Denkmäler

Palácio Nacional da Pena

Palácio Nacional da Pena, em Sintra: o palácio romântico de D. Fernando II sobre a serra, ícone maior do revivalismo oitocentista português.

Palácio Nacional da Pena
CEphoto, Uwe Aranas, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

Erguido no ponto mais alto da serra de Sintra, o Palácio Nacional da Pena é o monumento mais emblemático do Romantismo em Portugal e uma das primeiras grandes realizações do revivalismo arquitetónico na Europa. A sua silhueta inconfundível — torres ameadas, cúpulas, terraços e muralhas pintadas de vermelho e amarelo vivos — domina a paisagem boscosa de Sintra e tornou-se uma imagem-símbolo do país.

Do mosteiro hieronimita ao palácio romântico

A origem do sítio remonta a uma capela medieval dedicada a Nossa Senhora da Pena. Em 1503, D. Manuel I mandou erguer no local um mosteiro, doado à Ordem de São Jerónimo, que aqui manteve uma pequena comunidade durante mais de dois séculos. O terramoto de 1755 e a posterior extinção das ordens religiosas, em 1834, deixaram o edifício em ruínas.

Em 1838, D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gota, marido da rainha D. Maria II, adquiriu o mosteiro arruinado e os terrenos circundantes. Apaixonado pela natureza serrana e pela cultura germânica, encarregou o engenheiro e mineralogista alemão barão Wilhelm Ludwig von Eschwege de transformar as ruínas num palácio de veraneio. As obras decorreram sobretudo entre 1842 e 1854, integrando o claustro manuelino preservado do antigo mosteiro num conjunto inteiramente novo.

No Palácio da Pena, a ruína não foi apagada mas absorvida: o velho mosteiro tornou-se uma ala do palácio, e a história do lugar passou a fazer parte da própria encenação romântica.

Uma síntese de estilos

A arquitetura da Pena recusa a unidade estilística e celebra a mistura. Eschwege e D. Fernando II combinaram referências neogóticas, neomanuelinas, neoislâmicas e neorrenascentistas, citando livremente o passado nacional e o Oriente imaginado. A ala vermelha corresponde ao antigo convento restaurado; a ala amarela, ao “Palácio Novo”. Pormenores como o portal do Tritão, as abóbadas de inspiração mourisca e os azulejos cobrem as superfícies de uma profusão decorativa programática.

A cor, recuperada nos restauros do final do século XX, é parte essencial da conceção original: os tons vibrantes destacam o palácio sobre o verde da serra e reforçam o seu carácter cenográfico, próximo do palco teatral.

O parque e o legado

Em torno do palácio, D. Fernando II concebeu um vasto parque romântico de cerca de 200 hectares, plantado com espécies exóticas trazidas de todo o mundo e organizado segundo o gosto dos jardins paisagísticos ingleses. Caminhos sinuosos, lagos, recantos e pontos de vista compõem um cenário pensado para o passeio contemplativo.

À morte de D. Fernando II, em 1885, o palácio acabou por ser adquirido pelo Estado, e com a implantação da República, em 1910, foi classificado como Monumento Nacional e convertido em museu. Hoje integra a Paisagem Cultural de Sintra, inscrita na lista do Património Mundial da UNESCO desde 1995.

A Pena dialoga com outros marcos do romantismo sintrense, como o Palácio de Monserrate e a Quinta da Regaleira, e contrasta com o vizinho Palácio Nacional de Sintra, residência régia de raízes medievais. Em conjunto, estes monumentos fazem de Sintra um dos territórios mais densos do património palaciano português.

Häufige Fragen

Quem mandou construir o Palácio da Pena?
O rei consorte D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gota, que adquiriu o antigo mosteiro hieronimita em 1838 e dirigiu a obra entre 1842 e 1854, com projeto do barão Wilhelm von Eschwege.
Que estilo arquitetónico tem o Palácio da Pena?
É uma síntese revivalista do Romantismo, combinando elementos neogóticos, neomanuelinos, neoislâmicos e neorrenascentistas, com referências exóticas inspiradas no imaginário oitocentista.
O Palácio da Pena é Património Mundial?
Sim, integra a Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO em 1995. O palácio é em si Monumento Nacional desde 1910.

Quellen

  1. Parques de Sintra — História do Palácio Nacional da Pena
  2. Palácio Nacional da Pena — Wikipédia