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Monumentos

Igreja de São Martinho de Candoso

Igreja de São Martinho de Candoso, em Guimarães: templo românico rural, provavelmente do século XIII, com fachada barroca e talha dourada; Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Igreja de São Martinho de Candoso em granito, com a torre sineira quadrangular de três sineiras adossada ao edifício e a nave baixa de telhado de duas águas, sob céu nublado
Vitor Monteiro, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Candoso (São Martinho), Guimarães, Braga
Construção
Românica, provavelmente do século XIII; fachada e torre sineira barrocas (século XVII); altares do século XIX

A Igreja de São Martinho de Candoso (Igreja Matriz ou Igreja Paroquial de Candoso) fica no Lugar do Assento, na freguesia de Candoso (São Martinho), nos arredores de Guimarães. É Monumento Nacional desde 1910. O registo oficial descreve uma pequena capela que, apesar das muitas transformações, evoca ainda a antiguidade da população que serve, e que tem vista ampla sobre a cidade e sobre a Penha. É um bom exemplo de como o românico se prolongou, em meio rural, muito depois da chegada do gótico.

Uma igreja medieval de freguesia rural

Na origem, segundo o registo do Património Cultural, I.P., este era o templo da freguesia medieval e rural de Candoso, uma das muitas que povoavam o Entre-Douro-e-Minho nos primeiros tempos da nacionalidade. A organização e o volume gerais resultam dessa primitiva construção: nave única relativamente pequena, capela-mor quadrangular, paredes espessas com poucas e discretas frestas e um aspeto compacto e rude. Destacam-se os modilhões vincadamente românicos que sustentam a cornija antes do telhado.

A cronologia românica é atestada pelas frestas de duplo arco de volta perfeita e pelo arco triunfal, escassamente decorado com motivos geométricos. O registo conclui que o edifício foi erguido já numa fase tardia, muito possivelmente no decorrer do século XIII. É, por isso, um dos numerosos templos que mostram como o figurino românico persistiu bem para lá do advento do gótico nas zonas rurais e periféricas, uma realidade mais fácil de ver no interior do Norte e do Centro, mas com muitos exemplos no Entre-Douro-e-Minho rural. Para o quadro do estilo, veja a arquitetura românica em Portugal.

As transformações modernas

A configuração atual deve-se, segundo o registo, a duas grandes reformas. No século XVII, em pleno período barroco, o interior foi enriquecido com altares laterais em talha dourada, profusamente decorados mas de feitura modesta. Dessa época data a transformação da fachada principal, em que se suprimiu o arco principal românico em favor de uma porta de lintel reto sobrepujada por um janelão vertical barroco. A torre sineira, adossada à fachada e de secção quadrangular, é igualmente barroca. No século XIX foram construídos novos altares, já de gosto neoclássico.

O registo refere ainda que se procedeu ao levantamento planimétrico e ao restauro do edifício, com consolidação das estruturas e reposição de algumas frestas à sua feição original, e que o projeto do mobiliário interno ficou a cargo do arquiteto Siza Vieira. Esta é a versão do registo que consultámos (uma cópia arquivada, de 2020); não indica a data da intervenção e não confirmámos o seu estado atual.

Classificação

O Atlas do Património Classificado regista-a como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910, o mesmo decreto que classificou outros monumentos de Guimarães, como a Igreja de São Miguel do Castelo. O texto é uma digitalização de imagem que não conseguimos transcrever. O registo não indica zona especial de proteção nem inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

Não encontrámos, na consulta de 5 de novembro de 2026, informação oficial (Município, paróquia ou Património Cultural) sobre horário de abertura ou visitas, pelo que não a indicamos. A igreja está em uso paroquial; confirme com a paróquia ou com o Turismo de Guimarães antes de se deslocar. Veja também a Igreja de Serzedelo, igualmente em Guimarães, e a página do Norte.

Fotografia de Vitor Monteiro, de 8 de agosto de 2014. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

A Igreja de Candoso é românica?
Na origem, sim. O registo do Património Cultural, I.P. identifica a cronologia românica pelos modilhões da cornija, pelas frestas de duplo arco de volta perfeita e pelo arco triunfal, e situa a construção, tardia, muito possivelmente no século XIII. A fachada principal e a torre sineira foram transformadas no século XVII.
O que mudou no século XVII?
O interior ganhou altares laterais de talha dourada, de feitura modesta, a fachada principal foi transformada, com a supressão do arco principal românico em favor de uma porta de lintel reto sob um janelão barroco, e a torre sineira, de secção quadrangular, é também barroca.
Qual é a classificação?
Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910, segundo o Atlas do Património Classificado. O registo não indica zona especial de proteção.
Siza Vieira interveio na igreja?
Segundo o registo, o restauro da igreja incluiu um levantamento planimétrico e a consolidação das estruturas, e o projeto do mobiliário interno ficou a cargo do arquiteto Siza Vieira. O registo que consultámos não data a intervenção.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de São Martinho de Candoso (71099)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2286)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, de 23 de junho de 1910)
  4. Wikidata — Igreja Matriz de São Martinho de Candoso (Q5994004)

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