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Museu de Alberto Sampaio

Museu de Alberto Sampaio, em Guimarães: claustro da Colegiada da Oliveira, tesouro de ourivesaria, loudel e tríptico de D. João I e informação para a visita.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada branca de três pisos com cantarias de granito do Museu de Alberto Sampaio, no centro histórico de Guimarães
Krzysztof Golik, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Guimarães, Braga
Construção
Edifícios da Colegiada: claustro reformado no século XVI, Casa do Cabido com obras do final do século XVIII

O Museu de Alberto Sampaio guarda a arte sacra da antiga Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, nos próprios edifícios da instituição, junto ao Largo da Oliveira, no centro histórico de Guimarães. Peças e lugar explicam-se mutuamente: o claustro, a sala do capítulo e as casas do prior e do cabido acolhem o tesouro que a Colegiada reuniu durante séculos. O museu pertence à rede da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E..

Do mosteiro de Mumadona ao museu

O museu situa-se onde a condessa Mumadona mandou construir um mosteiro no século X. Inicialmente dúplice, o mosteiro tornou-se uma colegiada no início do século XII. O reinado de D. João I trouxe grandes obras de ampliação, incluindo a nova igreja dedicada a Santa Maria de Guimarães. No século XVI foram renovados a igreja, o claustro e a Casa do D. Prior; no final do século XVIII fizeram-se obras importantes na Casa do Cabido, hoje a entrada principal do museu.

A Colegiada foi extinta em 1911, e o claustro ficou ao abandono. O museu foi criado pelo Decreto n.º 15 209, de 17 de março de 1928, para reunir o espólio artístico da Colegiada e de outras igrejas e conventos de Guimarães que estavam na posse do Estado. O nome homenageia Alberto Sampaio, patrono do museu, que trabalhou no Banco de Guimarães. Alfredo Guimarães, primeiro diretor, liderou uma campanha pública pela salvação do claustro. Os estudantes desfilaram pela cidade com cartazes que diziam “Vimaranenses, salvai o claustro da vossa Colegiada”.

As obras de adaptação começaram em maio de 1928, e o restauro do claustro prolongou-se até 1931. O Museu Regional de Alberto Sampaio foi inaugurado oficialmente a 1 de agosto de 1931. Na década de 1960, a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais restaurou a Casa do Priorado e a Casa do Cabido, e os novos espaços abriram em 1967. Uma remodelação entre 1999 e 2004 renovou a receção, a loja e as salas. Em 26 de junho de 2014 foi inaugurado o Palacete de Santiago, um edifício oitocentista da Praça de Santiago, como extensão para exposições temporárias, biblioteca e reservas.

O claustro

O claustro tem uma planta irregular que contorna a igreja de Nossa Senhora da Oliveira. Os arcos de volta perfeita levaram vários autores a datá-lo do século XIII e a chamá-lo românico. O museu cita, porém, um estudo de Lúcia Rosas segundo o qual a estrutura medieval original não sobreviveu: o claustro foi reformado no século XVI, no priorado de D. Diogo Pinheiro, cujo brasão está numa aduela. Há elementos reaproveitados e outros copiados para imitar o claustro anterior. Os 42 capitéis são todos diferentes, e alguns foram refeitos no restauro de 1928–1931.

Nos muretes veem-se tabuleiros de jogos medievais gravados, os alguergues. O claustro reúne a coleção lítica do museu: brasões, pias de água benta, capitéis e lápides. Conserva ainda a capela tumular gótica de São Brás, fundada no século XV por Álvaro Gonçalves de Freitas, vedor da fazenda de D. João I, com os jacentes do fundador e da mulher.

As coleções

A ourivesaria é o núcleo mais conhecido. Cerca de 70 % das peças vêm da Colegiada, e o tesouro de Nossa Senhora da Oliveira reúne obras do século XII ao século XIX, oferecidas por reis, priores, cónegos e devotos ou encomendadas para o culto. O museu sublinha a unidade e a boa documentação deste conjunto, que inclui muita produção local. Para o contexto nacional, veja a ourivesaria portuguesa e a arte sacra e os tesouros.

Na Sala de Aljubarrota estão as peças associadas à batalha de 14 de agosto de 1385. D. João I pediu a proteção de Santa Maria de Guimarães antes do combate e, depois da vitória, ofereceu-lhe as suas armas, o loudel, veste militar que terá envergado na batalha, e o tríptico de prata dourada com o Nascimento de Jesus. A sala mostra também as inscrições comemorativas da fundação e da sagração da igreja que o rei reconstruiu.

A pintura documenta sobretudo as oficinas vimaranenses dos séculos XV a XVIII, com obras de fora como as tábuas da oficina de Frei Carlos e uma tela de André Reinoso. O museu destaca o Tríptico da Lamentação, vindo do claustro da Colegiada. A escultura inclui a imagem de Santa Maria de Guimarães, do século XIII, que esteve ao culto na igreja da Colegiada, além de obras de influência flamenga do século XVI. Há ainda núcleos de pintura a fresco, talha e têxteis.

Proteção e Património Mundial

O Atlas do Património Cultural, I.P. não regista o museu como bem classificado autónomo. A vizinha Igreja de Nossa Senhora da Oliveira é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, e o museu fica na zona especial de proteção conjunta da igreja, do Padrão do Salado e dos Paços Municipais, fixada por portaria de 1 de fevereiro de 1956. Segundo o Atlas, o museu está também dentro do perímetro do Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros, inscrito na Lista do Património Mundial em 2001 e alargado em 2023. Não tem, por isso, uma inscrição UNESCO própria: faz parte do tecido urbano do bem inscrito.

Preparar a visita

O museu fica na Rua Alfredo Guimarães, 4800-407 Guimarães, junto à Praça da Oliveira. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial de bilhética e horários indicava:

  • horário de terça-feira a domingo, 10h00–18h00, com encerramento no domingo de Páscoa, em 1 de janeiro, 1 de maio e 25 de dezembro;
  • bilhete normal a 5 € e entrada só no claustro a 1 €;
  • desconto de 50 % para maiores de 65 anos, jovens dos 13 aos 24 anos e famílias com pelo menos um adulto e um menor;
  • entrada livre com o Voucher 52 para residentes em Portugal e para crianças até aos 12 anos, entre outros casos (veja entrada gratuita nos museus e monumentos);
  • bilhete-circuito de 13 € com o Paço dos Duques de Bragança e o Castelo de Guimarães.

No verão, o Museu à Noite prolonga a abertura até às 24h00, em datas indicadas pelo museu, com bilhete único de 5 €. O Voucher 52 não se aplica nesse horário. O Palacete de Santiago abre de segunda a sexta-feira, 10h00–18h00, apenas quando há exposições ou eventos. Confirme as condições no sítio do museu ou pelo telefone +351 253 423 910.

Fotografia de Krzysztof Golik, de 18 de fevereiro de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Onde está instalado o Museu de Alberto Sampaio?
Nos edifícios da antiga Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, no centro histórico de Guimarães: o claustro, a Casa do Priorado e a Casa do Cabido, que é hoje a entrada principal. Desde 2014, o Palacete de Santiago funciona como extensão do museu.
Quando foi criado?
Foi criado pelo Decreto n.º 15 209, de 17 de março de 1928, para guardar o espólio artístico da extinta Colegiada e de outras igrejas e conventos de Guimarães. Foi inaugurado oficialmente a 1 de agosto de 1931.
Que peças ligadas a Aljubarrota se podem ver?
O loudel, veste militar que D. João I terá usado na batalha de Aljubarrota, em 1385, e o tríptico de prata dourada com o Nascimento de Jesus, que o rei ofereceu a Santa Maria de Guimarães em agradecimento pela vitória.
O museu faz parte do Património Mundial?
Não tem inscrição própria. Segundo o Atlas do Património Cultural, o museu fica dentro do perímetro do bem Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros, inscrito pela UNESCO em 2001 e alargado em 2023.

Fontes

  1. Museu de Alberto Sampaio — História
  2. Museu de Alberto Sampaio — Claustro
  3. Museu de Alberto Sampaio — Sala de Aljubarrota
  4. Museu de Alberto Sampaio — Ourivesaria
  5. Museu de Alberto Sampaio — Pintura
  6. Museu de Alberto Sampaio — Escultura
  7. Museu de Alberto Sampaio — Têxtil
  8. Museu de Alberto Sampaio — Palacete de Santiago
  9. Museu de Alberto Sampaio — Legislação
  10. Museu de Alberto Sampaio — Bilhética e horários
  11. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, NINV 2280; Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros, NINV 71271)
  12. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (classificação de monumentos nacionais)
  13. UNESCO — Historic Centre of Guimarães and Couros Zone (1031)
  14. Wikidata — Museu de Alberto Sampaio (Q17167645)

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