nacional: Sacóias, Alvarelhos, Ázere, São Caetano, Arados, Bom Sucesso, Tintinolho, Aldeia Nova e Monte Redondo.

Perguntas frequentes Fontes
Muros baixos de granito das casas do Castro de Alvarelhos, entre ervas e árvores, na Trofa
Cyberlima785, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

Nove dos castros classificados como Monumento Nacional no território continental ficam em concelhos tão diferentes como Bragança, Monção, a Trofa, a Guarda ou Mangualde. Têm em comum a forma (povoados fortificados em cabeços, com muralhas e casas de pedra) e o facto de a documentação pública acessível ser, para a maioria, muito curta. Esta página reúne-os, diz o que as fontes consultadas permitem afirmar e assinala o que ficou por confirmar. Para o contexto geral, leia a cultura castreja e a Idade do Ferro; para um castro escavado e visitável com mais pormenor, a Citânia de Sabroso.

Os dados de classificação vêm do Atlas do Património Cultural, consultado a 5 de novembro de 2026. O texto descritivo do inventário (SIPA) não foi legível nessa data; por isso, onde se descreve o sítio, a fonte é indicada.

Castro de Alvarelhos (Trofa)

Em Alvarelhos, na serra de Santa Eufémia, é o castro com informação mais completa. O Atlas dá o NINV 3782 e a designação alternativa Castro de São Marçal; está classificado desde 1910. O município descreve um sítio com vestígios de várias ocupações, do Bronze Final à Idade Média. Segundo a síntese consultada, a fase da Idade do Ferro é conhecida pelo nome castellvm madiae, o castro dos madequisenses, povo documentado a partir do século II a.C.; a época romana, junto da via Cale-Bracara, foi a mais marcante para a organização do povoado; e, a partir de meados do século V, o núcleo urbano terá sido abandonado. No Monte de São Marçal há ainda vestígios de uma pequena fortificação (séculos IX a XII) e de uma igreja com cemitério (meados do século XII ao século XVI).

É também o único do grupo em que o município publica um percurso interpretativo de visita livre e entrada gratuita. A mesma freguesia guarda marcos miliários romanos: veja a Via Romana XVIII e os marcos classificados.

Castro de Sacóias (Bragança)

Na freguesia de Baçal (NINV 2351), sobre um cabeço isolado acima da capela de Nossa Senhora da Assunção. O resumo do inventário, reproduzido na Wikipédia, descreve um povoado fortificado de pequenas muralhas de pedra miúda, provavelmente da Idade do Ferro, reocupado em época romana, com fragmentos de telha, tijolo e mós. O mesmo resumo regista o mau estado de conservação e que o espólio recolhido pela Sociedade Martins Sarmento se encontra no Museu do Abade de Baçal. Não encontrámos relatório de escavação acessível. Para o enquadramento, Bragança.

Castro de São Caetano (Monção)

No lugar de Outeiro, freguesia de Longos Vales (NINV 4134). É um dos poucos cuja designação oficial já descreve a estrutura: «abrangendo os perímetros das três muralhas». Foi classificado pelo Decreto n.º 735/74, de 21 de dezembro de 1974, e não em 1910. O inventário situa-o na Idade do Ferro, com ocupação ainda na época da conquista romana e abandono no final do século I. Um projeto arqueológico em Longos Vales, iniciado em 2014, terá incluído escavações neste castro, o que indica trabalho recente, mas não obtivemos o relatório.

Castro de Monte Redondo (Braga)

Também conhecido por Castro Monte Cossourado ou Castro de São Mamede, em Guisande e Oliveira (São Pedro), NINV 2209. É o do grupo com a história de investigação mais clara: o inventário refere uma exploração parcial em 1899 e 1900, por iniciativa de Albano Belino, com três linhas de muralhas (a primeira com 1050 m de perímetro), casas circulares e algumas quadrangulares, fíbulas, contas de âmbar, um pequeno machado de pedra, moedas romanas, fragmentos de telha e uma ara votiva, hoje na Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães. Os trabalhos pararam por falta de acordo com os proprietários dos terrenos. O inventário avança, com ponto de interrogação, uma origem entre os séculos X e IX a.C. e regista o estado de abandono.

Castro dos Arados (Marco de Canaveses)

Também chamado Alto de Santiago ou Monte do Ladário, na freguesia de Alpendorada, Várzea e Torrão (NINV 3641). A ficha de património do município refere uma acrópole, uma segunda plataforma e um troço de muralha, a cerca de 480 m de altitude. A Rota do Românico descreve o miradouro do Alto de Santiago, a cerca de 500 m da Estrada Nacional 210, com vestígios de muralhas e casas do período castrejo. Não obtivemos cronologia nem história de escavações.

Castro do Bom Sucesso (Mangualde)

Em Tavares (Chãs, Várzea e Travanca), NINV 4072. É o único classificado mais tarde, pelo Decreto n.º 67/97, de 31 de dezembro de 1997. O inventário, segundo a síntese consultada, descreve-o como povoado entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro. Não encontrámos mais informação pública fiável.

Castro de Tintinolho (Guarda)

Nas freguesias de Alvendre, Cavadoude e Faia (NINV 2957). O Atlas confirma a classificação de 1910, mas o campo com o decreto está vazio neste registo. As descrições divulgativas falam de um povoado da Idade do Ferro num cabeço, sem referência a escavações. É o caso mais fraco do conjunto: para o enquadramento regional, Guarda.

Castro de Ázere (Arcos de Valdevez)

Em Ázere (NINV 4084), classificado em 1910. Só confirmámos o registo oficial; fontes de divulgação sugerem ocupação desde o século VIII a.C., mas sem apoio num estudo que pudéssemos ler. Fica, por isso, sem datação nesta página.

Castro de Aldeia Nova (Miranda do Douro)

Em Miranda do Douro (NINV 2396), classificado em 1910. A Wikipédia descreve-o apenas como castro da Idade do Ferro. Há uma incerteza de identificação: as fotografias e a ligação em mirandês associadas ao artigo referem o Castro de São João das Arribas, sem explicar se se trata do mesmo sítio. Não o afirmamos. Veja Miranda do Douro.

Como ler o conjunto

Quatro destes castros (Sacóias, Ázere, Tintinolho e Aldeia Nova) não têm, nas fontes que pudemos ler, mais do que o registo de classificação. A classificação de 1910 abrangeu locais escavados no final do século XIX e início do século XX, mas isso não significa que haja hoje estruturas à vista ou visita organizada. Em comparação, Briteiros e Santa Luzia têm percursos e interpretação, e a Citânia de Sabroso tem escavações modernas. A tipologia geral está em arqueologia portuguesa.

Se pretende visitar, confirme sempre no município o acesso, a propriedade do terreno e as condições do percurso. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Trofa era o único município com percurso interpretativo publicado para o seu castro.

Fotografia de Cyberlima785, de 24 de agosto de 2017. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quais são os castros desta página e onde ficam?
Sacóias (Bragança), Alvarelhos (Trofa), Ázere (Arcos de Valdevez), São Caetano (Monção), Arados (Marco de Canaveses), Bom Sucesso (Mangualde), Tintinolho (Guarda), Aldeia Nova (Miranda do Douro) e Monte Redondo (Braga). Todos constam do Atlas do Património Cultural como Monumento Nacional.
Quando foram classificados?
Sete deles pelo decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). O Castro de São Caetano foi classificado pelo Decreto n.º 735/74, de 21 de dezembro de 1974, e o Castro do Bom Sucesso pelo Decreto n.º 67/97, de 31 de dezembro de 1997.
Posso visitá-los todos?
Não há uma regra única. Na consulta de 5 de novembro de 2026, apenas Alvarelhos tinha percurso interpretativo de visita livre publicado pelo município da Trofa. Para os restantes não encontrámos informação oficial de acesso; confirme no município e respeite a propriedade privada.
Todos são da Idade do Ferro?
Não necessariamente. Alvarelhos tem ocupação desde o Bronze Final até à Idade Média e o Bom Sucesso é descrito como povoado entre o Bronze e o Ferro. Para vários dos outros, as fontes consultadas só permitem dizer que se trata de povoados fortificados protohistóricos.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Imóvel, camada PatrimonioImovel (NINV 2351, 3782, 4084, 4134, 3641, 4072, 2957, 2396, 2209)
  2. Município da Trofa / iPorto — Castro de Alvarelhos
  3. Rota do Românico — Miradouro do Alto de Santiago
  4. Município de Marco de Canaveses — Fichas de património 2015, Alpendorada, Várzea e Torrão
  5. Wikipédia — Castro de Sacóias (ponteiro para o SIPA IPA.00000552)
  6. Wikipédia — Castro de Monte Redondo (ponteiro para o SIPA 1923 e para O Arqueólogo Português, 1909)
  7. Wikipédia — Castro de São Caetano (ponteiro para o SIPA 3610)
  8. Wikipédia — Castro do Bom Sucesso (ponteiro para o SIPA 4797)
  9. Wikipédia — Castro de Aldeia Nova (ponteiro para o SIPA 545)
  10. Wikipédia — Castro de Alvarelhos (ponteiro para o SIPA 3811)
  11. Wikidata — Castro de Alvarelhos (Q17390115)